Capítulo 2: O Trapaceiro

O Genro Predestinado Capitão Jia salva a pátria de maneira indireta 2342 palavras 2026-03-04 20:10:38

O grupo de cinco pessoas seguia em fila, com Lúcio na retaguarda, caminhando lentamente e sem pressa. Lívia mantinha seu habitual silêncio, exibindo uma aura fria e distante, que afastava qualquer tentativa de aproximação.

Ao contrário, Marlene mostrava-se extremamente entusiasmada, fazendo amizade rapidamente com o homem de meia-idade corpulento. Quando ouviu-o mencionar que possuía uma fortuna de milhões, tornou-se ainda mais solícita, elogiando-o sem parar; se não fosse sua aparência limitada, talvez já tivesse se atirado nos braços dele.

Ao entrar numa grande loja de joias, Lúcio acelerou o passo, puxando discretamente a manga de Lívia e murmurou: “Aquele homem é um farsante. Não acredite em nada do que ele disser.”

“Farsante?”

Lívia franziu a testa ao ouvir isso, primeiro olhando o homem que conversava animadamente com Marlene, depois encarando Lúcio, como se buscasse uma explicação.

Lúcio sorriu de leve e disse em voz baixa: “Olhe para o rosto dele: sobrancelhas dispersas, o olho direito desviado, provavelmente é um sujeito mesquinho e traiçoeiro, age de forma inconsistente...”

“Basta, Lúcio!”

Antes que ele terminasse, Lívia já o interrompia com o rosto firme, os olhos cheios de irritação: “Lúcio, estamos no século XXI! Como pode acreditar nessas superstições? Se você acertasse sobre cada pessoa, então por que se casou com a minha família?”

Lúcio a encarou por um instante, depois balançou a cabeça, resignado, desistindo de insistir.

“Você deveria sair mais, deixar de se esconder em casa com essas ideias supersticiosas.” Lívia bufou, claramente descontente.

Enquanto conversavam, um senhor vestido como camponês chamou a jovem do homem corpulento, mostrando-lhe algo nas mãos. O homem e sua acompanhante rapidamente demonstraram surpresa e alegria.

“Está vendo? O golpe já começou.” Lúcio apontou discretamente na direção do homem.

Lívia também se virou e percebeu que Marlene e o homem pareciam discutir algo. Pouco depois, o grupo saiu rapidamente da loja por uma porta lateral.

Essa cena fez Lívia lembrar dos golpes noticiados na televisão. Preparava-se para alertar Marlene quando Lúcio a deteve.

“É difícil convencer quem não quer ouvir. A verdadeira compaixão não alcança quem se nega a ser salvo! Você conhece o jeito da Marlene melhor do que eu—se tentar alertá-la, ela vai te acusar de atrapalhar o negócio dela.” Lúcio sorriu com tranquilidade. Já conhecia bem pessoas como Marlene.

“Mas...” Lívia hesitou.

“Não tem ‘mas’. Em vez de tentar convencê-la, é melhor chamar a polícia.” Dito isso, Lúcio tirou seu velho celular e discou para o serviço de emergência.

Lívia ficou a observá-lo por um tempo, estranhando que, apesar de estarem casados há mais de um ano, parecia estar conhecendo Lúcio pela primeira vez.

Mal terminara a ligação, ela avistou Marlene na entrada da loja. Marlene exibia um sorriso radiante, como se tivesse acabado de ganhar na loteria, e segurava um pequeno estojo de madeira, de aparência requintada, apertando-o como se contivesse um tesouro.

Apesar de não simpatizar com Marlene, Lúcio e Lívia aproximaram-se e ele alertou: “Marlene, fique atenta, há muitos vigaristas por aqui.”

“Vigaristas?” Marlene respondeu com desprezo, lançando um olhar de desdém para Lúcio. “Lúcio, por acaso seus olhos são lâmpadas? Um milionário vira vigarista só porque você diz?”

Lívia também insistiu: “Marlene, é melhor tomar cuidado.”

“Lívia, não dê ouvidos ao que esse inútil diz. Ele vive trancado em casa, não sabe nada sobre relações e negócios!” Marlene ignorou completamente o alerta, segurando o estojo com tanta força que parecia temer ser roubada.

A cada insulto, Lúcio ficava mais irritado. Até um boneco de barro tem sua dignidade, quanto mais um homem de verdade. Respondeu com um sorriso frio: “Marlene, não precisa me insultar. Só quero saber: você está esperando aquele homem corpulento, não foi ele que pediu dinheiro emprestado?”

Marlene mostrou-se confusa, mas insistiu: “O senhor Wagner tem milhões, por que viria me enganar?”

“Marlene, pode contar exatamente o que aconteceu?” Lívia estava cada vez mais convencida de que Marlene fora enganada.

“Bem...” Marlene hesitou, depois explicou: “Na loja, encontramos um senhor. A namorada do senhor Wagner gostou de um bracelete de jade que ele tinha. Ele pediu seis mil em dinheiro, mas Wagner não tinha o valor, pediu-me emprestado quatro mil. Agora Wagner foi ao banco buscar o restante...”

“O senhor Wagner deixou o bracelete e as chaves do carro comigo antes de sair, como poderia ser um vigarista?” Marlene ria, orgulhosa: “Ele ainda prometeu que, ao voltar do banco, me devolveria cinco mil; os mil a mais seriam juros!”

Em menos de uma hora, ganhar mil reais do nada seria motivo de alegria para qualquer um.

Após ouvir tudo, Lúcio e Lívia trocaram olhares, compreendendo imediatamente a situação. Lúcio sugeriu: “Marlene, já que não acredita em mim, por que não mostra o bracelete de jade?”

“Quer ver o bracelete?” Marlene hesitou, mas após insistência de Lívia, entregou o estojo com relutância.

O estojo era elaborado, com entalhes na tampa e um forro de seda vermelha. Sobre ele repousava um bracelete de jade verde, ao lado de um chaveiro de carro de luxo.

Assim que Lúcio viu o bracelete, não conseguiu conter o riso.

O jade é considerado o rei das pedras preciosas, elegante e discreto, com uma beleza refinada e reservada, evocando a natureza reservada das pessoas do Oriente. Uma peça de jade legítima, nas mãos de um artesão, é polida com cuidado para revelar sua delicadeza e brilho sutil. Porém, o bracelete do estojo exibia uma cor artificialmente vibrante, bastante fora do comum.