Capítulo 19: Manchas Cadavéricas

O Genro Predestinado Capitão Jia salva a pátria de maneira indireta 2511 palavras 2026-03-04 20:10:47

— Ah... —

Ao perceberem a situação no peito do ancião, tanto o médico de meia-idade quanto o homem corpulento não puderam evitar de prender a respiração, expressando, ao mesmo tempo, uma surpresa estampada no rosto.

Lu Chen, curioso, lançou um olhar e imediatamente franziu a testa.

O peito do ancião estava tomado por manchas de um tom púrpura-avermelhado escuro, formando desenhos irregulares semelhantes a nuvens, de aparência assustadora.

— Doutor Liang, o que está esperando? Salve-o logo! — O homem corpulento, recuperando-se do choque, apressou-se em ordenar.

O médico de meia-idade respondeu com um ar de desalento:

— Senhor Qi, para ser sincero, nunca vi nada parecido antes. Receio que não conseguirei encontrar uma solução em pouco tempo. O melhor seria levar o velho imediatamente ao hospital e reunir os especialistas dos principais hospitais para uma consulta coletiva, o que acha?

— Precisa ser tão complicado assim? — O homem corpulento franziu ainda mais as sobrancelhas.

— Não há outro jeito. Em mais de dez anos de profissão, é a primeira vez que me deparo com algo assim.

O doutor Liang lançava olhares furtivos para as manchas arroxeadas, sentindo o coração acelerar e a voz até vacilar de leve.

— Mas, pelo estado do senhor Fang, parece que ele não vai durar muito. Você devia tentar reanimá-lo logo — disse o homem corpulento, observando o semblante pálido do ancião, cuja respiração se tornava cada vez mais fraca.

— Senhor Qi, realmente não sei o que fazer. O melhor é levá-lo ao hospital o quanto antes — respondeu o doutor Liang, mordendo os lábios e afastando-se discretamente do ancião.

— Chega de conversa! Tente reanimá-lo, vou chamar a ambulância — ordenou o homem corpulento, impaciente.

— Eu...

Quando o doutor Liang se preparava para recusar mais uma vez, uma voz clara surgiu da multidão:

— Deixem-me ver.

Todos os presentes olharam na direção da voz, avistando um jovem vestindo camiseta branca e jeans, carregando duas sacolas de alimentos e abrindo caminho até o centro do tumulto.

O homem corpulento observou o rapaz à sua frente, que era visivelmente mais jovem. A esperança que surgira em seu rosto desapareceu sem deixar vestígio. Se ao menos tivesse aparecido um velho de barba branca, talvez alimentasse alguma esperança, mas aquele jovem parecia ser jovem demais.

— Jovem, por acaso você também é médico? — inquiriu o doutor Liang, franzindo o cenho e avaliando o recém-chegado.

— Não sou médico, mas... — respondeu Lu Chen, o jovem que saíra da multidão.

— Ah! — O doutor Liang interrompeu-o com uma risada sarcástica, demonstrando total desprezo. — Se não é médico, aconselho que não se envolva. Se atrasarmos o socorro, você vai assumir a responsabilidade?

— Jovem, tem certeza de que pode ajudar nosso velho? Mesmo que não cure, se ao menos aliviar os sintomas, já será uma grande coisa — perguntou o homem corpulento, hesitante.

— Senhor Qi, ele não é médico. Como pode deixá-lo examinar o senhor Fang? O melhor é levá-lo logo ao hospital. Se perdermos o melhor momento, nenhum de nós poderá assumir essa responsabilidade — interveio o doutor Liang, em tom frio.

O homem corpulento ignorou-o, insistindo:

— Jovem, se tem confiança, ajude-nos. Se salvar o velho, a família Fang saberá recompensá-lo generosamente.

Naquele momento, o mais importante era tentar salvar o ancião, mesmo que fosse apenas para aliviar seus sintomas.

Em outras circunstâncias, o responsável por socorrer o senhor Fang deveria ser o doutor Liang. Mas, por algum motivo, ele insistia em levá-lo ao hospital e recusava-se a tentar o socorro imediato.

Não era certo que, ao chegar ao hospital, encontrariam uma solução imediatamente. Só de olhar para o estado do ancião, já era duvidoso que ele resistisse até lá.

Diante de tal situação extrema, o homem corpulento depositou sua última esperança em Lu Chen.

Lu Chen largou as sacolas, agachou-se ao lado do ancião e tocou as manchas arroxeadas em seu peito, sorrindo logo em seguida:

— Não se preocupem tanto, é coisa simples.

Se o problema fosse um ataque cardíaco, ele realmente nada poderia fazer. Mas, diante de doenças estranhas e raras, suas habilidades eram excepcionais.

— Ah! Jovem, você é novo, mas seu discurso é ousado! — ironizou o doutor Liang, rindo friamente mais uma vez.

— Liang, suma daqui! Não precisamos mais de você! — exclamou o homem corpulento, explodindo de raiva acumulada. Com um empurrão brusco, jogou o doutor Liang no chão.

— Você... você... — O doutor Liang, vermelho de raiva, levantou-se rapidamente e rosnou entre dentes: — Estou avisando, Qi Jun, se ousar me agredir de novo, vou chamar a polícia!

— Faça como quiser — zombou Qi Jun, virando-se para Lu Chen e perguntando em voz baixa: — Jovem, tem mesmo confiança?

— Já disse que é coisa simples — respondeu Lu Chen, sorrindo levemente, apontando para o peito do ancião. — Essas manchas arroxeadas são livores cadavéricos.

— Livores cadavéricos? — A notícia surpreendeu não só Qi Jun, mas também os demais curiosos ao redor.

— Normalmente, livores aparecem após a morte, quando a circulação do sangue cessa e o sangue, sem força propulsora, se acumula nas partes inferiores do corpo. As regiões superiores ficam vazias de sangue, enquanto as inferiores se congestionam — explicou Lu Chen, olhando de relance para o doutor Liang e continuando com um sorriso: — Imagino que o doutor Liang também percebeu isso; por isso ele hesita em prestar socorro.

— Eu... — O doutor Liang se sobressaltou, olhando para Lu Chen com expressão de surpresa.

— Mas, jovem, meu velho está vivo. Como poderia apresentar livores? — perguntou Qi Jun, intrigado.

— Pessoas vivas raramente apresentam livores, mas não é impossível — disse Lu Chen, após sentir o pulso do ancião. — Esperem aqui um pouco. Vou até a farmácia buscar alguns remédios.

Assim dizendo, levantou-se e correu até a farmácia do outro lado da rua.

Olhando para suas costas que se afastavam, o doutor Liang exibia um semblante sombrio e um olhar complexo.

Como Lu Chen havia dito, ele reconhecera que as manchas do senhor Fang eram livores cadavéricos, o que explicava sua relutância em socorrer. Primeiro, nunca havia presenciado um caso de livores em pessoa viva e não sabia como intervir; segundo, temia assumir qualquer responsabilidade, pois um erro poderia trazer consequências desastrosas.

Por esses motivos, insistia em levar o ancião ao hospital, esperando que os especialistas assumissem a responsabilidade em seu lugar.