Volume Um Capítulo Quatro O Pensamento Central
【Ding... Missão paralela, ajudar a escapar. Recompensa: dois pontos de habilidade aleatória, três frascos de diluente, um motor de plasma.】
Ao ver os itens da recompensa, Kong Yi ficou completamente confuso. Nem mesmo os itens dados pela abertura da loja eram tão absurdos assim. Para ser sincero, estava bastante tentado, afinal, todos esses objetos seriam úteis no início da catástrofe.
Dois pontos de habilidade aleatória poderiam ajudá-lo a aprimorar suas capacidades cotidianas. O diluente valia duzentos pontos de experiência; se conseguisse obtê-lo, poderia usar a última dose do medicamento genético. E o motor de plasma... esse era essencial para modificar o trailer.
Diante de tamanha tentação, Kong Yi decidiu pagar a conta e partir. Como um veterano em reclusão, sabia bem que quanto melhor a recompensa, mais difícil é a missão. Só o valor dos dois itens já chegava a dois mil pontos de experiência, e os pontos aleatórios eram incalculáveis. Com recompensas tão exageradas, seria esse um desafio sequer possível de realizar?
Até os truques dessa situação estavam claros para Kong Yi. Ele ajudaria a moça, irritaria o jovem tatuado, alguém por trás do rapaz se envolveria, ele não conseguiria vencer, teria de ouvir “não subestime a juventude pobre”, voltaria após três anos, com um velho sábio para ajudá-lo... Desde sempre, a beleza traz problemas, e Kong Yi acreditava que o rei dos cautelosos é quem triunfa; salvar a donzela parecia um absurdo.
Limpou a gordura dos lábios com a mão e passou calmamente ao lado do grupo. O jovem tatuado lançou-lhe um olhar de desprezo: “Esse mendigo é bem esperto.” Kong Yi ignorou, aproximou-se do balcão e pediu: “A conta...”
O atendente olhou para Kong Yi, seus olhos cheios de fúria. “Nem coragem para agir com justiça, ainda se diz humano?”
Kong Yi retribuiu o olhar e riu. Algumas pessoas são assim: tímidas no dia a dia, mas, diante de problemas, só sabem se esconder atrás de sarcasmo e frases sobre moralidade, embora eles mesmos sejam meros espectadores frios.
“Ding... Se o hospedeiro optar por ignorar, a missão paralela será cancelada em três minutos.” O aviso do sistema soou, iniciando uma contagem regressiva.
O proprietário, analisando o pedido, digitou rapidamente na calculadora: “Carne de molho, sanduíche de carne e... ravióli.” “Setenta e um yuans...” “Certo.”
Kong Yi enfiou a mão no bolso, procurou por um bom tempo e só encontrou uma caixa de cigarros vazia.
Droga! Não trouxe dinheiro nem o celular, lembrou que o cartão estava no carro. O dono percebeu que ele procurava e não encontrava nada, então fez um sinal para o atendente.
Kong Yi olhou para o irritado proprietário, consciente de que, sem pagar, acabaria detido e passaria dois dias comendo de graça na delegacia.
“Contagem regressiva para cancelamento da missão paralela: dez... nove...” Kong Yi voltou para perto da moça, com expressão impassível: “Posso te ajudar, mas quero uma recompensa.”
Ela assentiu, lágrimas nos olhos, o pulso já marcado pela força do jovem tatuado.
“Seu desgraçado, o que você tem a ver com isso? Se não quer morrer, saia daqui. Você, covarde, ainda quer bancar o herói?” O jovem tatuado pegou uma cadeira e avançou de forma ameaçadora.
A contagem do sistema continuava. Restando dois segundos, Kong Yi murmurou: “Sistema, aceito a missão!”
Nesse instante, o jovem tatuado, empunhando a cadeira, a arremessou contra a cabeça de Kong Yi. Uma cadeira de ferro atingindo a cabeça certamente causaria concussão, talvez até fratura craniana.
No entanto, Kong Yi não demonstrou medo; com o punho esquerdo, golpeou a cadeira, enquanto com o pé direito chutava o companheiro do rapaz.
