Volume I Capítulo 95 Um Frio na Espinha
“Sacerdote...”, o rosto de Zhao Ninghe mudou ligeiramente; seu corpo volumoso movia-se com agilidade entre a horda de cadáveres, desferindo um soco explosivo contra o zumbi de Zhong Tanfa.
O jovem sacerdote cambaleou dois passos, mas logo estabilizou-se. Olhou para Sun Boyong, agora recuperado, e suspirou: “Não é à toa que são de uma família ancestral. Mesmo decadente, ainda protegidos por um sangue antigo.”
Assim como a técnica da espada dos portões taoístas, a arte de ataque da força do Rio Luo da família Sun também consistia em imbuir o poder espiritual na água, controlando-a para que se tornasse arma, golpeando o inimigo com frequência intensa.
O mantra de proibição divina que ele utilizou há pouco era um dos doze mantras taoístas, capaz de, dentro de certo perímetro, aprisionar temporariamente o espírito ou retirar a força mental impregnada em objetos.
Zhong Tanfa aproveitou essa característica para arrancar à força a energia espiritual da chuva de sangue, anulando a arte de ataque de Sun Boyong.
Durante a duração do mantra, ele poderia ter enfraquecido ainda mais as defesas do poder do Rio Luo. Mas a força protetora dos deuses ancestrais destruiu o selo do mantra.
“Tudo se perdeu por pouco... Irmão Kong, só resta confiar em você.” O rosto de Zhong Tanfa estava pálido como papel, mal conseguindo sustentar a aura da espada azulada.
Kong Yi, nesse tempo, já avançara quinhentos metros, destruindo todos os zumbis em seu caminho com o próprio corpo.
No meio da chuva de sangue, parecia um raio negro rasgando o céu noturno, dirigindo-se diretamente ao rei dos cadáveres sentado diante do desfiladeiro.
O corpo de Kong Yi na segunda fase da Forma Imortal era comparável a ferro e bronze; armas comuns sequer podiam cortar sua pele.
Sun Boyong mantinha um semblante sombrio. Olhou para Zhong Tanfa, surpreso que aquele jovem sacerdote já dominasse o mantra taoísta de proibição divina.
A família ancestral Sun também possuía métodos de cultivo espiritual. Antes de ser enviado a Hua Qing, os anciãos da família gravaram todos os textos ancestrais em seu espírito.
Essas marcas serviam para impedir espionagem. Se alguém tentasse usar técnicas de invasão mental para roubar os métodos contidos em sua memória, a marca explodiria.
Esconder veneno nos dentes molares era apenas uma precaução mundana.
Quando os adeptos das artes marciais ancestrais atingem certo nível, mesmo que o corpo físico seja destruído, enquanto o espírito sobreviver, podem voltar à vida usando outros corpos.
Por isso, destruir o espírito é o método definitivo para guardar segredos.
Além das técnicas ofensivas, Sun Boyong possuía outros métodos, mas sua parceria com o rei dos cadáveres era apenas de interesses momentâneos, instável, e não valia arriscar a própria vida.
Cooperava com o rei dos cadáveres por não contar com a ajuda de Er. Sozinho, não poderia enfrentar Kong Yi e os outros.
Antes do avanço de Kong Yi, sua força esmagava os demais, mas, como dizem, muitas formigas matam um elefante; o vigor humano tem limites.
E, entre Kong Yi e seus companheiros, havia um ser misterioso, o ápice dos experimentos de Hua Qing: Yi.
Em toda Hua Qing, o que mais temia era esse grupo de experimentos supremos.
Quando Sun Boyong chegou a Hua Qing, viu San.
Até hoje, lembra-se daquela figura que fazia seu coração tremer.
Soltou um longo suspiro e, empunhando a lança, continuou a caçar zumbis.
Na verdade, o plano dele e do rei dos cadáveres era simples.
O centro da antiga matriz celestial não era o acampamento; ali era apenas a entrada de saída, o único caminho para o mundo exterior.
O verdadeiro núcleo era o próprio rei dos cadáveres.
Enquanto ele sobreviver, a matriz continuará absorvendo energia sanguínea.
A horda de cadáveres era o sacrifício.
