Volume Um Capítulo 56 Escarlate
Após hesitar por um longo tempo, Kong Yi finalmente voltou seu olhar para aquele livro. Com os olhos abertos, dirigiu-se à mochila e, após tatear por algum tempo, acionou sua vontade. Zhao Ninghe observou, perplexo, enquanto Kong Yi retirava de dentro da mochila um livro antigo e estranho. Aquele volume era de um negro profundo, como se pudesse devorar toda luz ao redor; até mesmo o espírito de quem o encarava parecia ser engolido por aquela escuridão infinita.
O olhar de Zhao Ninghe ficou turvo, fixando o livro antigo, o rosto rechonchudo tomado por uma expressão de vazio e perplexidade. Nesse momento, Zhong Tanfa abriu os olhos abruptamente, como se tivesse sentido algo; fitou o livro nas mãos de Kong Yi, ora lúcido, ora confuso. Após alguns instantes, aproveitou um momento de clareza e mordeu a ponta da língua com força. O gosto de sangue se espalhou pela boca, e, com a dor ardente, Zhong Tanfa desviou rigidamente o olhar e fechou os olhos rapidamente.
Murmurou consigo mesmo por um tempo e, ao reabrir os olhos, já havia uma camada de lucidez sobre eles. "Chi!" exclamou suavemente, despertando Zhao Ninghe de imediato. O velho Zhao olhou para o livro como se tivesse visto um fantasma e logo desviou o olhar para outro lugar. "Abá... abá..." Zhao Ninghe olhou para a mochila e, apontando para o livro antigo, parecia querer perguntar a Kong Yi de onde vinha aquele objeto.
Zhong Tanfa respirou fundo, dissipando a clareza dos olhos e voltou a olhar silenciosamente para Kong Yi. "Ah, isso é..." Kong Yi, sentindo-se acuado diante do questionamento dos dois, inventou uma desculpa: "É uma herança de família". "Sim, é o livro que se transmite há doze gerações na família Kong..."
Zhao Ninghe ficou eufórico, o rosto gordo ruborizado: "Uhu, abá... abá..." Kong Yi imediatamente sentiu as pálpebras tremerem e correu para sentar ao seu lado, murmurando: "Calma, mantenha o segredo, daqui a pouco deixo Yi ao seu lado, não sairá de perto de você". "Uhu..." Os olhos de Zhao Ninghe brilharam e ele se acalmou instantaneamente.
Zhong Tanfa olhou mais uma vez para o livro, percebendo que Kong Yi e Zhao Ninghe pareciam estar tramando algo, mas não perguntou mais nada. Resolvidos, Kong Yi voltou à mochila e acariciou suavemente o livro antigo. No canto esquerdo da capa havia um título, escrito em uma língua antiga que Kong Yi não conseguia decifrar; com seu conhecimento escolar, parecia ser escrita arcaica. Usou um aplicativo de tradução e leu: "Corpo Imortal dos Tempos Antigos".
"Corpo Imortal dos Tempos Antigos..." Kong Yi murmurou: "Esse nome é um tanto exagerado, será que não é falso?" De repente, lembrou-se de um filme que assistira, em que um velho mendigo segurava quatro ou cinco manuais secretos e, com um sorriso malicioso, dizia: "Jovem, vejo que você tem ossos extraordinários, é um prodígio das artes marciais..."
Kong Yi afastou os pensamentos dispersos e, meio incrédulo, abriu o livro antigo.
O livro não tinha palavras, mas à medida que folheava as páginas, o conteúdo surgia automaticamente em sua mente. "Imortalidade dos tempos antigos, longevidade como o céu..." As oito palavras iniciais já revelavam o caráter místico daquela obra. Claro, Kong Yi ainda achava tudo uma grande bravata. Longevidade igual ao céu? Hah... que absurdo. Ao examinar o livro, percebeu que, por ora, ali estava apenas o método de cultivo do primeiro estágio. Apenas quando esse estágio fosse completado, surgiriam os métodos do segundo e terceiro estágios.
O primeiro estágio do Corpo Imortal dos Tempos Antigos era dedicado à pele e carne: usando ervas específicas para fortalecimento, o corpo seria aprimorado; depois, durante a noite, com movimentos especiais de cultivo, absorvia-se a força das estrelas. Por fim, com o impacto de forças externas, combinava-se o poder das ervas e das estrelas escondido na pele e carne. Quando cada centímetro de pele e carne estivesse saturado pela força das estrelas, seria possível avançar ao segundo estágio.
