Capítulo 22: Surpresa
Após chegar ao hospital, Fang Yng-Lin apressou-se em ligar para Qi Jun, perguntando em que quarto o avô estava internado.
Quando ela entrou esbaforida no quarto, encontrou o velho Fang conversando animadamente com um médico de aparência robusta, dono de entradas generosas no cabelo. Se não se enganava, aquele médico corpulento era justamente o diretor do hospital.
Toda a preocupação e angústia que sentia desapareceram naquele instante ao ver o avô. Ele parecia estar se divertindo com o diretor, conversando e rindo, sem nenhum sinal de estar gravemente doente.
Claro que isso também lhe despertou muita curiosidade. Afinal, pela ligação aflita de Qi Jun, ela sabia que ele não se alarmaria daquela forma se o quadro do avô não fosse realmente grave.
Surgia então a dúvida: o que teria acontecido para que seu avô se recuperasse tão rapidamente?
Com esse questionamento na mente, Ye Qing-Lin entrou no quarto e chamou suavemente: “Vovô, eu cheguei.”
“Senhor Fang, fique tranquilo, quanto ao caso de Liang Yu, darei uma explicação satisfatória para o senhor...”
O diretor corpulento ainda falava com o velho Fang, mas ao ouvir a voz dela, virou-se e, ao reconhecê-la, foi bastante perspicaz: “Senhor Fang, já que a senhorita Fang chegou, não vou tomar mais o tempo de vocês.”
“Senhorita Fang, com licença, vou me retirar.”
Após se despedir, o diretor deixou o quarto.
“Vovô, está tudo bem com o senhor?” Fang Yng-Lin ignorou a saída do diretor e correu direto para a beira da cama, perguntando aflita.
“Minha querida neta, o vovô já está bem.” O velho Fang acariciou a mão da neta e soltou uma gargalhada.
Ao ver o avô com o rosto corado e saudável, ela suspirou aliviada, balançou a cabeça e, olhando ao redor, perguntou: “Aliás, vovô, onde está o Qi Jun? Não o vi por aqui.”
“Pedi que ele investigasse algumas coisas para mim.” O velho Fang ainda falava quando Qi Jun apareceu, trazendo uma pilha de documentos.
“Senhorita, a senhorita também veio.” Qi Jun acenou discretamente para Fang Yng-Lin ao vê-la ao lado da cama, e logo entregou os documentos ao velho Fang, dizendo em tom sério: “Senhor Fang, já encontrei informações sobre aquele senhor. Peço que confira.”
“Muito bem, você sempre me deixa tranquilo.” O velho Fang recebeu os documentos, lançou um olhar de aprovação para Qi Jun e começou a folheá-los. A cada página, seu rosto mostrava crescente surpresa, até que exclamou: “Não imaginei que ele fosse genro adotado da família Ye!”
“Pois é, eu também não esperava. Um homem de tamanha habilidade ser genro adotado...” Qi Jun coçou a cabeça, e mesmo já tendo lido os documentos, ainda mostrava perplexidade.
“Vovô, de quem vocês estão falando?” Fang Yng-Lin, sentindo-se de lado na conversa, fez um biquinho e esticou o pescoço para ver o nome e a foto nos papéis. Quando reconheceu a pessoa na foto, exclamou: “Ué? Como pode ser ele?”
Aquele rosto não lhe era estranho. Era justamente o desconhecido que, pouco tempo antes, a alertara sobre um possível acidente de carro.
Diante da reação dela, o velho Fang e Qi Jun olharam para ela, curiosos: “Então, minha querida neta, você conhece esse homem?”
“Na verdade, não exatamente.” Fang Yng-Lin balançou levemente a cabeça, com uma expressão intrigada, e explicou em voz baixa: “Quando Qi Jun me ligou dizendo que o senhor tinha passado mal, corri até lá, mas não havia mais ninguém. Então perguntei a um transeunte, que me disse que o senhor já tinha sido levado ao hospital. Esse homem era justamente o da foto.”
“Ah, ele ainda comentou que minhas bochechas estavam escuras e me aconselhou a dirigir com cuidado. No começo, não dei importância, mas quase sofri um acidente a caminho do hospital...”
Ela então contou como havia cruzado com o Mustang azul.
Ao ouvir tudo, o velho Fang ficou sério, com um brilho intenso nos olhos, e murmurou: “Realmente, não se deve julgar as pessoas pela aparência! Tão jovem e já um verdadeiro mestre.”
Qi Jun se apressou em completar: “Senhorita, quando o senhor Fang passou mal e ficou entre a vida e a morte, foi justamente graças à intervenção do senhor Lu que conseguimos salvá-lo.”
“É verdade isso?”
Naquele momento, o rosto de Fang Yng-Lin também mudou de expressão, e ela lembrou, constrangida, do gesto rude que fizera ao desconhecido.
O velho Fang assentiu levemente, ergueu os olhos para Qi Jun e disse em tom sério: “Qi Jun, procure o senhor Lu um dia desses. Afinal, ele salvou minha vida. Devemos agradecê-lo devidamente.”
“Entendido.” Qi Jun respondeu prontamente. Não era tolo: pelas experiências vividas pelo velho Fang e sua neta, estava claro que aquele jovem de sobrenome Lu tinha habilidades reais, e um relacionamento com alguém assim só traria benefícios à família Fang.
...
No domingo, o tempo estava claro e o céu, sem nuvens.
Depois do café da manhã, Lu Chen, sem compromissos, acompanhou o sogro Ye Jianwen à famosa rua de antiguidades no bairro leste.
Ye Jianwen, assim como o velho Ye, era apaixonado por antiguidades e objetos antigos, embora sua capacidade de avaliação deixasse a desejar. Não fosse isso, não teria passado vergonha na festa de aniversário do patriarca no ano passado.
“Lu Chen, seus olhos são bons. Hoje me ajude a escolher algumas peças interessantes”, pediu Ye Jianwen, animado por ter um “especialista” ao lado. “Trouxe toda minha poupança dos últimos anos, são mais de oitenta mil. Vamos comprar algumas peças autênticas para mostrar à sua mãe.”
Lu Chen se divertiu com o comentário. Lembrava que o sogro já fora enganado várias vezes comprando antiguidades, e por isso a sogra restringira sua mesada a três ou quatro mil por mês.
Ainda assim, o fato de ter conseguido guardar mais de oitenta mil era prova de sua extrema economia. Provavelmente até no cigarro e na bebida havia baixado o padrão.
A rua de antiguidades estava, como sempre, repleta de gente em busca de tesouros. Lu Chen deu uma volta com o sogro, mas não encontrou nada realmente interessante. Já Ye Jianwen se empolgava com tudo, achando que cada peça era uma raridade, e de vez em quando pegava alguma falsificação, fingindo ser conhecedor.
Lu Chen apenas sorria. Como diz o ditado: “Quem se acha exímio cavaleiro é o que mais cai do cavalo; quem se afoga no rio é quem sabe nadar.”
Para os vendedores de antiguidades daquela rua, nada melhor do que clientes que entendem pouco do assunto. Afinal, são esses que garantem o lucro dos comerciantes.