Capítulo 11 A Antiga Mansão
Jiang Fengxiao tinha pouco mais de quarenta anos, corpo esguio e um ar levemente erudito, parecendo até um professor de Língua Portuguesa do ensino médio. No entanto, o que incomodava muitos era sua postura excessivamente altiva; mesmo diante do venerando senhor Ye, homem mais velho que seu próprio mestre, ele demonstrava pouca reverência e até certo desdém, deixando a todos com a impressão de alguém orgulhoso e arrogante.
Mas havia motivos para tal arrogância. Afinal, seu mestre, Sun Mingquan, era um dos maiores e mais renomados mestres de feng shui e misticismo nas províncias do sudeste. Conhecido como o Eremita da Fonte Espiritual, Sun também se autodenominava “Especialista em Formas”. Os chamados Especialistas em Formas eram, antigamente, pessoas que analisavam a geografia para determinar a sorte ou o azar de um local, escolhendo terrenos para casas e túmulos. Também eram conhecidos como mestres de geomancia.
A maioria dos chineses acredita profundamente no feng shui, especialmente os ricos—quanto mais fortuna, maior a crença. Sun Mingquan, com seus conhecimentos, era disputado entre os círculos de magnatas, cobrando de centenas de milhares a milhões por uma única consulta. Chegava a ser requisitado por milionários chineses do exterior, que viajavam milhares de quilômetros para contratá-lo na escolha de terrenos residenciais ou sepulturas, buscando beneficiar suas gerações futuras.
— Quem diria que Jianhui Ye conseguiria tanto, a ponto de trazer até o discípulo do Mestre Sun? — sussurravam alguns.
— Ouvi dizer que no mês passado, o senhor Yu, depois de arrematar um terreno de dezenas de bilhões, fez questão de convidar o Mestre Sun para analisar o feng shui — acrescentou outro.
— O senhor Yu? Seria Qingshan Yu? Não imaginei que até mesmo o homem mais rico da província de Zhongnan acreditasse nessas coisas! — exclamou um terceiro.
— E como não acreditar? Quanto mais ricos, mais estudam o feng shui e o misticismo. Se não fosse por isso, como Sun Mingquan teria conquistado tanta fama? — concluíram.
O clima de murmúrios tomava conta do salão.
Jianwu Ye, ao ouvir os comentários, ficou visivelmente contrariado; jamais esperava que Jianhui Ye preparasse tamanha “surpresa”. Lançou-lhe um olhar profundo, percebendo, no entanto, um leve sorriso de desdém nos lábios de Jianhui—um gesto sutil, mas carregado de escárnio.
“Maldito!”, pensou Jianwu, mal contendo a raiva. O sorriso sumiu rápido, mas ele estava furioso, a ponto de socar a própria coxa.
Havia planejado tudo com cuidado, investindo dois milhões na compra do pêssego de jade vermelho para oferecer como presente de aniversário, querendo mostrar seu poder e provar que seria o sucessor da família Ye. Mas acabou surpreendido por um golpe de Lu Chen e, em seguida, foi humilhado por Jianhui e sua mãe.
Agora, via que aquele dinheiro foi jogado fora.
Apesar da frieza de Jiang Fengxiao, o velho Ye não se abalou, aproveitando para perguntar-lhe sobre Sun Mingquan. Era visível que o ancião queria aproveitar a oportunidade para se aproximar do renomado mestre; se conseguisse, a família Ye certamente ampliaria sua rede de contatos.
Mas Jiang Fengxiao respondeu com indiferença. Conhecia bem as intenções do velho e, embora gostasse de expandir a rede de seu mestre, não via interesse algum em uma família pequena e sem prestígio como a deles. Se não fosse por um favor a um amigo, não teria aparecido naquela celebração.
Vendo o clima se tornar cada vez mais constrangedor, Zisheng Ye apressou-se a dizer:
— Vovô, a viga principal do salão ainda não foi colocada na velha mansão. Estão esperando o senhor para comandar a cerimônia.
— Muito bem, após o banquete vamos até a antiga casa — respondeu o velho, aproveitando a deixa, embora sem esconder certo constrangimento.
Lu Chen, sentado ao lado, divertia-se em silêncio. Não importava o quão hábil fosse Jiang Fengxiao; só sua postura já era digna de um mestre.
Assim que o banquete terminou, o velho Ye mal podia esperar para retornar à mansão. A maioria dos parentes o acompanhou. Após alguma discussão, a família de Jianwen Ye também decidiu ir, afinal, viveram ali muitos anos. Lu Chen, por sua vez, queria ver de perto as habilidades do discípulo tão altivo.
Chegando à antiga mansão, Jianwen Ye não escondeu a surpresa:
— A irmã caçula realmente é impressionante. Na época, vários cômodos foram danificados pelo tremor, mas agora tudo está restaurado, igualzinho ao que era antes. Deve ter dado muito trabalho!
Liu Ya, ouvindo isso, assentiu discretamente. Embora não tivesse grande proximidade com os irmãos Ye, não podia negar que Jianhui era muito capaz, superando em muito Jianwu, que só sabia ostentar.
Ao descer do carro, Lu Chen observou a mansão restaurada e franziu levemente a testa. Ao analisar os arredores, sua expressão ficou ainda mais séria.
— Lu Chen, o que foi? — perguntou Qianling Ye, percebendo sua mudança de semblante.
— Não é nada — respondeu ele, sorrindo de leve, e murmurou: — Médicos incompetentes prejudicam vidas, mas um mestre de feng shui medíocre pode ser ainda pior! Quem diria que o famoso Sun Mingquan teria um discípulo tão despreparado...
— Ora, Lu Chen, se tem algo a dizer, fale de uma vez em voz alta! — provocou Qingyun Ye, franzindo as sobrancelhas em tom de escárnio.
Ignorando-a, Lu Chen pediu que sua esposa, Qianling Ye, o acompanhasse em uma volta pela mansão. Após examinar o local, suspirou baixinho:
— Realmente, caíram numa armadilha de vento maligno. Jiang Fengxiao é mesmo incompetente, não percebeu nem esse problema básico.
— Vento maligno? O que é isso? — perguntou Qianling Ye, agora menos hostil e curiosa com as palavras do marido.
Vendo a rara iniciativa da esposa, Lu Chen explicou:
— No feng shui, todo vento inoportuno e inadequado é chamado de ‘vento maligno’. A arte do feng shui preconiza ‘reter o vento e acolher o qi’. Se a casa é atingida por ventos frios, impetuosos ou tortuosos, isso se transforma em energia negativa. Em geral, qualquer vento prejudicial é chamado assim...
Qianling Ye ouvia cada vez mais desconfiada, achando tudo aquilo um absurdo. Mas como se tratava da casa ancestral da família, conteve o impulso de retrucar e continuou ouvindo.
Lu Chen percebeu a descrença em seu olhar e suspirou internamente; convencer alguém como Qianling Ye, tão racional, a acreditar em feng shui era quase impossível.
Por isso, resumiu:
— O maior dano do vento maligno para quem mora aqui é dificultar a prosperidade financeira e afetar a saúde dos habitantes. Por exemplo, vento côncavo pode causar esgotamento nervoso e instabilidade emocional; já o vento retornante não favorece os homens da casa...
— E que tipo de vento... maligno é esse que aflige a mansão? — perguntou Qianling Ye, esforçando-se para compreender.