Capítulo 26: Chen Haoxuan
— Três mil reais?
Ao ouvir esse preço, He Jianwen franziu levemente a testa. Sentia que aquela escultura esverdeada em suas mãos era estranha: o material parecia jade, mas não era; assemelhava-se a pedra, mas também não. À primeira vista, parecia um objeto de plástico.
No entanto, ele sabia que o genro tinha um olhar aguçado. Durante o passeio, Lu Chen não havia se manifestado; mesmo diante daquele camelo de esmalte branco, limitara-se a um breve comentário.
— Será que esse ornamento é realmente um tesouro?
Quanto mais pensava, mais sua expressão se tornava curiosa.
— Pai, três mil reais por isso não é caro. Que tal comprarmos? — Lu Chen se aproximou e sugeriu baixinho.
— Certo, confio no seu julgamento. Se acha que devemos comprar, vamos comprar — assentiu He Jianwen. Afinal, eram só três mil reais, nada demais.
— Xiao Liu, o que está esperando? Pegue logo uma caixinha de papelão e embale o produto para estes dois clientes! — Após receber o dinheiro, o senhor Ma, sorridente, orientou Xiao Liu a embalar o item.
Diferente do requintado estojo de madeira que fora dado à família Song ao comprarem o camelo de esmalte branco, para He Jianwen e seu genro restou apenas uma caixa de papelão velha e amassada. Ainda assim, era melhor do que nada.
Song Chengze, ao ver que quem pagava era He Jianwen, não conteve um sorriso sarcástico e zombou:
— Ainda precisa do dinheiro do sogro pra comprar suas coisas? Quanto você é pobre, afinal?
Lu Chen apenas sorriu, ignorando o comentário. Pegou a caixa e se despediu junto ao sogro.
Observando-os partir, Song Chengze ficou furioso, cerrando os dentes em raiva. Para ele, o silêncio de Lu Chen era um ato de desprezo: um pobretão incapaz de desembolsar três mil reais ousava ignorá-lo? Como não se irritar? Mas agora que estava de volta a Beihai, teria tempo de sobra para lidar com aquele desafortunado.
A caminho do estacionamento, Lu Chen percebeu o semblante cabisbaixo do sogro e comentou:
— Pai, ainda está pensando naquele camelo de esmalte branco, não é?
— Sim, não é todo dia que se encontra uma peça tão boa — respondeu He Jianwen, suspirando. De fato, gostara muito do camelo, mas faltaram recursos. Oportunidade perdida!
Lu Chen sorriu de leve:
— Pai, francamente, aquele “Tang Sancai” nem valia a pena...
— Hein? O que quer dizer? — He Jianwen não escondeu o espanto.
— Na verdade, aquele camelo de esmalte branco é...
Antes que Lu Chen pudesse terminar, uma voz ressoou às suas costas, chamando-os.
— Senhores, esperem um pouco...
Eles se viraram e avistaram um homem baixo e corpulento, vestido com uma túnica cinza, correndo em sua direção — parecia quase uma abóbora ambulante.
— Senhores... com licença... esperem... — ofegava o homem, suando em bicas, até finalmente alcançá-los.
— Pois não, senhor, em que podemos ajudá-lo? — perguntou He Jianwen, sorrindo ao notar o suor escorrendo da careca reluzente do homem, cujos arfados pareciam fole de ferreiro.
Recobrando o fôlego, ele se apresentou:
— Cof, cof... Chamo-me Chen Haoxuan, sou proprietário da Loja de Antiguidades Taihe Xuan. Ouvi dizer que alguém comprou uma escultura de montanha celestial na banca de Ma Dongyuan. Foram vocês?
— Fomos nós, sim. Qual o motivo? — respondeu He Jianwen.
Chen Haoxuan abriu um sorriso desajeitado:
— Gostaria de convidá-los até a Taihe Xuan, para um chá e para apreciarmos juntos a peça.
— Ótimo, estamos cansados, será bom descansar um pouco — aceitou Lu Chen, curioso para saber o que aquele “abóbora” pretendia.
Assim, seguiram Chen Haoxuan até a loja na esquina. Ao entrarem, Lu Chen logo reconheceu conhecidos: eram ninguém menos que Song Lin e o filho, vistos há poucos minutos.
— Nosso patrão chegou. Se querem avaliar alguma peça, falem direto com ele. Garanto: nesta rua, ninguém tem olhar mais apurado que nosso chefe. Verdade ou falsidade, ele descobre num piscar de olhos! — gabou-se o atendente ao ver o dono retornar.
— Senhor Song, nos encontramos novamente — cumprimentou He Jianwen, embora sem o entusiasmo de antes.
— Todos se conhecem? Então subam, por favor — convidou Chen Haoxuan, sorridente, ao saber pelo atendente o motivo da visita dos Song.
No andar de cima, dois homens, um idoso e um jovem, degustavam chá tranquilamente. Ao verem o grupo, o jovem se adiantou:
— Tio Chen, achou o comprador da peça?
— Sim, este senhor e o senhor He. Os outros vieram para uma avaliação — explicou Chen Haoxuan.
— Excelente, vamos apreciar juntos — convidou o jovem, apresentando-se como Sun Mingyang. O idoso ao lado era seu avô, Sun Shengguang — ambos também proprietários de uma loja de antiguidades, bem em frente à Taihe Xuan.
Habituado ao meio, Song Lin reconheceu o nome de Sun Shengguang e logo pediu ao filho que abrisse o estojo de madeira, retirando cuidadosamente o camelo de esmalte branco.
— Para ser sincero, mestres Sun e Chen, comprei este camelo de esmalte branco como “Tang Sancai” por trinta mil reais e gostaria que o avaliassem — disse Song Lin, sorrindo.
Com o objeto na mesa, Sun Shengguang se levantou para examinar a peça junto com Chen Haoxuan. Quanto mais observava, mais a testa de Sun Shengguang se franzia. Chen Haoxuan apenas balançou a cabeça:
— Senhor Song, permita-me perguntar: este camelo de esmalte branco foi adquirido com Ma Dongyuan?
— Sim, foi. Há algum problema? — indagou Song Lin.
Chen Haoxuan explicou gravemente:
— O Tang Sancai é uma joia da cerâmica antiga chinesa. Originalmente chamado “cerâmica vidrada tricor Tang”, era uma faiança de baixa temperatura, popular na dinastia Tang, com esmaltados amarelo, verde, branco, marrom, azul e preto, mas principalmente amarelo, verde e branco — daí o nome “Tang Sancai”.
— Era usado como objeto funerário e atingiu seu auge no período Kaiyuan, com formas e cores variadas. Após o reinado Tianbao, tornou-se mais raro. O Tang Sancai, tanto na forma quanto na cor, possui um requinte artístico excepcional. Contudo, senhor Song, embora seu camelo se assemelhe a um Tang Sancai legítimo, é apenas uma imitação.
— Falso? — Ao ouvirem isso, pai e filho Song ficaram atônitos. Trinta mil reais jogados fora em menos de vinte minutos?
He Jianwen, surpreso num primeiro momento, logo suspirou aliviado. Pensou consigo: por sorte não tinha tanto dinheiro e estava acompanhado do genro Lu Chen. Do contrário, teria sido ele a cair no golpe.