O rei dos cadáveres tentava romper barreiras, mas, após danos ao espírito, ainda estava se recuperando e não podia exterminar pessoalmente a horda.
Agora, Sun Boyong levantou os olhos para o pilar de energia sanguínea, onde brilhou um profundo negro em seu olhar.
Parou de atacar zumbis e rapidamente retirou-se para fora da horda.
Diante do desfiladeiro, a figura envolta em luz sangrenta tremeu.
Então, um dedo seco estendeu-se lentamente, apontando diretamente para Kong Yi.
Ao mesmo tempo, a voz rouca e sedenta de sangue do rei dos cadáveres, carregando intenção assassina, ecoou lentamente.
“Técnica de ataque do portão taoísta, Espada dos Três Claros...”
Uma sensação gélida e arrepiante varreu o desfiladeiro.
Até o ar ao redor parecia cortante; a energia sanguínea convergiu instantaneamente diante do dedo, misturando-se com a chuva de sangue para formar uma longa espada de sangue.
A espada era simples, sem ornamentos, mas sua aura contida fazia o ar explodir com ruídos cortantes.
Um perigo extremo cresceu no coração de Kong Yi, arrepiando todo seu corpo e cobrindo sua testa de suor frio.
“Vá...” O dedo seco tocou levemente o cabo da espada, que virou uma sombra sangrenta, disparando direto ao centro da testa de Kong Yi.
O ar gemeu sob o peso; Kong Yi não teve tempo de esquivar-se, concentrando toda a força estelar em seu braço direito revestido pela armadura eletromagnética, lançando um golpe.
Clang!
O som de metal contra metal ecoou, Kong Yi foi lançado para trás.
“Hm?” A figura sangrenta parecia surpresa, impressionada com a resistência da armadura eletromagnética.
“Não é ferro comum, pelo visto...”
Uma risada rouca soou; a primeira parte da frase terminou, mas a segunda ressoou já dentro da horda de cadáveres.
Todos se assustaram, olhando para a figura esquelética que, silenciosa, apareceu atrás de Kong Yi.
Ainda voando para trás, Kong Yi não conseguiu deter o movimento; o rei dos cadáveres apertou a mão, e os restos de carne e vísceras no chão explodiram, condensando nos seus dedos uma espada de três pés feita de sangue.
“Ha ha... Jovem, se quiser entrar no templo divino, posso deixar você viver.”
A força feroz ainda devastava, e Kong Yi, incapaz de parar, respondeu sem hesitar: “Entre você e sua mãe! Hoje eu te mando direto pro além.”
“Teimoso...” O rei dos cadáveres avançou um passo, entregando a espada.
Zhong Tanfa mudou de expressão, empunhou a antiga espada, liberando uma aura pura ao redor.
“Com o corpo, manejo a espada, rompendo os céus.”
A aura azulada apareceu do nada, disparando contra o pulso do rei dos cadáveres; a lâmina cortava o ar com um som agudo.
O rei dos cadáveres ignorou, seus olhos cheios de energia sangrenta, e falou com indiferença: “Mantra de proibição divina: Aparência de união, espírito de separação.”
Zhong Tanfa, como atingido por um raio, ficou com o rosto paralisado, a espada antiga caindo sem força.
Ao mesmo tempo, a aura azulada se dispersou, e o rei dos cadáveres balançou a cabeça com um sorriso: “Tanfa, esqueceu quem te ensinou os doze mantras?”
Quando Zhong Tanfa recuperou a consciência, seu rosto estava lívido, a cabeça latejava.
Nesse momento, Kong Yi foi lançado contra a espada.
Sssch...
A espada sangrenta perfurou direto o flanco de Kong Yi, o som da carne rasgando arrepiou a todos.
Mas, logo em seguida...
Ting!
Um som cristalino ecoou, os olhos do rei dos cadáveres se estreitaram, sentindo que a espada atingira algo extremamente duro.
“Maldita múmia, agora te mando ao paraíso!”
O punho de Kong Yi, revestido pela armadura eletromagnética, brilhou com um azul claro intenso.
Carregado com a força das estrelas, o soco desintegrou o ar, golpeando diretamente o rei dos cadáveres, que olhava atônito.
“O grande Falcão se ergue ao vento, voando nove mil léguas...”