Capítulo 53: À beira da morte
— Onde está Bing? — perguntou Montanha Verde, ao notar o semblante do velho Fang, franzindo profundamente as sobrancelhas enquanto olhava ao redor e percebia que Fang Bing não estava presente.
— O senhor desejou comer os doces do Pavilhão de Bambu, então mandou a senhorita comprar. O senhor Qi já foi atrás dela — respondeu apressadamente um dos empregados ao ouvir a pergunta.
Montanha Verde assentiu com a cabeça e, voltando-se para o velho Chen e os demais, indagou:
— Velho Chen, vocês realmente não têm solução?
— Senhor Yu, para ser franco, já tentamos todos os métodos possíveis, mas infelizmente nenhum surtiu efeito — suspirou o velho Chen, balançando a cabeça. Os quatro já haviam decidido que, no dia seguinte, tentariam convencer o velho Fang a se internar para uma cirurgia. Mas, inesperadamente, naquela noite o velho teve uma súbita crise, deixando-os completamente desprevenidos.
— A ambulância ainda não chegou. Que tal eu tentar acupuntura? — sugeriu então o velho Xue, ajustando os óculos e falando em tom grave.
Após trocarem olhares, todos concordaram. Diante da urgência, só restava tentar o impossível.
O velho Xue rapidamente pegou um estojo de agulhas de prata e, segurando-as com delicadeza, aplicou-as no peito do velho Fang. Contudo, mesmo após o procedimento, o estado do velho não apresentou melhora; seu rosto estava pálido como o de um morto, assustadoramente sem vida.
— Me desculpe, senhor Yu, fiz tudo o que podia — disse o velho Xue, enxugando o suor da testa e olhando com pesar para Montanha Verde, antes de balançar a cabeça, resignado.
— Obrigado pelo esforço, senhor Xue — suspirou Montanha Verde. Se até mestres da medicina tradicional como Xue e Chen não conseguiam tratar a estranha doença do velho Fang, talvez não houvesse ninguém em toda a China capaz de curá-lo.
Nesse instante, Fang Bing e Qi Jun entraram correndo na casa.
Ao ver o avô sofrendo, com o rosto lívido, Fang Bing desabou em lágrimas, que caíam do rosto ao chão. Lançando um olhar aos velhos Chen e Xue, falou apressadamente:
— Velho Chen, velho Xue, por que estão parados? Pensem em alguma solução!
O velho Chen, ao ouvir, não conseguiu esconder um toque de desagrado. Franziu as sobrancelhas e respondeu:
— Senhorita Fang, estamos realmente sem alternativas. Só nos resta esperar pela ambulância para levar o velho Fang ao hospital.
Fang Bing apertou os dentes, pensando que toda a reputação desses quatro velhos como mestres da medicina era pura fachada, pois, no momento crucial, nada podiam fazer.
Qi Jun, por sua vez, olhou para Montanha Verde, Chen e os demais, hesitou por um instante e sugeriu em voz baixa:
— Senhorita, talvez eu devesse buscar o senhor Lu o quanto antes. Da última vez que o velho teve uma crise, foi ele quem conseguiu salvá-lo.
— Que absurdo! Para começar, não sabemos se o velho Fang aguentará até você trazê-lo. E aquele rapaz, que nem médico é, como poderia tratar o velho Fang? — exclamou o velho Chen, irritado, com as sobrancelhas levantadas e olhar furioso.
Para ele, após décadas de experiência e fama como mestre da medicina tradicional, não conseguia solucionar o caso. Como um jovem de menos de trinta anos, sem conhecimento de técnicas avançadas, poderia salvar o velho Fang?
Montanha Verde manteve o semblante hesitante, com dúvidas estampadas no rosto. Para ser sincero, também não acreditava que alguém tão jovem quanto Lu Chen pudesse curar o velho Fang; afinal, nem mesmo os experientes mestres conseguiam, e um jovem desconhecido, que mérito teria para tal?
Ao ouvir o nome de Lu Chen, os olhos de Fang Bing brilharam, recordando as duas coisas que ele lhe entregara ao partir naquela tarde.
— Qi Jun, cuide bem do avô. Vou buscar os itens que Lu Chen me deu — disse ela, correndo velozmente ao seu quarto.
— O que será...? — os velhos Chen e os demais, ao vê-la sair apressada, trocaram olhares perplexos, sem entender o que passava pela cabeça da senhorita Fang.
Logo, Fang Bing retornou com o talismã e o pó medicinal que Lu Chen lhe entregara, visivelmente emocionada:
— Qi Jun, esses foram os itens que Lu Chen me deu ao partir, pedindo que eu usasse caso o avô tivesse uma crise. Veja, da última vez que ele salvou meu avô, foi esse remédio que usou?
O velho Chen rapidamente a impediu com a mão, demonstrando desaprovação:
— Senhorita Fang, o velho Fang está em estado crítico, não podemos arriscar dando algo desconhecido! Se causar uma reação adversa, as consequências serão imprevisíveis.
— E você tem alguma solução melhor? — retrucou Fang Bing, afastando a mão do velho e, de súbito, emanando uma aura de determinação.
— Bem... — diante da pergunta de Fang Bing, o velho Chen sorriu constrangido e resignado. Os outros três partilhavam da mesma impotência. Dada a situação do velho Fang, a menos que aparecesse algum elixir celestial, nada resolveria.
Fang Bing entregou o pó medicinal a Qi Jun para avaliação. Após a confirmação de Qi Jun, ela seguiu a recomendação de Lu Chen: colou o talismã amarelo na porta do quarto, e, com ajuda de Qi Jun, abriu a boca do avô e despejou todo o pó negro, dando-lhe água para engolir.
Feito isso, Fang Bing prendeu a respiração, aguardando o efeito do remédio.
Após cerca de dois ou três minutos, o rosto lívido do velho Fang começou a ganhar cor, o semblante dolorido se suavizou, e a respiração voltou ao ritmo normal.
— Avô... avô... — Fang Bing, ao ver a melhora, trocou a expressão de apreensão por uma de entusiasmo, chamando-o suavemente.
— Como é possível? — murmuraram os velhos Chen e os demais, com o rosto ruborizado e olhar incrédulo. Sentiam-se como se tivessem levado uma dúzia de bofetadas. Em suas mentes, recordavam o jovem visto à tarde, imaginando se ele não seria, afinal, um discípulo de algum mestre lendário.
— Ufa... que bom que o velho está bem! — exclamou Montanha Verde, aliviado. Ao lembrar que o remédio fora deixado por Lu Chen, a expressão em seu rosto ficou peculiar.
Quando todos relaxaram, Shiwen Yu, da porta, exclamou:
— Olhem, o talismã mudou de cor!
Todos se voltaram, e, de fato, o papel amarelo colado na porta agora estava metade preto, metade amarelo, de forma estranhamente sinistra.
— O que será...? — todos se entreolharam, sentindo um frio súbito percorrer a espinha até o topo da cabeça.