Capítulo 36: A Lição
— Grandalhão, meu pai é Yang Xibei, presidente do Grupo Feida. É melhor pesar bem o que está fazendo. Se a família Yang quiser acabar com você, é como esmagar uma formiga.
Yang Zhen segurava o antebraço fraturado, o rosto lívido e coberto de suor frio, mas os olhos estavam injetados de sangue, fitando A Long com fúria e ameaçando em voz alta.
Um tapa ressoou no ar e, num instante, a bochecha de Yang Zhen inchou. A Long soltou uma risada fria.
— Que me importa se é Yang Xibei ou algum outro Yang? Se ousar mexer com um convidado de honra do Senhor Tian no território dele, ainda sai barato se eu te matar.
— Senhor Tian? Quem é esse tal de Senhor Tian? — perguntou Lu Cheng, surpreso, por reflexo.
A Long soltou uma risada debochada, olhando para eles como se fossem tolos.
— Vocês se divertem na zona nova e não sabem quem é o Senhor Tian?
— Ren... Ren Shengtian? — Lu Cheng não pôde deixar de prender a respiração. Os jovens ao redor também mudaram de expressão. Quem vive em bares e casas noturnas como eles, já ouviu mil vezes o nome, mesmo que não conheça pessoalmente.
Aquele Senhor Tian era uma figura poderosa em Beihai, um homem com contatos em toda parte. Nem todos juntos seriam páreo para ele.
A Long, vendo o medo nos rostos dos presentes, gargalhou.
— O Senhor Tian quer vê-los agora. Se quiserem colaborar, venham comigo e não precisam apanhar. Se preferirem dificultar, vão acabar como esse moleque aqui.
Apontou para Yang Zhen, que, agora, só exibia nos olhos o terror, já sem o menor resquício de coragem ou arrogância. Restava-lhe apenas arrependimento, amaldiçoando-se por se meter naquilo.
— Então... por favor, nos conduza — disse Lu Cheng, resignado. Não tinham escolha, não em território alheio. Se não cooperassem, acabariam como Yang Zhen.
A Long foi à frente, seguido por Lu Cheng, Yang Zhen e os outros, enquanto os seguranças de terno fechavam a retaguarda.
— Cheng, o que fazemos agora? Avisamos a família? — perguntou Li Quan, tenso, em voz baixa.
— Calma. Meu pai tem bons contatos. Embora Ren Shengtian seja influente, ainda precisa respeitar meu pai. Quando estivermos diante dele, explicamos o mal-entendido — respondeu Lu Cheng, já mais calmo. O pai dele, Lu Tianxiao, era dono de várias redes de hotéis em Beihai e conhecia figuras importantes em todos os cantos, inclusive na zona nova.
— Exato. Esse tal de Senhor Tian não é dono do mundo. Se a coisa ficar feia, chamamos a polícia — desdenhou Yang Xinru, aninhada ao lado de Lu Cheng.
No meio do grupo, Lu Chen ouvia as conversas e balançava a cabeça. Jovens são mesmo ingênuos, pensou, sem noção dos perigos da vida.
Seguindo A Long, chegaram ao único camarote no topo do prédio. Assim que entraram, o luxo deslumbrante quase cegou os olhos dos presentes. E, ao verem o grupo de seguranças robustos, todos de terno preto, ficaram ainda mais intimidados.
— Senhor Tian, tudo não passou de um mal-entendido — disse Lu Cheng, tomando a dianteira com ar de líder, aproximando-se de Ren Shengtian, sentado no sofá.
— Mal-entendido? E você é quem? — Ren Shengtian, enquanto fumava e recebia uma massagem nos ombros de Sun Ling, olhou para ele com um sorriso divertido.
— Sou Lu Cheng, filho de Lu Tianxiao. Acredito que o senhor já tenha ouvido falar do meu pai. Peço que tenha consideração...
Antes que terminasse, Ren Shengtian o interrompeu com um riso de desdém.
— Lu Tianxiao? Conheço sim, o gordinho das redes de hotéis, viciado em jogo, não é? Mesmo se ele viesse pessoalmente, não ousaria pedir consideração. E você, quem pensa que é?
A expressão de todos mudou de imediato. Se nem o nome de Lu Tianxiao tinha peso ali, o que lhes restava?
— Senhor Chen, aqui estão os moleques. Pode bater ou xingar à vontade. Se morrer alguém, eu assumo — disse Ren Shengtian, voltando-se para o homem ao lado, sorrindo.
— Assim é que se fala, Senhor Ren! — Chen assentiu e, avançando, desferiu um tapa no rosto de Yang Zhen, praguejando: — Moleque, quis pagar de herói, e agora? Cadê a valentia?
Yang Zhen não ousou revidar, deixando-se bater e xingar. Logo, sangue começou a escorrer-lhe da cabeça.
Enquanto Lu Cheng e os outros tremiam de medo, Ye Qingyun tomou coragem, o olhar severo e as sobrancelhas arqueadas, e protestou:
— Tudo isso foi um mal-entendido. Os dois lados erraram. Já bateram e xingaram, não chega? Até quando vão continuar?
— Isso mesmo! Se continuarem, vamos chamar a polícia! — ameaçou Yang Xinru.
Lu Cheng cobriu o rosto com a mão, desesperado. Ye Qingyun e Yang Xinru, criadas no conforto, jamais haviam sofrido ou conhecido o perigo; não tinham ideia de quem era Ren Shengtian.
Para ele, a única saída era admitir o erro, deixar Chen extravasar batendo em Yang Zhen, pedir desculpas e encerrar ali. Mas, com as palavras das duas, tudo ficou mais complicado.
— Chamar a polícia? Que medo! — ironizou Ren Shengtian, arrancando gargalhadas de A Long e dos demais.
Logo, o rosto dele se fechou num meio sorriso e declarou:
— Já que vocês duas querem defender esse moleque, tudo bem. Os outros podem ir, mas vocês duas ficam aqui, bebendo conosco. Só irão embora quando eu e o Senhor Chen estivermos satisfeitos.
— Ah, e aquela ali também. A de cabelos longos, pretos e lisos, com ar puro. Essa me interessa — disse, apontando para Mo Xiaoxiao.
Desde que entraram no camarote, ele já havia notado as três jovens: uma com beleza serena, outra com corpo escultural, e uma de rosto encantador. Apesar de já ter conquistado muitas mulheres, raramente encontrava tais preciosidades — e duas delas ainda eram "intocadas". Como poderia desperdiçar tal oportunidade?