Capítulo 63 - Conflito
— Se tem coragem, venha! Se eu tiver medo de você, escrevo meu nome ao contrário! — gritou Lian Wenjun, completamente tomado pelo álcool, sem recuar um passo, enfrentando o outro com igual ferocidade.
— Senhor Li, o senhor está bem? — Nesse momento, enquanto os dois trocavam ameaças e se encaravam, o gerente de meia-idade do bar apareceu apressado, acompanhado dos seguranças. Tinha visto com seus próprios olhos Li Zhenwei sendo atingido e temia que o incidente se agravasse e chamasse a atenção do herdeiro da família Sun. Por isso, trouxe sete ou oito seguranças corpulentos, pronto para defender Li Zhenwei.
— Gerente Ma, seu bar está cheio de valentões, hein? Mal chego e já sou agredido! Olhe para meu rosto, veja o que vai fazer a respeito! — Li Zhenwei, ao ver o gerente Ma chegando com reforços, recuperou o ânimo, exibindo uma expressão furiosa.
— Senhor Li, fique tranquilo, vou lhe dar uma resposta satisfatória. — O gerente Ma olhou para a testa de Li Zhenwei e ficou impressionado com o tamanho do inchaço, quase do tamanho de um punho. Ele conhecia bem o temperamento dos filhos da família Sun e sabia que nunca engoliam desaforo. Agora, vendo Li Zhenwei nesse estado, era impossível que ele deixasse passar.
— Senhor, independentemente do motivo da briga, quem agride primeiro está errado. — disse o gerente Ma, voltando-se para os ocupantes da mesa.
Ele já conhecia as três moças que acompanhavam Ye Qingling, pois eram alvos previamente escolhidos por Li Zhenwei. Quanto a Cao Zheng e Lian Wenjun, sentados com elas, pareciam desconhecidos, provavelmente não eram clientes habituais do bar.
— Esse bastardo ousou insultar meu amigo, e ainda saiu barato! — retrucou Lian Wenjun, com o olhar turvo de embriaguez, soltando uma risada fria.
— Senhor, se mantiver essa atitude, temo que esta noite não acabará bem para vocês — respondeu o gerente Ma, franzindo a testa, embora hesitasse em ordenar que os seguranças agissem sem saber quem eram os outros.
— Pare de conversar e mande logo tirar esse sujeito daqui! Hoje ele vai pagar caro pelo que fez! — esbravejou Li Zhenwei, pressionando a testa com uma mão e apontando para Lian Wenjun com a outra.
— Basta! —
Nesse instante, Cao Zheng, que até então bebia calado, levantou-se de repente. Olhando para Li Zhenwei e o gerente Ma, disse friamente:
— Estamos todos aqui para nos divertir. Por que transformar isso num confronto tão hostil? É verdade que meu amigo errou ao agredir, mas o senhor Li também se aproximou das moças com intenções nada nobres. Se continuarmos com essa confusão, ninguém sairá daqui com a reputação intacta e todos virarão motivo de chacota. Proponho que eu pague as despesas médicas do senhor Li, compre estas duas garrafas de bebida e as devolva como pedido de desculpas. O que acham?
Apesar do olhar ligeiramente embriagado, Cao Zheng falava com clareza e propunha uma solução conciliadora. O gerente Ma assentiu discretamente, observando Cao Zheng com mais atenção. Quem seria aquele jovem tão calmo e bem-educado?
— Bem... — Li Zhenwei hesitou, pensativo. Por natureza, resolveria tudo à força, mas as palavras de Cao Zheng e sua postura confiante o fizeram duvidar da real identidade do outro.
Por mais que estivesse sempre ao lado do herdeiro da família Sun, sabia que, se comprasse briga com alguém realmente poderoso, seria descartado sem hesitação.
Enquanto ponderava, um dos rapazes ricos que o acompanhava interveio:
— Cao Zheng, você sabe quem seu amigo agrediu esta noite? Acha que algumas palavras vão livrar o senhor Li de sair daqui humilhado? Está sonhando!
Li Zhenwei, surpreso com a fala do outro, virou-se e perguntou em voz baixa:
— Você sabe quem ele é?
— Claro que sei. Nossas famílias já fizeram negócios juntas. Já o vi algumas vezes. — respondeu o rapaz, revelando as origens de Cao Zheng com poucas palavras.
Li Zhenwei apertou os olhos, uma expressão sombria passando por seu rosto enquanto pensava: “Ainda bem que alguém aqui o conhece, senão eu teria sido enganado por esse sujeito.”
Com isso em mente, lançou um olhar sarcástico a Cao Zheng e disse friamente:
— Quer conciliação? Tudo bem. Basta esse desgraçado colocar a cabeça para eu me divertir um pouco também.
Cao Zheng franziu a testa, respondendo em tom grave:
— Senhor Li, já demonstramos toda nossa boa vontade. Por que insiste em pressionar tanto?
— Boa vontade? Que boa vontade? Não estou vendo nada disso! — respondeu Li Zhenwei com desdém. — Quem deve, paga. Quem mata, paga com a vida. Achar que pode agredir alguém e sair ileso? Está sonhando!
— Dou-lhe duas opções: ou essas três moças vêm comigo e agradam meu chefe, e esqueço a agressão, ou eu arrebento esse desgraçado para ele aprender o preço de me desafiar.
— Senhor Cao, a identidade e o poder do senhor Li não são tão simples quanto imagina. Aconselho que escolha logo, antes que algo inesperado aconteça — declarou o gerente Ma, que, ao perceber que Cao Zheng era apenas um herdeiro abastado comum, decidiu apoiar Li Zhenwei para aplacar sua ira.
Os sete ou oito seguranças, seguindo o sinal do gerente, cercaram Cao Zheng e seus amigos. Diante disso, o semblante de todos ficou sombrio; ninguém esperava que a situação chegasse a esse ponto. Lian Wenjun, em especial, estava com os olhos injetados, encarando Li Zhenwei como se fosse partir para cima dele a qualquer momento.
— O que estão fazendo? Isso é sequestro! — gritou Ye Qingling, furiosa.
— Vai chamar a polícia? Que medo! — zombou Li Zhenwei, cruzando os braços e fingindo pavor, provocando risos nos presentes.
— Quero ver se vão continuar assim quando a polícia chegar — retrucou Yuan Meng, rangendo os dentes de raiva enquanto pegava o celular para ligar para as autoridades. Mas, naquele instante, Li Zhenwei deu-lhe um tapa violento, fazendo o aparelho voar e se despedaçar no chão.
— Sua vadia, não se faça de difícil! Ou vocês três vêm comigo agora, ou depois que eu acabar com esses dois, vão comigo do mesmo jeito — disse Li Zhenwei, segurando o queixo de Yuan Meng com um olhar cruel.
— Maldito! Eu vou acabar com você! — urrou Lian Wenjun, tomado de fúria, pulando por cima da mesa para atacar Li Zhenwei.