Volume I Capítulo 74 Desolação
Como se adivinhasse o que lhe ia na mente, Zhong Tanfa suspirou: “Minha cultivação é limitada. A Antiga Formação Celeste, além de distorcer o espaço, também possui propriedades que confundem a visão, por isso não percebi a anomalia de imediato.”
“Se não fosse assim, eu teria rompido a formação facilmente, sem precisar que meu espírito deixasse o corpo.”
Kong Yi assentiu. Com sua força mental, conseguia sentir vagamente a energia sanguínea avassaladora contida naquele feixe de luz.
Todo o Monte Oeste parecia prostrar-se, tremendo.
“Os outros caçadores de cadáveres devem estar presos em outros pontos neste momento.” Zhong Tanfa lançou um olhar sombrio para o noroeste. “Receio que o grupo de caçadores daquela direção já tenha sido completamente aniquilado.”
Os olhos de Kong Yi se estreitaram, mas logo um lampejo de compreensão surgiu em seu olhar: “Então é por isso que aquela energia sanguínea é tão densa. O Rei dos Cadáveres está escondido ali, não está?”
“Sim.” Zhong Tanfa confirmou com a cabeça. “Ali há um desfiladeiro profundo. Foi lá que o espírito do Rei dos Cadáveres se manifestou anteriormente.”
“Não podemos perder tempo. No máximo em três dias, talvez já em dois, o Rei dos Cadáveres terá recuperado toda sua força. Recomendo que partamos já esta noite.”
Kong Yi respirou fundo, depois olhou para o grupo: “Lang Xing e seu grupo vão para o oeste. O mestre irá para o sul. Eu e Fang Yuyao seguiremos para o sudoeste...”
Ao dizer isso, lançou um olhar a Zhao Ninghe, que exibia uma alegria incontida, e suspirou resignado: “Yi e o velho Zhao vão para o sudeste.”
Zhao Ninghe apressou-se em pegar os petiscos, solícito: “Irmã, diga o que quer comer, seu irmão já descascou e coloca na sua boca...”
“Bah, que falta de vergonha...” Chu Fan, tomado de inveja, não conseguiu se conter.
Ignorando o azedume que pairava no ar, Kong Yi retirou de seu espaço de itens um saco plástico com biscoitos compactados e o entregou a Zhao Ninghe: “Comam isso no caminho. Esses biscoitos sustentam mais. Petiscos não matam a fome.”
Kong Yi pensou que Yi protestaria, mas para sua surpresa, ela permaneceu tranquila.
Yi enfiou a cabeça no saco plástico, pegou um biscoito, abriu a embalagem e mordeu.
Então... um brilho tão intenso que cegaria olhos de aço irrompeu nos olhos límpidos e redondos de Yi.
Kong Yi assentiu, satisfeito. Que criança fácil de agradar.
Nesse momento, Zhong Tanfa olhou ao redor e advertiu: “Logo mais, sigam em frente. Minhas talismãs já dissiparam as distorções espaciais nestas quatro direções.”
“Entendido...” responderam todos em uníssono, seguindo cada um para o seu lado.
Quando estavam prestes a entrar na floresta, Zhao Ninghe parou de repente e perguntou, voltando-se: “Ei, Kong, por que vocês ainda não foram?”
“Hã?” Kong Yi ficou um instante atônito, depois respondeu, pouco convicto: “Sim, sim, já vamos. Vou guardar primeiro os petiscos que vocês compraram.”
Quando dera os biscoitos a Zhao Ninghe antes, Kong Yi pedira que deixasse os petiscos ali, afinal ele e Yi não possuíam artefatos de armazenamento, e carregar tantas coisas só atrapalharia.
“Hehe, Kong, não inventa desculpa.” Zhao Ninghe arqueou as sobrancelhas com um sorriso malicioso. “Tem tantos chalés por aqui, e ninguém...”
A provocação do velho Zhao foi ouvida por Zhou Yixin, que voltava apressada ao acampamento e questionou friamente: “É mesmo, sozinhos aqui, um homem e uma mulher, alta madrugada... Quem sabe o que vocês pretendem?”
Ao lado, os três de Lang Xing riam com expressões sugestivas.
Kong Yi olhou ao redor ao ouvir isso, e por fim avistou, ao sul da floresta, a figura quase invisível de Zhong Tanfa.
Buscando apoio, fitou Fang Yuyao, mas a mulher estava corada e furtivamente lançava olhares a ele.
Ótimo, agora nem pulando no rio Amarelo conseguiria se limpar.