Após ler tudo, Kong Yi mergulhou em reflexão. O impacto não era um problema, mas e seu pequeno irmão? Era tão frágil... Depois de devanear por um tempo, Kong Yi olhou para fora: era alta noite, um momento perfeito para testar o Corpo Imortal dos Tempos Antigos.
"Mestre Daoísta", chamou suavemente. Quando Zhong Tanfa abriu os olhos, Kong Yi apontou para Zhao Ninghe e disse: "Preciso sair, poderia cuidar dele por mim?" "Claro..."
Ao sair do quarto, Kong Yi seguiu direto para o ermo atrás do acampamento, onde era mais silencioso e pouca gente passava. Os movimentos de fortalecimento do livro pareciam simples, mas, por envolverem o Corpo Imortal dos Tempos Antigos, ele preferiu ser cauteloso. Depois de usar o medicamento de cura, os ferimentos em seu corpo já estavam completamente cicatrizados, até mesmo as lesões internas estavam praticamente resolvidas.
O tratamento custara 350 pontos de experiência; somando com o que já havia adquirido, ainda lhe restavam 1600 pontos de experiência. O objetivo de 6580 pontos continuava distante — era o valor necessário para elevar os dados corporais a 500 pontos, requisito para usar o medicamento de atribuição espiritual.
"Ah..." Kong Yi suspirou, olhando para o céu noturno, onde as estrelas formavam rios luminosos. Na verdade, em comparação com a cidade, lugares como a Montanha Ocidental eram mais propícios para cultivar o Corpo Imortal dos Tempos Antigos. Sem a interferência das luzes brilhantes, o brilho das estrelas era mais puro.
Kong Yi soltou uma longa expiração, liberando as impurezas do peito, e começou a executar os movimentos com rigor. A técnica de fortalecimento descrita no livro lembrava o teatro dos cinco animais de Hua Tuo, e não era muito difícil de praticar.
Quando Kong Yi dominou o método, sentiu que o ar estava impregnado de um frescor sutil, que lentamente penetrava em seu corpo através dos poros. O cansaço e a exaustão dissiparam-se, e seus olhos tornaram-se cada vez mais luminosos, como estrelas. O ermo, antes silencioso e sem vento, foi tomado por uma brisa suave; até mesmo o solo sob seus pés mostrou fendas profundas.
Após meia hora, Kong Yi inspirou profundamente e permaneceu de olhos fechados. Na pele e carne, uma sensação fresca circulava, mas seu corpo também começava a sentir dores e rigidez. Passado algum tempo, ele abriu os olhos e murmurou: "Então é por isso que se precisa das ervas de fortalecimento..."
Comparadas aos medicamentos genéticos, a força das estrelas era mais suave. Porém, ao absorvê-la em excesso, ainda surgiam efeitos colaterais como dor e rigidez, e o papel dos medicamentos era elevar a constituição, permitindo ao corpo conter mais força das estrelas.
Kong Yi ponderou um pouco e fechou os olhos para acessar o espaço dos itens. Seu olhar fixou-se nas duas ampolas ao lado da espada de talismã. Ao abrir a descrição, uma frase apareceu diante dele: "Aprimora os genes, precisa ser injetado com diluente." "Nota: intervalo de injeção de duas semanas."
Diferente dos medicamentos de fortalecimento genético, a ampola de aprimoramento não precisava ser dosada; bastava diluí-la e injetar diretamente. Kong Yi olhou ao redor: o ermo escuro, com brisa leve, parecia inseguro.
"Melhor voltar para aplicar..." Ao contrário do Corpo Imortal dos Tempos Antigos, ao usar medicamentos não era necessário tantas explicações. Afinal, com os avanços tecnológicos, qualquer problema poderia ser atribuído aos pioneiros humanos, sem chance de contestação.
Decidido, Kong Yi voltou em direção à pousada. Ao chegar ao acampamento, parou de repente e olhou para o chão, manchado de sangue. Observando atentamente por um tempo, percebeu que as marcas ali estavam mais tênues do que antes. Que estranho...
Sob a luz amarela e apagada, os cadáveres dos caçadores de zumbis e dos próprios zumbis pareciam ter encolhido.