Capítulo 39: Vila dos Pesadelos
— Técnica do Encantamento Sombrio?
Ren Shengtian, junto com Sun Ling e os demais, ao ouvirem as palavras de Lu Chen, ficaram todos com expressões de dúvida e incompreensão.
Lu Chen sorriu levemente e explicou:
— A técnica do Encantamento Sombrio, também conhecida como “Magia Malévola”, consiste geralmente em lançar uma maldição para subjugar uma pessoa, sendo uma prática de feitiçaria antiga e bastante difundida. Nos tempos antigos, tanto na corte quanto entre o povo, havia quem recorresse a esse tipo de bruxaria para prejudicar os outros.
— Se uma família era vítima da técnica do Encantamento Sombrio, na melhor das hipóteses, sua casa perderia a paz, sofrendo pequenos acidentes ou se envolvendo em problemas judiciais. Na pior, podia ser acometida por doenças graves, tragédias, morte prematura de crianças, ou até mesmo a destruição completa da família. Por isso, essa técnica é considerada uma das maldições mais cruéis.
Ren Shengtian, ao ouvir isso, não pôde evitar um arrepio e apressou-se em perguntar:
— Senhor Lu, o senhor tem algum método para quebrar essa maldição?
— Tenho sim, mas...
Lu Chen assentiu, mas logo em seguida deixou escapar um sorriso amargo:
— Infelizmente, Tian não consegue se lembrar do pesadelo que teve à noite, então não posso deduzir qual é o objeto usado para prendê-lo.
— Isso... O que faremos então?
O rosto de Ren Shengtian empalideceu. Se tudo fosse mesmo como Lu Chen dizia, ele não teria muito tempo de vida.
Lu Chen sorriu, consolando-o:
— Não precisa se preocupar, Tian. Vou preparar para você uma decocção de ervas para acalmar o espírito e tranquilizar a mente. Tomando-a por sete dias, poderá conter a doença por ora. Mas, nesses sete dias, é imprescindível que se abstenha de prazeres carnais e mantenha-se em repouso, cultivando o espírito. Após esse período, você conseguirá se lembrar do conteúdo do pesadelo. Assim, poderei ajudá-lo a encontrar o objeto e desfazer a técnica do Encantamento Sombrio.
— Muito obrigado, senhor Lu, muito obrigado!
O semblante de Ren Shengtian melhorou ao ouvir isso e, apressado, ordenou:
— A Long, traga papel e caneta para o senhor Lu.
A Long saiu correndo da sala privada e logo retornou com papel e caneta. Lu Chen, conforme prometera, redigiu ali mesmo uma receita de ervas para acalmar o espírito.
— Mais uma vez, um brinde ao senhor Lu. Se o senhor conseguir curar esta doença estranha, serei eternamente grato.
Ren Shengtian guardou cuidadosamente a receita, ergueu o copo de vinho ao lado e, sorrindo, fez um brinde.
— Tian, não há necessidade de formalidades.
Lu Chen também aceitou o gesto, tomou o conteúdo do copo e continuou:
— Já passa da meia-noite. Preciso voltar para casa, não vou mais incomodá-lo.
Ren Shengtian assentiu, não insistiu para que Lu Chen ficasse. Apenas pediu que ele deixasse um número de telefone e ordenou a A Long que o acompanhasse até a saída.
Assim que Lu Chen e A Long saíram, Ren Shengtian perdeu o sorriso e chamou, em voz baixa, um capanga de aparência comum, ordenando friamente:
— Siga Lu Chen e descubra onde ele mora.
O capanga assentiu rapidamente e saiu apressado.
— Senhor Lu, até logo!
Do lado de fora, A Long acompanhou Lu Chen até o portão do clube e, forçando uma expressão amigável em seu rosto severo, despediu-se.
— Até daqui a sete dias.
Lu Chen sorriu e retribuiu a despedida. Quando acabara de passar pelo portão, ainda pensando em como voltaria para casa, ouviu alguém chamar seu nome à distância.
