Capítulo 77: O Senhor Mo
Na manhã seguinte, Lu Chen chegou pontualmente à rua das antiguidades, onde encontrou Fang Yingling e Qi Jun. O objetivo dos três naquele dia era garimpar uma bússola que pudesse ser útil.
Como Lu Chen ainda não dominava completamente suas habilidades, precisava recorrer à bússola para ajudar o velho Fang a encontrar a origem da energia morta. Por isso, a bússola tornava-se o elemento mais importante da busca. Embora o velho Fang não pudesse ir pessoalmente, enviou sua querida neta e o fiel guarda-costas Qi Jun para acompanhá-lo.
— Lu Chen, será que aqui tem aquela tal bússola que você precisa? — perguntou Fang Yingling, andando ao lado de Qi Jun atrás de Lu Chen, enquanto observava, divertida, as barracas de cada lado da rua.
— Não sei ao certo — respondeu Lu Chen, balançando a cabeça e seguindo na frente. — Vim aqui apenas para pedir ajuda a alguém.
Ele não era natural de Beihai; estava naquela cidade há apenas dois anos, e por acaso havia salvado seu sogro, Ye Jianwen, tornando-se então genro da família Ye. Durante esse tempo, raramente saía de casa e pouco conhecia sobre Beihai; a única coisa com que estava minimamente familiarizado era aquela rua de antiguidades.
A pessoa que ele procurava naquele dia não era outra senão o senhor Mo, que ele conhecera na véspera do aniversário do velho Ye, quando visitara a loja junto com Ye Qingling. Da última vez, ao desenhar um talismã para Mo Xiaoxiao, todos os materiais — papel amarelo, pincel de pelo de lobo, cinábrio — tinham sido fornecidos pelo próprio senhor Mo. Sendo um morador antigo e influente de Beihai, Lu Chen acreditava que ele saberia onde encontrar uma bússola de feng shui.
— Ora, senhor Lu, que honra recebê-lo! O que deseja comprar hoje? — gritou o senhor Mo, com olhos aguçados, ao reconhecer Lu Chen em meio à multidão.
— Senhor Mo, quanto tempo! — respondeu Lu Chen com um sorriso, indo cumprimentá-lo. — Vim procurar uma bússola bem feita. Você saberia onde encontrar?
— Uma bússola? Isso não é comum — o senhor Mo ficou surpreso, coçou a barba por fazer e disse em tom grave: — Para ser sincero, nunca lidei com esse tipo de coisa, mas pode ficar tranquilo, seu problema é o meu problema. Embora eu não saiba onde vendem bússolas, conheço alguém que com certeza sabe.
— Ótimo, peço então que nos leve até essa pessoa — agradeceu Lu Chen, admirando a vasta rede de contatos do senhor Mo.
— Claro, senhor Lu, aguarde só um instante enquanto guardo as coisas — respondeu o senhor Mo com bom humor. Ele enrolou os objetos sobre a seda vermelha e os colocou numa velha van ali perto. Depois de arrumar tudo, trocou de roupa, abandonando os trapos e vestindo-se finalmente como alguém comum.
— Não repare, senhor Lu. Quem trabalha nesta rua precisa parecer pobre, assim os clientes acreditam mais — explicou o senhor Mo, rindo e revelando uma das regras não ditas das ruas de antiguidades.
— Que engraçado, tio! — disse Fang Yingling, rindo e fazendo um gesto de aprovação para o senhor Mo. Agora ela entendia por que todos os vendedores pareciam tão miseráveis; era tudo de propósito para enganar os clientes.
— E esta senhorita é...? — perguntou o senhor Mo, notando Fang Yingling e estranhando, pois da última vez quem acompanhava Lu Chen era outra mulher. Como pode um mestre tão habilidoso estar sempre cercado de beldades? Por fora, mantinha-se impassível, mas por dentro admirava ainda mais Lu Chen.
— Esta é a senhorita Fang Yingling, e este é o senhor Qi Jun, ambos meus amigos. Vieram me acompanhar hoje — respondeu Lu Chen, ocultando a verdadeira razão da visita para não expor a doença do velho Fang a estranhos.
O senhor Mo cumprimentou Fang Yingling e Qi Jun com um sorriso, e guiou os três até a porta de uma loja de antiguidades. Lu Chen ergueu os olhos para a placa, onde estava escrito “Tai He Xuan”. Surpreso, perguntou baixinho:
— Senhor Mo, a pessoa que você mencionou é o dono desta loja, Chen Haoxuan?
— Exatamente, ele mesmo. Você também o conhece, senhor Lu? — respondeu o senhor Mo prontamente. — Não se deixe enganar pela pouca idade do senhor Chen, ele tem muitos contatos nesse meio. Se há alguém nesta rua que saiba onde encontrar uma verdadeira bússola, com certeza é ele.
— Na verdade, não posso dizer que o conheço, apenas o vi uma vez — explicou Lu Chen.
— Uma vez basta. O senhor Chen é generoso, sempre disposto a ajudar quando pode — garantiu o senhor Mo, entrando com os três na Tai He Xuan.
Assim que entraram, o senhor Mo agiu como se estivesse em casa. Pegando um punhado de frutas secas do balcão, perguntou ao funcionário:
— Xiao Liu, onde está o senhor Chen?
— Senhor Mo, que surpresa! O chefe está dormindo no andar de cima — respondeu o rapaz, sorrindo e apontando para cima.
— Mas que preguiça desse seu chefe, dormindo até agora — resmungou o senhor Mo, sacudindo a cabeça e subiu as escadas com Lu Chen e os outros.
Como esperado, lá estava Chen Haoxuan, corpulento, deitado numa cadeira de vime, dormindo profundamente. Seu ronco era tão forte quanto o de um trombone.
— Senhor Chen... senhor Chen... acorde... acorde... — O senhor Mo, já acostumado, aproximou-se e apertou o nariz de Chen Haoxuan até que, sufocado, ele finalmente acordou.
— Só podia ser você, Mo, seu velho peste! Só você para incomodar desse jeito... — Chen Haoxuan, irritado por ter sido acordado, lançou um olhar fulminante ao reconhecer o senhor Mo.
— Hahaha, isso é hilário! — Fang Yingling não conseguiu conter o riso ao ver a cena.
Chen Haoxuan, ouvindo o barulho, percebeu que havia outras três pessoas no cômodo. Dois eram desconhecidos, mas um dos homens lhe era bastante familiar.
— Ora, mas não é o senhor Lu? Teria mudado de ideia e decidido vender aquele ornamento de chifre retorcido? — exclamou Chen Haoxuan, pulando da cadeira com entusiasmo ao ver Lu Chen.