Capítulo 55: O Amuleto de Repulsa
Em comparação com o Rolls-Royce Phantom da família Fang, o carro de Ren Shengtian parecia bem mais discreto, sendo apenas um Mercedes-Benz avaliado em um milhão. Quando Lu Chen entrou no veículo, percebeu que era o próprio Ren Shengtian quem estava ao volante para buscá-lo, o que o deixou intrigado.
— O senhor Lu aceitou se dignar a tratar minha doença, então é natural que eu venha pessoalmente buscá-lo, como sinal do meu respeito — explicou Ren Shengtian, apressado e com um tom submisso.
A postura quase servil de Ren Shengtian deixou Lu Chen ainda mais confuso. Não conseguia entender como aquele homem, que mandava e desmandava em Beihai, podia estar agindo de maneira tão reverente, tão diferente da arrogância da noite anterior.
Nem em seus devaneios Lu Chen imaginaria que Ren Shengtian já havia fantasiado sobre a relação dele com a família Fang. Sendo ele um dos convidados de honra do grande protetor, como Ren Shengtian poderia não tratá-lo com respeito?
Além disso, Ren Shengtian estava exausto, atormentado por pesadelos todas as noites, a ponto de perder o juízo. A receita que Lu Chen lhe entregara naquela noite realmente era eficaz: os pesadelos persistiam, mas seu estado mental havia melhorado consideravelmente.
Seja pela ligação com a família Fang ou pela própria doença misteriosa, Ren Shengtian sentia-se obrigado a demonstrar respeito e deferência a Lu Chen.
— Senhor Lu, gostaria de saber se devemos ir almoçar agora ou se preferiria ir primeiro à minha casa para verificar a situação? — perguntou Ren Shengtian, dirigindo com cautela.
Lu Chen respondeu sem hesitar:
— Não precisa se preocupar com o almoço, vamos direto à sua residência.
O sorriso de Ren Shengtian se alargou ainda mais ao ouvir isso; acelerou o carro e levou Lu Chen até a entrada de sua mansão.
Ao descer, Lu Chen não seguiu imediatamente Ren Shengtian, mas parou diante do portão para observar o entorno. O bairro de mansões onde Ren Shengtian morava não tinha o feng shui tão favorável quanto a casa da família Fang no Lago Tianmu, mas era aceitável, sem grandes problemas.
— Senhor Lu, está tudo bem? — Ren Shengtian perguntou, intrigado ao ver Lu Chen parado.
— Nada demais, só estava analisando o ambiente ao redor — respondeu Lu Chen com um leve sorriso. Bastaram alguns olhares para ele concluir que o exterior não apresentava problemas; era provável que a causa estivesse dentro da mansão.
— Chefe! Senhor Lu!
Assim que entrou na mansão, percebeu que o salão estava vazio, exceto por A Long, o braço direito de Ren Shengtian. Nem mesmo a famosa cantora Sun Ling estava presente.
— Senhor Lu, para facilitar sua análise, mandei embora todos os que não eram essenciais — explicou Ren Shengtian, apressado. Na verdade, o principal motivo era seu desejo de manter a doença em segredo. Como chefe, se algo lhe acontecesse, temia que seus subordinados começassem a especular e a pensar em coisas indesejadas.
— Certo — assentiu Lu Chen, olhando ao redor e examinando o interior da mansão. Do lado de fora, o sol brilhava, mas dentro, percebia-se uma mudança na temperatura.
— Senhor Lu, aquela noite você mencionou que fui alvo de algum tipo de técnica de bloqueio. Poderia explicar exatamente do que se trata? — Ren Shengtian perguntou, perplexo.
Na verdade, essa dúvida o atormentava havia uma semana. Se não fosse o fato de Lu Chen ter sido buscado pela família Fang naquela noite, Ren Shengtian já teria ido atrás dele para obter uma resposta.
Lu Chen olhou para ele e para A Long, que também estava confuso, e respondeu calmamente:
— Como disse na noite em questão, você foi vítima da Técnica do Pesadelo...
— Essa técnica, também conhecida como ‘Arte de Rejeição e Vitória’, significa ‘rejeitar e vencer’. Trata-se de um feitiço, uma maldição ou oração para dominar pessoas, objetos ou criaturas indesejadas. O elemento principal dessa arte é o objeto de rejeição, que é bastante comum e pode ser encontrado em várias situações: esculturas de madeira de pessegueiro, figuras de pessegueiro, medalhões de jade com o octógono, medalhões de jade em forma de animais, espadas, deuses protetores das portas, entre outros.
— O mais frequente, contudo, é o dinheiro de rejeição, também chamado de moeda de proteção. São peças cunhadas em forma de moedas, usadas como amuletos ou talismãs contra o mal. Na frente, costumam trazer inscrições como ‘Mil Anos de Vida’, ‘Paz Mundial’, ‘Sucesso em Todas as Entradas’, ‘Felicidade no Lar’, e no verso há desenhos de estrelas, peixes, tartarugas, serpentes, dragões e fênix, servindo para uso pessoal ou decoração. Esse tipo de moeda é comum nas ruas de antiguidades, mas muitos vendedores não entendem seu significado e as chamam apenas de ‘moedas ornamentais’.
— Seja qual for o nome, a Arte de Rejeição e Vitória é apenas uma forma de magia que serve para bloquear eventos indesejados, impedindo que ocorram ou transformando situações negativas em positivas. Porém, nas mãos de pessoas mal-intencionadas, o efeito se inverte: usam esses objetos para provocar ou perpetuar desgraças.
Após ouvir toda a explicação de Lu Chen, A Long continuava com o olhar perdido, mas Ren Shengtian parecia ter compreendido parte do raciocínio, franzindo a testa com expressão séria.
— Senhor Lu, quer dizer que fui alvo dessa maldição chamada ‘Técnica do Pesadelo’? — perguntou Ren Shengtian, coçando o queixo.
Lu Chen assentiu levemente e perguntou:
— Por acaso, o ar-condicionado da mansão está ligado?
Ren Shengtian balançou a cabeça:
— Não, desde que comecei a ter pesadelos, passei a sentir frio sem motivo e quase nunca ligo o ar-condicionado.
— E vocês notaram que, ao entrar na mansão, o ambiente parece mais frio e sombrio? — Lu Chen sentou-se no sofá, sorrindo.
— Agora que penso nisso... — Ren Shengtian refletiu e acenou com a cabeça.
A Long, ao lado, respondeu sem hesitar:
— É verdade, sempre sinto isso. Lá fora, fico suando de calor, mas ao entrar na mansão do chefe, imediatamente refresca, até mais que com o ar-condicionado ligado.
Lu Chen não explicou, apenas continuou:
— Há quanto tempo mora nesta mansão, senhor Ren?
— Cerca de dois anos — respondeu Ren Shengtian, sem entender o propósito da pergunta, mas sem esconder nada.
— Nestes dois anos, dormiu aqui todas as noites?
— Normalmente, exceto quando saio para negócios, prefiro dormir aqui. Não posso garantir que seja todo dia, mas pelo menos cinco noites por semana, estou de volta.
— Nos últimos dois meses, chegou a se ausentar por longos períodos?
— Acho que não...
— Espera! — interrompeu A Long. — Chefe, esqueceu que no início deste mês o encanamento do banheiro explodiu e você ficou quase uma semana hospedado no Clube Noite Púrpura?