Kong Yi olhou para os petiscos no chão, respirou fundo e de repente, com toda seriedade, fez o gesto de transformação do Ultraman Tiga.
O quê...?
Zhao Ninghe e os outros ficaram boquiabertos.
Zhou Yixin também ficou perplexa, seus olhos de pêssego cheios de espanto: “Você... o que está fazendo?”
Nesse momento, Kong Yi já desistira de se explicar. Voltou-se para a feiticeira Zhou e sorriu enigmaticamente: “Você acredita na luz?”
Os três de Lang Xing quase enfiaram os pés no chão de tanta vergonha. Chu Fan murmurou: “Isso aí não é o Ultraman Tiga?”
Quando Kong Yi gritou o nome do Ultraman, todos viram as dezenas de sacos de petiscos desaparecerem do chão num piscar de olhos.
Ora essa... Tanto teatro só para guardar petiscos?
Quem é que usa artefato de armazenamento e ainda precisa de coreografia... Terá algum fetiche especial?
O belo rosto de Zhong Tanfa estremeceu, subitamente sentindo um futuro incerto.
Será que essa expedição ao Monte Oeste teria algum sucesso?
Até mesmo Yi parou de mastigar o biscoito, olhando para Kong Yi com olhar vidrado.
Kong Yi manteve seu misterioso sorriso.
Se eu não me sentir constrangido, quem se sentirá serão os outros.
“Bem... desculpe incomodar.” Zhou Yixin lançou-lhe um olhar estranho.
Os três de Lang Xing o seguiam, o rosto vermelho de tanto segurar o riso.
“Pff...” Zhao Ninghe não aguentou, riu até perder o fôlego.
Kong Yi olhou para o sul da floresta, o jovem sacerdote assentiu, e logo seus olhos se iluminaram. Com um gesto no ar, disse:
“Palavra de ordem: Silêncio absoluto.”
“Gah...” A gargalhada de Zhao Ninghe cessou de imediato.
“Uuuh... Aba... Aba...”
Ha! Agora quero ver se você me afronta.
Lançando um olhar satisfeito ao desolado Zhao Ninghe, Kong Yi e Fang Yuyao partiram rumo ao sudoeste.
...
O acampamento era o centro; ao sul ficava o caminho de descida da montanha, também aberto aos turistas.
Kong Yi e Fang Yuyao estavam no meio da encosta, de onde era possível ver vagamente as ruas e áreas residenciais próximas ao Monte Oeste.
A noite já estava avançada, quase não havia pessoas nas ruas, o ambiente era tomado por uma quietude sepulcral.
“Kong Yi, está tão silencioso por aqui...” Fang Yuyao mantinha a mão na cintura, a voz trêmula.
Ainda uma garota medrosa... Kong Yi pensou consigo.
Mas não era para menos – naquele ermo, sem um lampejo de luz, felizmente o scanner tinha visão noturna; caso contrário, até ele sentiria um certo receio.
“Não tema, estou aqui.” Kong Yi a confortou, aproximando-se para segurar sua delicada mão.
“Você, você...” Fang Yuyao estremeceu como se levasse um choque, resistiu levemente por um instante, mas logo deixou que ele a conduzisse.
A sensação fria e macia em sua palma o deixou um pouco distraído.
Agora é só de mãos dadas; na próxima, um abraço e um beijo; depois... já posso ajudar a espantar mosquitos.
Às vezes, o amor é simples assim: um passo adiante e tudo muda, de uma leve tentativa para uma cumplicidade profunda.
Bah, que pensamentos indecentes...
Enquanto aspirava discretamente o perfume juvenil da garota, Kong Yi advertia a si mesmo: mulheres são belas calamidades, esqueletos adornados de carmim.
Jovem, mantenha-se firme.
Entre eles, o clima se tornou sutilmente delicado, e, sem perceber, já haviam percorrido metade da rua.
Só então Kong Yi notou que, apesar do tempo decorrido, nenhuma única carroça ou automóvel havia passado pela estrada ao pé da montanha.
Era como se ali fosse uma cidade fantasma, desabitada.
“Estranho...” Kong Yi aproximou-se da beira do caminho, voltou-se para observar ao longe o distrito comercial, e o scanner ampliou ainda mais seu campo de visão, permitindo que enxergasse com nitidez.
Lá, as luzes das ruas brilhavam intensamente, as lojas de ambos os lados ainda abertas, mas não havia uma alma sequer, pairando um silêncio de morte.
Fang Yuyao acompanhou seu olhar e, ao ver aquela cena estranha, a timidez em seu coração diminuiu consideravelmente.