Capítulo 34: Vingança
— O que está fazendo? Se ousar pôr as mãos em mim de novo, não me culpe por perder a paciência! — vendo a cena, Yang Zhen reagiu rapidamente, puxando Li Quan para trás de si e lançando um olhar furioso ao homem de meia-idade, exclamando com voz fria.
— Seu moleque atrevido, ainda ousa me ameaçar? Quando eu já andava pelo submundo, você nem sequer era um espermatozoide! — o homem de meia-idade, irritado por não ter conseguido desferir o tapa, apontou o dedo para o rosto de Yang Zhen e o xingou.
— Pois bem, velho, hoje vou te ensinar a controlar essa boca suja — Yang Zhen arqueou as sobrancelhas, sem dizer mais nada, levantou a perna e acertou um chute certeiro no peito do homem. Embora não fosse páreo para Lu Chen, praticava artes marciais e aquele chute não era algo que uma pessoa comum pudesse suportar.
— Desgraçado... — o homem caiu no chão, segurando o peito e com o rosto pálido.
— Chega, parem com isso! — quando Yang Zhen se preparava para avançar e continuar a lição, Sun Ling colocou-se entre os dois, franzindo a testa e dizendo, contrariada: — Já que foi um mal-entendido, deixem isso pra lá. Vocês são cheios de energia, gostam de brigar, mas precisam entender que há pessoas com quem não se pode mexer.
— Deixa pra lá, deixa pra lá, a irmã Ling já falou, vamos respeitar — afinal, Sun Ling era ídolo de todos, e ao ouvir suas palavras, todos quiseram apaziguar os ânimos. Quem frequentava o Clube Noite Púrpura era gente influente; quanto menos problemas, melhor.
— Li Quan, e você, o que acha? — Yang Zhen não concordou imediatamente, voltando-se para Li Quan.
Li Quan, segurando a face inchada, hesitou, mas por fim acenou com a cabeça, concordando com a reconciliação.
— Então está bem, deixemos esse mal-entendido para trás — Yang Zhen sorriu de leve e, antes de sair, lançou um olhar frio ao homem caído, dizendo: — Velho, não seja tão irritadiço, ou da próxima vez pode acabar morto.
As palavras de Yang Zhen provocaram gargalhadas, enquanto o rosto do homem de meia-idade alternava entre tons de azul e branco, tomado pela raiva.
Yang Zhen, como um verdadeiro líder, guiou o grupo de volta à sala reservada em meio a risos e brincadeiras. Depois de defender Li Quan, conquistara a simpatia do grupo de amigos de Ye Qingyun, tornando-se oficialmente um membro daquele círculo.
— Irmão Yang, obrigado por me defender. Se algum dia precisar de algo, conte comigo — Li Quan brindou com Yang Zhen, demonstrando gratidão.
— Somos amigos, como poderia deixar você ser humilhado por estranhos? — Yang Zhen bebeu de uma vez, demonstrando camaradagem.
— Irmão Yang é demais! — alguém gritou, e logo todos repetiram em coro.
— Haha! Se algum de vocês tiver problemas, pode vir falar comigo. Se eu puder ajudar, não vou recusar! — Yang Zhen, empolgado, ergueu o copo, brindando com todos.
O clima na sala ficou ainda mais animado. Quem não gostava de um amigo leal, corajoso e decidido? Apenas Lu Cheng mantinha um semblante sombrio, pois antes da chegada de Yang Zhen, era ele o líder do grupo. Agora, parecia que essa posição estava prestes a mudar.
Ao mesmo tempo, Lu Chen franziu o cenho. Notou que os rostos de Yang Zhen e dos outros estavam sombrios, sem brilho — um mau presságio, sinal de desgraça iminente. Somando ao conflito anterior, era provável que alguém preparasse uma vingança.
Aproveitando o momento, levantou-se do sofá e disse: — Qingyun, já são onze da noite. Mamãe está esperando por nós em casa, está na hora de ir.
Aquelas palavras mudaram o semblante de todos. Yang Xinru protestou, contrariada:
— Cunhado, a festa mal começou! Por que quer levar a Qingyun embora?
— Isso mesmo, se quer ir, vá sozinho, ninguém vai sentir falta — resmungou outra garota ao lado, visivelmente incomodada.
Yang Zhen também demonstrou desagrado: — Sei que é o cunhado da Qingyun, mas está passando dos limites. Se está cansado, vá sozinho. Não precisa arrastá-la junto. Além do mais, ela não é mais criança, pode decidir por si mesma.
Com isso, todos os olhares se voltaram para Ye Qingyun. Ficou claro que Yang Zhen queria que ela escolhesse entre Lu Chen e os amigos.
Ye Qingyun manteve a expressão serena, mas por dentro estava furiosa com Yang Zhen. Ainda assim, precisava tomar uma decisão. De um lado, suas amigas; do outro, Lu Chen. Qualquer escolha traria desavenças.
Após hesitar, ela olhou para Lu Chen com um toque de culpa e disse suavemente:
— Lu Chen, volte para casa sozinho. Diga à mamãe que volto mais tarde.
Era evidente: apesar de Lu Chen ser seu cunhado, pesava menos que as amizades.
— Que querida! Eu te adoro! — Yang Xinru a abraçou, dando-lhe um beijo no rosto, e acenou para Lu Chen: — Pronto, cunhado, pode ir. Eu prometo que levo a Qingyun sã e salva para casa.
— Seja esperto e vá logo, não insista... — os outros começaram a zombar, olhando para Lu Chen, isolado e deslocado, com expressões de escárnio. Pareciam dizer: “Mesmo sendo cunhado da Ye Qingyun, perto de nós não é ninguém.”
— Irmão Lu... — Mo Xiaoxiao, aflita, puxou o braço de Ye Qingyun, mas ela nem sequer olhou para trás, deixando claro sua decisão.
Lu Chen permaneceu ali, encarando os rapazes e moças que zombavam, o olhar triunfante de Yang Zhen, a aflição de Mo Xiaoxiao, a silhueta de Ye Qingyun de costas... Por fim, sorriu e balançou a cabeça.
No fim das contas, não era pai nem mãe dela. Se não queria ir embora, não poderia forçá-la, não é?
Ao abrir a porta para sair, ouviu passos apressados no corredor e achou graça: “Quem fala do diabo, ele aparece...”
...
Alguns minutos antes, após o chute de Yang Zhen, o homem de meia-idade, amparado por Sun Ling, conseguiu se levantar do chão.
— Malditos! Se eu não quebrar as pernas desse moleque hoje, nem me chamo Chen! — praguejando, ele entrou no elevador e foi até a suíte no último andar do clube.
Na porta, uma fileira de seguranças corpulentos, de terno preto e óculos escuros, montava guarda. Ao ver o homem pálido, com um grande marca de pé no peito, o chefe dos seguranças se surpreendeu:
— Sr. Chen, o que aconteceu...?