Volume I Capítulo 31: Fenômeno Extraordinário
— E não é só isso, também precisamos armazenar suprimentos médicos e alguns itens de uso diário.
Após explicar isso para Yao, Kong Yi entrou na loja e perguntou:
— Dono, quantas caixas de macarrão instantâneo você ainda tem?
— Cerca de seis ou sete mil — respondeu o comerciante, desanimado.
— Certo, quero todas. Carregue no caminhão, o endereço é...
Ao ouvir isso, o olhar do dono se iluminou de imediato e ele rapidamente chamou seus funcionários para ajudar.
Kong Yi tomou um gole do chá que um dos homens lhe ofereceu e instruiu:
— Quando entregar, não se preocupe em descarregar, basta pedir para o motorista voltar para casa e buscar o caminhão apenas no dia seguinte.
Ele fazia isso porque não precisava descarregar nada; assim que chegasse ao destino, Kong Yi guardaria tudo em seu espaço de armazenamento.
O comerciante ficou um pouco confuso, mas não questionou. Afinal, clientes assim não apareciam todos os dias.
Deixando o mercado de alimentos, Kong Yi foi ao mercado de variedades, repetindo o mesmo procedimento.
Quando terminou, já era quase noite. Yi, com uma sacola de lanches na mão, puxou a manga de Kong Yi:
— Estou com fome...
Observando a menina, Kong Yi ficou curioso. Aparentemente, desde o almoço ela não parara de comer petiscos, e agora estava com fome de novo?
Ele se abaixou um pouco para ficar na altura dela e afagou seus cabelos.
— Tudo bem, vamos jantar.
A noite havia caído, as luzes brilhantes cobriam as ruas, ofuscando o brilho da lua e das estrelas.
Após conversarem, os três decidiram comer fondue, escolhendo naturalmente o restaurante Brisa Pura. Era uma boa ocasião para Kong Yi visitar o velho Zhao e trocar piadas.
— Ei, Kong Yi, olha ali — disse Yao de repente.
Kong Yi seguiu o olhar dela para uma rua cheia de bares. Diante de um deles, ele viu uma conhecida.
— Shi Qing?
Kong Yi franziu levemente a testa ao reconhecer a mulher, que chorava copiosamente enquanto discutia com alguém.
O interlocutor era justamente o dono do carrão que ele vira outro dia no Brisa Pura.
— Você não disse que ia terminar com sua noiva para ficar comigo? Agora vem me dizer que vai se casar? — Shi Qing bloqueava o caminho do carro, olhos cheios de lágrimas.
O homem, aparentemente impaciente, pisou no acelerador.
O rugido do motor ecoou estrondoso, levantando poeira e assustando Shi Qing, que cambaleou para o lado enquanto o homem partia sem olhar para trás.
Shi Qing gritou atrás do carro:
— Canalha! Seu miserável!
Após esse espetáculo, os três pegaram um táxi direto para o Beco do Jardim.
No carro, Kong Yi não pôde deixar de expressar surpresa.
Yao perguntou:
— E isso... vamos contar para o velho Zhao depois?
Kong Yi ficou pensativo e suspirou:
— Melhor não. Nessas coisas, opinião alheia não adianta.
Zhao Ninghe não era bobo; pelo contrário, era esperto. Ele percebeu, naquele dia, como Shi Qing realmente era.
Mas sentimentos são assim: às vezes não temos controle, tudo resulta das próprias escolhas.
Em resumo, se ele quer bancar o tolo, ninguém pode impedir.
Que estupidez...
Resmungou consigo mesmo e disse:
— O desastre está prestes a chegar. Depois disso, tudo isso será irrelevante.
— Verdade... — Yao concordou.
No Brisa Pura, o movimento continuava intenso. Zhao Ninghe, após delegar tarefas aos funcionários, sentou-se para beber com Kong Yi.
Em pouco tempo, Kong Yi já estava meio tonto após quatro ou cinco garrafas de cerveja.
— Kong, ultimamente você anda sumido. No que está tão ocupado? — Zhao perguntou.
Percebendo o tom insinuante, Kong Yi respondeu:
— Estou comprando suprimentos. Se tem algo a dizer, vá em frente.
— É que... — Zhao levantou o copo, brindou com Kong Yi e disse: — Estou pensando em expandir o restaurante, o que acha de entrarmos juntos nessa?
Vendo o brilho esperançoso nos olhos dele, Kong Yi sorriu:
— Por que esse interesse repentino?
Zhao riu, o rosto rechonchudo corando:
— É que... Shi Qing disse que quer casar comigo no final do ano.
Nesse instante, Yao, que tomava suco, engasgou e espirrou a bebida no rosto de Kong Yi, corando de vergonha.
— Está tudo bem? — Zhao estendeu um copo d’água para ela, preocupado.
Kong Yi, resignado, limpou o rosto com um guardanapo ao invés de lamber o suco escorrendo.
Então Zhao comentou, meio acanhado:
— Para ser sincero, fiquei emocionado por Shi Qing ter mudado de ideia.
Ao ouvir isso, Kong Yi quase engasgou com o pedaço de carne e só conseguiu engolir após um gole de cerveja.
Ah, essa “mudança de ideia” era, na verdade, falta de opção...
Mas Kong Yi apenas pensou isso. Após se recompor, disse:
— Zhao, confia em mim?
— Claro...
O tom era estranho, mas o olhar sério fez Zhao prestar atenção.
— No dia dois de agosto, o desastre chegará e o mundo acabará — Kong Yi deu-lhe um tapinha no ombro — Venda o restaurante agora e use o dinheiro para estocar suprimentos.
Vendo a expressão séria, Zhao engoliu as palavras que ia dizer.
— Kong, está falando sério?
Kong Yi mostrou o contrato de venda do apartamento no celular:
— Estou, veja, aqui está o contrato de venda. Agora estou morando na garagem e, assim que o desastre chegar, mudarei de lugar.
— Esqueça essas preocupações, venda sua casa e o restaurante, transforme tudo em suprimentos.
Depois, Kong Yi explicou o tempo e a situação do desastre...
Zhao olhou para os dois à sua frente. Yao continuava tomando suco e Yi se deliciava com as tripas no molho picante, ambos sem surpresa com o que Kong Yi dizia.
Será verdade?
Discretamente, Zhao conferiu a data no celular — não era primeiro de abril.
Assim, mergulhou num ciclo de dúvidas sobre o mundo e sobre si.
Após comerem e beberem, Kong Yi pagou a conta enquanto Zhao permaneceu sentado, atônito.
Ao retornar ao antigo condomínio, logo ao entrar pelo portão, Kong Yi viu filas de carros estacionados ao lado do corredor.
Despediu-se de Yao e foi ao depósito. Ainda eram dez horas, cedo demais, e havia muita gente por perto — não era hora de conferir a mercadoria.
Além disso, seria a primeira vez que usaria o espaço de armazenamento e não sabia o que poderia acontecer. Se alguém visse, no dia seguinte estaria nos assuntos mais comentados.
Contando a partir de amanhã, faltariam dez dias para o desastre. Ele não queria problemas desnecessários nesse período.
Em casa, alimentou a planta carnívora faminta e cuidou do girassol tristonho, regando e adubando as raízes.