Capítulo 24: Três Cores de Tang

O Genro Predestinado Capitão Jia salva a pátria de maneira indireta 2416 palavras 2026-03-04 20:10:49

Como poderia Lu Chen imaginar que o homem à sua frente, Song Chengze, havia sido um apaixonado perseguidor de Ye Qingling? No entanto, por mais intensa que fosse sua dedicação, o sentimento não era correspondido; Ye Qingling jamais demonstrou qualquer interesse por ele.

Um ano e meio atrás, para declarar seu amor, Song Chengze organizou com amigos uma frota de carros de luxo, bloqueando a entrada da empresa de Ye Qingling. Diante de uma multidão atenta, ele a pediu em casamento. Mas, surpreendentemente, Ye Qingling sequer o olhou, passando por ele sem parar, sem sequer virar a cabeça antes de voltar para casa.

Esse fracasso retumbante não só deixou Song Chengze desolado, como também o transformou em motivo de chacota entre seus conhecidos. Arrasado, decidiu deixar o país, buscando um pouco de paz e solidão. Porém, como seu sentimento por Ye Qingling era genuíno, a distância apenas aumentou sua saudade. Após um ano e meio, incapaz de esquecer o passado, retornou à Beihai decidido a reunir coragem para declarar-se e pedi-la novamente em casamento.

Hoje era seu primeiro dia de volta à cidade; sem muito o que fazer, acompanhava o pai em um passeio. Enquanto tramava como reencontrar Ye Qingling, o destino lhe pregou uma peça: encontrou justamente o pai dela.

Para ele, esse encontro fortuito foi motivo de júbilo. Já começava a planejar como aproveitar a oportunidade para seguir Ye Jianwen até sua casa e finalmente rever a mulher que povoava seus sonhos. Em sua mente, já revisitava cada gesto e sorriso da deusa que tanto idealizava.

Jamais poderia imaginar, porém, que esse primeiro reencontro após tanto tempo lhe reservaria tamanho “presente”! Seu amor platônico estava casada?

Por um instante, Song Chengze sentiu-se incapaz de aceitar a notícia, o coração dilacerado pela dor. Quando finalmente conseguiu se recompor, lançou um olhar cheio de tristeza e indignação para Lu Chen.

O homem que desposara sua musa dos sonhos, se comparado a ele, tinha uma beleza apenas razoável, uma presença comum e trajes tão banais quanto qualquer passante. Aos olhos de Song Chengze, não passava de um figurante anônimo que se vê em qualquer esquina, inferior em todos os aspectos. Por que, então, justamente ele teve a sorte de conquistar a mulher amada?

Com pensamentos assim, o olhar que lançou a Lu Chen transbordava inveja, ciúmes e ressentimento.

Enquanto a dupla Song o observava, Lu Chen, discretamente, retribuiu o olhar, avaliando ambos.

O semblante de Song Lin era, à primeira vista, a própria imagem da astúcia: nariz adunco, sobrancelhas salientes, olhos fundos, expressão traiçoeira e fria. Já Song Chengze, ainda que mais apresentável, exibia um orgulho arrogante e era claramente alguém disposto a tudo para atingir seus fins.

— Jianwen, você também veio ver antiguidades? — perguntou Song Lin, lançando um olhar ao jovem Liu que acompanhava Ye Jianwen, sorrindo.

— Sim, sim. Esse rapaz me disse que havia coisas boas em sua barraca, então resolvi vir conferir, ampliar meus horizontes — respondeu Ye Jianwen, assentindo.

— Que coincidência! Eu também. Andando pela rua, encontrei esse gordinho, que igualmente me garantiu que tinha algo interessante. Vim conferir — disse Song Lin, indicando o jovem ao seu lado, rindo alto.

— Parece que o destino nos une, meu velho amigo. Vamos ver juntos, então — propôs Ye Jianwen, voltando-se para o vendedor. — Senhor Ma, o que há de interessante aí? Mostre-nos, por favor.

— Pois não, já que os senhores demonstram tanto interesse, vou lhes mostrar o que tenho de especial. Por favor, deem seu parecer — respondeu o senhor Ma, que já trocara olhares cúmplices com Liu e o gordinho, mostrando-se muito solícito.

O jovem Liu vinha observando Lu Chen e Ye Jianwen há um bom tempo: em cada barraca, eles olhavam atentamente e avaliavam os objetos, sem, no entanto, comprar nada. Gente assim, em geral, entende um pouco do assunto, mas só um pouco — são aqueles que sabem o suficiente para parecerem entendidos, mas não passam disso. Compradores desse tipo são os mais fáceis de enganar, razão pela qual Liu foi tão prestativo.

O gordinho que trouxera Song Lin e seu filho pensava da mesma forma.

Convencido por Liu e o gordinho, o senhor Ma resolveu abandonar qualquer encenação. Afinal, com dois alvos fáceis à sua frente, era só escolher qual enganar.

Ma abriu cuidadosamente um baú de madeira avermelhada, retirando dele um objeto envolto em tecido vermelho. Primeiro, colocou o objeto com todo cuidado sobre o baú, então retirou lentamente o pano.

Ye Jianwen e Song Lin se aproximaram. Quando o tecido foi removido, viram diante de si um camelo de porcelana branca, com cerca de trinta centímetros de altura.

— Para ser franco, senhores, este camelo de três cores da dinastia Tang é uma peça de primeira. Observem o porte, as características da época, a pátina natural... Sem dúvida, uma legítima peça de época — gabou-se Ma, com uma lábia digna dos melhores antiquários, deixando os dois senhores impressionados.

— Xiao Chen, o que significa peça de primeira e legítima peça de época? — Ye Jianwen se inclinou um pouco para trás, perguntando baixinho a Lu Chen.

Lu Chen, que aprendera bastante sobre antiguidades com o mestre, conhecia bem o jargão da área e explicou em voz baixa:

— “Peça de primeira” refere-se a um objeto adquirido de mercados rurais ou de outros colecionadores, enquanto “legítima peça de época” significa que é autêntica e antiga, de uma época específica.

— Claro, são só expressões do ramo, não precisa levar tão a sério — acrescentou Lu Chen, propositalmente.

Ye Jianwen assentiu, cada vez mais encantado. Ao lado, Song Lin estava igualmente fascinado, quase enfiando o olhar no camelo de porcelana.

Song Chengze, percebendo o interesse do pai, sorriu:

— Pai, se gostou tanto, deixe que eu compre para o senhor.

Ao dizer isso, lançou um olhar provocador a Lu Chen.

Para ele, Lu Chen vestia-se como qualquer um de feira, certamente não era alguém com dinheiro. Ostentar era seu ponto forte, e pretendia aproveitar a chance para humilhar o rival.

Mais do que isso, queria provar a Ye Jianwen que apenas alguém jovem, rico e bonito como ele podia ser o par perfeito para Ye Qingling. Quanto ao tal Lu Chen, um pobre diabo qualquer, não era digno dela.

— Ótimo! — exclamou Song Lin, satisfeito, exibindo um sorriso ainda mais largo. Ter um filho capaz e dedicado era motivo de orgulho.

— Xiao Chen, devemos perguntar o preço também? — perguntou Ye Jianwen, hesitante.

— Claro, pai. Mas se custar mais de três mil, já não vale a pena — respondeu Lu Chen, sorrindo.

— Três mil? Está brincando? Uma peça autêntica da dinastia Tang vale só três mil? — indignou-se o senhor Ma, apontando para o camelo. — Pode perguntar por aí: uma verdadeira peça Tang dessas facilmente sai por dezenas de milhares. Se só tem três mil, só pode comprar um caco!