— Senhor Lu... senhor Lu...
Seguindo a direção da voz, viu um homem corpulento acenando. Ao se aproximar, reconheceu o guarda-costas Qi Jun, que sempre acompanhava o avô de Fang Yingling.
— Senhor Lu, nossa jovem senhora pediu que eu o aguardasse aqui para levá-lo em segurança até em casa...
Qi Jun se aproximou sorrindo e explicou brevemente o pedido de Fang Yingling.
Lu Chen mal pôde conter o riso ao entender que, com receio de que ele fosse hostilizado novamente por Lu Cheng e outros, Fang Yingling pedira que Qi Jun o levasse de carro.
— Muito obrigado, senhor Qi.
Ele aceitou a gentileza, pois àquela hora, no novo bairro da cidade, seria difícil conseguir um táxi. Não havia como incomodar sua esposa Ye Qingling ou o sogro.
— Não precisa de formalidades, pode me chamar só de Jun. Aguarde aqui um instante, vou buscar o carro.
Qi Jun foi buscar o carro e, para surpresa de Lu Chen, retornou com um Rolls-Royce Phantom. Ele ficou surpreso; não era todo dia que andava em um carro de luxo daqueles! Lembrava-se da última vez em que andara num carro assim, há dez anos, acompanhado do mestre.
A Long, parado na porta do clube, observava Lu Chen entrando no carro, memorizando cuidadosamente a placa. Quando se virou para voltar, o capanga de aparência comum acabara de sair.
— Onde pensa que vai?
A Long segurou o capanga e perguntou. O outro então contou, em detalhes, a ordem de Ren Shengtian.
— Volte comigo. Esse senhor Lu não é alguém com quem possamos mexer.
A Long respirou fundo e, levando o confuso capanga, retornou ao salão do andar superior.
— Por que voltou? E a tarefa que lhe dei?
Ren Shengtian estava sentado no novo sofá, fumando. Ao ver o capanga retornar, franziu o cenho e perguntou.
A Long foi direto ao ponto:
— Tian, parece que o senhor Lu é ainda mais influente do que imaginávamos.
— Como assim? O que você viu?
Ren Shengtian mostrou interesse imediato, apagando o cigarro entre os dedos.
A Long explicou:
— Assim que acompanhei o senhor Lu até a porta, vi que ele entrou num Rolls-Royce Phantom. Se não me engano, aquela placa pertence ao carro do velho Fang.
Para quem, como eles, lidava com negócios escusos, o maior receio era provocar alguém realmente poderoso. Para evitar problemas, Ren Shengtian mantinha uma lista das placas dos carros das grandes famílias, instruindo seus homens a memorizá-las.
— O velho Fang? Quer dizer que esse tal de Lu é convidado dele?
Ao perceber do que se tratava, Ren Shengtian começou a suar frio, o rosto empalideceu e uma expressão de extrema gravidade tomou conta de seu semblante.
O diretor Chen, Sun Ling e os demais presentes ficaram boquiabertos ao ver aquilo. Quem poderia imaginar que um chefão do submundo, tão temido em toda a cidade de Beihai, ficaria apavorado a ponto de suar frio?
Nem mesmo os filhos do prefeito ou do governador o assustariam dessa forma. Quem seria, então, esse tal de velho Fang, capaz de provocar tamanho temor em Ren Shengtian?
Sun Ling pareceu recordar algo e estremeceu.
Entre os presentes, ela e A Long estavam há mais tempo com Tian, conhecendo melhor o seu histórico. O motivo do sucesso de Tian em Beihai, mesmo após “pendurar as chuteiras”, era o apoio da poderosa família Fang.
Se era assim, o “velho Fang” citado por Tian só podia ser Fang Zhen, o patriarca da família. E apenas alguém como o velho Fang seria capaz de despertar tanto medo em Ren Shengtian.