Capítulo 25: Três Dedos
— Então você se chama Lu Chen, não é? Hoje em dia não é como antigamente. Você quer comprar uma peça autêntica, de época, pelo preço de uma pechincha? Isso é impossível! Como diz o velho ditado, o preço do produto corresponde à sua qualidade. Coisa boa vale o que custa. Se não tem dinheiro, por que veio ver antiguidades? Por acaso acha que qualquer um pode dar sorte e encontrar uma raridade? — disse de repente Song Chengze, lançando um olhar sarcástico para Lu Chen.
Ao ouvir isso, Lu Chen franziu a testa, achando curioso, pois nunca tinha visto aquele sujeito antes. Por que ele falava assim, com tanta ironia, como se tivesse engolido pólvora? Mesmo Ye Jianwen, conhecido por seu temperamento tranquilo, não conseguiu esconder o desagrado no rosto e respondeu em tom grave:
— Chengze, isso que você disse não está certo. A graça de passear pela rua das antiguidades é justamente buscar oportunidades inesperadas, comprar coisas boas pelo menor preço.
— Eu, por outro lado, concordo com Chengze. Todo comerciante tem um pouco de malícia, e não é qualquer um que consegue fazer um bom negócio. Antigamente, para achar uma pechincha era preciso ter olho clínico e sorte, uma coisa não funciona sem a outra. Hoje em dia, os tempos mudaram. Querer comprar um Mercedes pelo preço de um Volkswagen? Impossível! — comentou Song Lin, sorrindo levemente, acariciando o camelo de porcelana branca enquanto tomava as dores do filho.
Os outros, como o senhor Ma, se divertiam com a situação. Até pouco tempo atrás, todos pareciam bons amigos, mas de repente o clima mudou, e começou um duelo de palavras. Era realmente engraçado.
Naquele momento, o senhor Ma já tinha escolhido quem pretendia enganar. Apressou-se a dizer:
— O senhor Song tem razão, coisa boa tem que combinar com bom preço. Se quiserem tentar a sorte, podem dar uma olhada em outras peças minhas. Quem sabe encontrem alguma joia escondida, já que às vezes meu olho falha para certas coisas.
— O senhor falou bem. E quanto ao camelo de porcelana branca, qual o preço? Se for razoável, compro sem pechinchar — disse Song Chengze, rindo alto e olhando para Lu Chen com ar de superioridade, perguntando com ostentação.
Lu Chen apenas sorriu, sem dar atenção ao rapaz, concentrando-se em outro objeto do pequeno estande.
Ye Jianwen pensou em retrucar, mas percebeu que discutir com alguém tão jovem seria mesquinho demais e limitou-se a resmungar. Em seguida, voltou-se para o senhor Ma, pensando que, se o preço não fosse tão alto, talvez ainda tivesse alguma chance.
O senhor Ma não se apressou em dizer o valor. Após hesitar um pouco, respondeu com calma:
— Para ser sincero, senhor Song, esse camelo de porcelana branca já foi reservado por um cliente antigo. Se eu vendê-lo para o senhor, não saberei como explicar para ele.
— Reservado? — Os olhos de Song pai e filho se estreitaram.
Song Lin, experiente no comércio, logo percebeu que era apenas um truque para inflacionar o preço. Mas, como realmente gostava do camelo, foi direto ao ponto:
— Não precisamos enrolar. Se quer aumentar seu preço, basta dizer quanto quer. Se for razoável, compramos.
— Bem... — O senhor Ma sorriu, algo constrangido como quem fora desmascarado. Hesitou, mas no fim levantou três dedos:
— Trezentos mil.
Trezentos mil? Esse valor apagou de vez as esperanças de Ye Jianwen. Ele só tinha um pouco mais de oitenta mil consigo, nem um terço do preço. Teve que se despedir do camelo de porcelana branca.
— Trezentos mil não é caro. Compro agora mesmo — disse Song Chengze, sem esperar o pai negociar, tirando o dinheiro e comprando a peça com ostentação.
Vendo o negócio fechado, Ye Jianwen deixou transparecer o desapontamento no rosto, olhando para o camelo uma última vez antes de suspirar baixinho. Que pena, afinal, quando se trata de dinheiro, até heróis tropeçam.
Song Chengze percebeu a decepção de Ye Jianwen e sentiu-se ainda mais satisfeito. Pensou consigo mesmo que, sendo ele um jovem talentoso e rico, não compreendia por que escolheram um genro sem dinheiro, como Lu Chen. Era bem feito.
Ao perceber que Lu Chen examinava algum objeto, Song Chengze zombou:
— Senhor Lu, já decidiu o que vai levar? Se não tiver dinheiro, posso pagar por você. Afinal, é o destino que nos une hoje. Considere como um presente de boas-vindas.
— Já chega, Chengze. Fale menos. Seu tio Song não se importa com esses trezentos mil — interveio Song Lin, enquanto admirava o camelo de porcelana branca, sorrindo e balançando a cabeça.
Ye Jianwen sentiu o rosto pegar fogo diante da provocação dos Song, mas foi nesse momento que Lu Chen, que quase não tinha falado até então, perguntou de repente:
— Senhor Ma, quanto custa aquele objeto ali?
Todos se voltaram para onde ele apontava, e viram que ele indicava uma peça num canto do estande.
— Esta aqui? — O senhor Ma, de bom humor após aplicar o golpe, foi até o canto e pegou uma escultura de montanha verde-jade, com pouco mais de dez centímetros de altura.
— Sim, essa mesma. Diga o preço — confirmou Lu Chen, sorrindo.
O senhor Ma olhou para a peça e ficou surpreso por alguém se interessar por aquilo. Estava ali há quase dois anos, quase ninguém perguntava, sempre largada no canto, pegando poeira. Ele mesmo a encontrara num ferro-velho, achando a escultura e a cor atraentes, e pensou que talvez conseguisse vender para algum desavisado.
Mas, seja porque a peça era estranha, seja porque os “otários” estavam mais espertos, não a vendera em dois anos.
— Senhor, essa é uma escultura de jade de excelente qualidade. O preço não é baixo — disse ele, entregando a peça para Lu Chen, deixando subentendido algo mais.
Lu Chen examinou a peça, apalpou, depois a entregou ao sogro, Ye Jianwen, e respondeu com um sorriso:
— Senhor Ma está brincando. Não existe jade com esse tipo de material. Se fosse jade de verdade, não teria deixado tanto tempo no canto, certo?
— Hahaha, o senhor tem um bom olho — riu o senhor Ma, sem sinal de constrangimento por ter sido desmascarado. Continuou:
— Se o senhor gostou mesmo, faço um preço. Se achar justo, vendo para o senhor. Que acha?
— Está bem, então diga seu preço — respondeu Lu Chen.
— Três mil, preço fixo! — disse o senhor Ma, hesitando um pouco antes de levantar três dedos. Com medo de assustar o possível comprador, logo explicou:
— Senhor, essa peça é realmente boa. O dono da “Taihe Xuan” ali na frente me ofereceu dois mil, e eu não vendi.
Essa fala era meia-verdade, meia-mentira. O dono da loja de antiguidades realmente perguntara o preço e tentara negociar, só que a oferta não foi de dois mil, mas de duzentos. Nas palavras do senhor Ma, o valor havia aumentado dez vezes.