Capítulo 20: Resgate
— Qi Jun, você realmente acredita naquele rapaz de agora há pouco? Ele não é médico, se acontecer alguma coisa, você estará acabado. — O doutor Liang sentia-se inexplicavelmente irritado e não conseguiu evitar manifestar-se novamente.
Na sua visão, com seu doutorado em medicina e mais de dez anos de prática clínica, não havia conseguido diagnosticar o mal súbito do velho Fang. Portanto, supunha que outros médicos também não teriam solução, e que bastaria levar o ancião ao hospital para se livrar da responsabilidade.
Mas agora? No meio do caminho, surgiu de repente um inesperado salvador, um jovem ainda mais novo que ele e que nem sequer era médico, afirmando com toda convicção que podia curar o ancião. Isso soava ridículo!
No entanto, nada é absoluto. Se o rapaz fracassasse, poderia se esquivar de toda a responsabilidade. Mas e se desse certo? Não estaria ele cavando sua própria sepultura?
Com a influência da família Fang em Beihai e em toda a província de Zhongnan, eliminar um simples médico como ele seria tarefa fácil.
Pensando nisso, o rosto do doutor Liang ficou ainda mais pálido, e nesse instante soaram ao longe as sirenes da ambulância.
Ao ouvir o som familiar, ele esboçou um sorriso e apressou-se a dizer:
— Qi Jun, a ambulância chegou! O que está esperando esse rapaz fazer? Não vai logo preparar o senhor Fang para embarcar?
— O carro ainda não chegou, não precisa ter pressa.
Qi Jun hesitou, sem saber se deveria esperar o retorno de Lu Chen ou levar logo o ancião para a ambulância.
A escolha mais sensata seria levá-lo imediatamente ao hospital, mas, pela reação do doutor Liang, talvez nem mesmo no hospital encontrassem solução a tempo. Além disso, Lu Chen já tinha dito que poderia salvar o velho Fang e foi buscar o remédio. Se saíssem agora, seria falta de palavra.
— Qi Jun, enlouqueceu? A ambulância já está aqui, vai esperar o quê?
O doutor Liang estava tomado de ansiedade. Se não soubesse que não teria chance numa briga com Qi Jun, já teria tentado tomar o ancião à força.
— Vamos esperar o rapaz voltar — respondeu Qi Jun, respirando fundo, com firmeza.
— Você... você...
O doutor Liang estava furioso, mas não havia outra alternativa senão começar a planejar uma rota de fuga mentalmente.
Logo, Lu Chen retornou com um pequeno embrulho de papel. Com a ajuda de Qi Jun, abriu a boca do ancião e despejou todo o pó negro e desconhecido em sua boca.
— Rapaz, tem certeza que isso vai funcionar?
Qi Jun perguntava, inquieto.
— Sem problemas. Espere um pouco e o senhor Fang deverá acordar. Depois, basta levá-lo ao hospital — respondeu Lu Chen, confiante.
O motivo de o senhor Fang apresentar manchas cadavéricas em vida era o excesso de energia morta no corpo. Esta energia, oposta à vitalidade, quando surge, indica que a pessoa está à beira da morte.
No entanto, seu semblante mostrava longevidade e sorte, facilmente chegaria aos oitenta anos. Mais importante ainda, a energia morta estava concentrada apenas no peito, sem afetar outras partes do corpo.
Por esses motivos, Lu Chen concluiu que o ancião não estava morrendo por causa do fim natural da vida, mas por algum motivo desconhecido que fez a energia morta invadir seu corpo.
Durante suas viagens pelo mundo com o mestre, já havia visto casos semelhantes, por isso tratou o paciente com tanta destreza.
Pouco tempo após tomar o remédio, o semblante pálido do ancião começou a ganhar cor, e sua respiração, antes quase imperceptível, voltou ao normal.
— Olhem só, esse rapaz é mesmo incrível, conseguiu salvar o velho!
— Aquele tal de doutor Liang não serve para nada, fica enrolando para socorrer alguém, não merece ser médico.
As pessoas ao redor, vendo a recuperação do ancião, começaram a comentar surpresas, não perdendo a oportunidade de zombar do doutor Liang.
Antes, ele teria discutido com a multidão, mas agora estava mais pálido que papel, calado, sem saber o que dizer. Sabia que sua carreira estava acabada, pois, com o prestígio do senhor Fang, nem o diretor do hospital ousaria contrariá-lo. O que ele, um simples médico, poderia fazer?
— Arrependimento tardio! — pensava, sufocado de remorso.
Se tivesse tentado salvar desde o início ou colaborado com Lu Chen, as coisas teriam sido diferentes?
Nesse momento, o ancião deitado no chão começou a tossir, e sangue escuro, quase negro, escorreu pelos cantos de sua boca.
— Rapaz, o que está acontecendo?
Qi Jun, que mal acabara de se alegrar, assustou-se ao ver o velho cuspindo sangue, perguntando aflito.
— Não é nada, isso é apenas sangue coagulado, energia morta. Levante o ancião rápido e ajude-o a expelir todo esse sangue.
Dizendo isso, Lu Chen e Qi Jun ergueram o ancião, auxiliando-o a eliminar o sangue negro de sua boca.
Depois de expelir tudo, embora ainda de olhos fechados, o rosto do ancião já não expressava dor, a respiração estava estável e a cor de sua pele voltara ao normal.
— Agora levem o senhor Fang para a ambulância.
Lu Chen suspirou aliviado; salvar uma vida é sempre bom. Só não sabia se, fazendo tantas boas ações, o destino lhe sorriria um pouco mais, talvez até enchendo um pouco seus bolsos.
— Rapaz, não tenho palavras para agradecer. Quando o senhor Fang estiver recuperado, a família Fang saberá como recompensá-lo.
Qi Jun, profundamente agradecido, apertou as mãos em direção a Lu Chen e, com a ajuda dos paramédicos, carregou o ancião para a ambulância.
Vendo que não havia mais o que presenciar, a multidão começou a dispersar. O doutor Liang, que antes estava entre o povo, já tinha sumido sem deixar rastros.
Quando Lu Chen pegou suas sacolas de legumes e se preparava para voltar para casa, ouviu de repente o ronco de uma moto atrás de si. Logo uma motocicleta esportiva prateada parou diante dele com uma manobra impressionante.
Uma mulher de corpo esguio, vestida com jaqueta de couro preta, tirou o capacete, mostrando expressão ansiosa:
— Por acaso viu o idoso que teve um ataque aqui agora há pouco?
— Já foi levado ao hospital, mas não sei dizer qual.
Lu Chen respondeu com um sorriso.
— Certo, muito obrigada.
A motociclista recolocou o capacete e se preparava para partir, quando ouviu Lu Chen chamá-la:
— Senhorita, percebo pelo seu semblante que o dia não está favorável. Dirija com cuidado.
Lu Chen advertiu gentilmente, mas a única resposta que recebeu foi um dedo médio erguido pela motociclista.