Bang!
Com as próprias mãos, Kong Yi deformou a cadeira, e o outro rapaz foi lançado ao chão.
“Caramba, ele é mesmo humano?” O jovem tatuado, vendo a perna de ferro quase quebrada pela força de Kong Yi, ficou atônito.
Aproveitando, Kong Yi avançou, deslizou até o jovem tatuado e agarrou-lhe o pescoço com a mão.
“Se mover, quebro seu pescoço,” disse Kong Yi, glacial.
O rapaz não ousou responder, suas pernas tremendo.
Kong Yi soltou o pescoço, frio: “Deixem o dinheiro da comida e sumam daqui!”
O jovem, aliviado por escapar da morte, queria dizer algo para manter a pose, mas ao ver a cadeira retorcida e pensar na fragilidade do próprio pescoço, apressou-se em puxar o companheiro e fugir.
Kong Yi observou-os se afastarem, então voltou-se para a moça: “A recompensa: setenta e um yuans.”
Ela pegou a bolsa, tirou uma nota de cem e entregou a ele.
Kong Yi recebeu o dinheiro e dirigiu-se à lanchonete. O proprietário, impressionado pela força assustadora de Kong Yi, recusou-se a cobrar, gesticulando que a refeição era por conta da casa.
Constrangido, Kong Yi fingiu irritação até que, temeroso, o dono finalmente aceitou o pagamento.
Neste mundo, até pagar por uma refeição era difícil...
Kong Yi devolveu o troco à moça: “Considere um empréstimo, depois te devolvo.”
Ela olhou para ele, curiosa: “Está tentando conseguir meu contato de forma indireta?”
Kong Yi ficou com cara de poucos amigos; essa mulher era realmente narcisista.
“Não precisa trocar contatos, minha casa fica aqui perto...”
Os olhos dela se arregalaram, o rosto ruborizado: “Isso não é adequado, nos acabamos de conhecer e já quer me levar pra casa.”
“Você...”
Kong Yi ficou sem palavras, perplexo com o raciocínio surreal. Preferiu sair do toldo, lançando de forma fria: “Se quiser o dinheiro, venha, não precisa de tanta conversa.”
Não tinha caminhado muito quando o sistema avisou:
“Ding... Parabéns ao hospedeiro por completar a missão. Grau de conclusão: noventa por cento. Recompensas enviadas ao inventário.”
“Plantio +1, caça +1...”
Esses dois pontos de habilidade aleatória eram ótimos, ainda tinha duas sementes de plantas aleatórias em mãos.
No início da catástrofe, alimentos de supermercados, fábricas e reservas nacionais ainda eram suficientes. Mas, quando acabassem e os campos fossem destruídos pela radiação, as pessoas só poderiam comer criaturas mutantes para saciar a fome.
Em sua vida anterior, Kong Yi enfrentou a fome; por fim, não resistiu e teve de abater dois mutantes para comer. O sabor... era de dar vontade de morrer.
Mas, no fim, humanos são animais; alguns, em extrema fome, até recorreriam ao canibalismo.
O mundo pós-catástrofe era um matadouro, com menos de um décimo sobrevivendo.
“Ei, homem fedido, em que pensa?” A moça acenou diante dos olhos dele, sorrindo: “Ainda não sei seu nome.”
“Kong Yi...”
“Fang Yuyao...”
Kong Yi manteve-se distante; a catástrofe era um massacre, Fang Yuyao, incapaz de se defender, chamava atenção e certamente atraía problemas.
Nesses tempos, os desejos humanos se libertam de qualquer freio moral, proliferando no deserto.
Mulheres bonitas como ela seriam cobiçadas, o que não combinava com a filosofia discreta e cautelosa de Kong Yi.
Fang Yuyao estava intrigada; afinal, era a deusa indiscutível entre os estudantes da Academia de Jingdu. Mas Kong Yi mostrava indiferença, sempre impaciente.
Seria uma estratégia de conquista? Um jogo de inversão? Talvez estivesse tentando chamar sua atenção de uma forma diferente?