Volume I Capítulo 16 Conversa
Após tomar sua decisão, Kong Yi se levantou e olhou para Sun Degui:
— Acho que você ainda terá que nos acompanhar até o Laboratório Hua Qing. Quando chegarmos lá, sua função será identificar quem é Ding Sha.
Kong Yi apontou para o panfleto publicitário em suas mãos:
— A recompensa é a mesma que está aqui.
Sun Degui esboçou um sorriso nervoso, tremendo visivelmente:
— Não dá mesmo para eu não ir?
— Hehe...
...
Quando os três chegaram ao Hua Qing, já era tarde da tarde.
No caminho, pararam em uma loja qualquer, compraram alguns miojos e salsichas para o almoço.
Para surpresa de Kong Yi, Fang Yuyao, mesmo sendo uma jovem herdeira abastada, não apenas não reclamou da simplicidade da refeição, como ainda comeu com grande prazer, sem qualquer afetação.
Isso fez com que ele passasse a gostar ainda mais dela, claro, desde que Fang Yuyao não criasse animosidade.
Talvez a generosidade da recompensa fosse o motivo, pois mesmo com o clima estranho do lugar, ainda havia muitas pessoas esperando na fila para uma vaga de trabalho.
Olhando ao redor, havia pelo menos vinte pessoas em cada fila.
Havia vinte dessas filas, e os três estavam no final de uma delas.
De tempos em tempos, algum funcionário aparecia, e Kong Yi aproveitava para escanear rapidamente.
O que o surpreendeu foi o fato de que todos os funcionários do local tinham força física em torno de vinte e cinco pontos, um patamar equiparável ao de um atleta comum.
A cada vez, um funcionário diferente conduzia o grupo para dentro, o que significava que havia pelo menos vinte pessoas com esse nível de força.
— I-irmão...
De repente, Sun Degui murmurou com voz trêmula:
— O-o-o-olha lá...
Já haviam entrado vários grupos, e um funcionário veio buscar o grupo de Kong Yi.
O que Sun Degui apontava era para o homem com traje de proteção que liderava o grupo.
Já era entardecer, o céu estava encoberto, e Kong Yi não conseguia ver direito o rosto do homem.
Sun Degui engoliu em seco, quase chorando:
— Aquele que está na frente... É Ding Sha.
Ao ouvir isso, Kong Yi se sobressaltou e, ao finalmente conseguir ver o rosto do homem, ficou igualmente surpreso.
Ding Sha não era apenas alguém conhecido, mas tinha uma ligação considerável tanto com ele quanto com Fang Yuyao.
Agora fazia sentido a missão gerada pelo sistema ao receber a ordem de captura: destruir a base de Qingfan, fase dois.
— Jamais imaginei que te encontraria num lugar como este...
"ACE-627!"
Kong Yi encolheu-se ainda mais na fila, pensando:
— Sistema, escaneie os sinais vitais de Ding Sha.
"Din..."
"Ding Sha (ACE-627), masculino.
Força: 56
Agilidade: 62."
"Nota: A frequência cardíaca deste indivíduo é de 27, pressão arterial e temperatura corporal abaixo do normal, e os demais sinais vitais praticamente nulos."
Droga, esse sujeito... é mesmo um zumbi?
Kong Yi mal podia acreditar que, antes mesmo do colapso, já existissem empresas com tamanha tecnologia obscura.
Além disso, os valores físicos e o nível de consciência de Ding Sha superavam de longe qualquer zumbi.
Se alguma empresa conseguisse criar soldados como esse em massa, dominaria a fase inicial do caos.
Resta saber se esses indivíduos queriam acabar com o desastre ou apenas se aproveitar dele.
Kong Yi se lembrava vagamente de que, na última varredura, os valores físicos de ACE-627 eram inferiores aos dele — tinha 48 pontos de força — e em apenas três dias subiu para 56.
Normalmente, uma pessoa comum leva dois meses de treino para aumentar oito pontos de força.
O que será que estão fazendo neste laboratório?
A fila avançava lentamente. Kong Yi empunhou uma adaga do inventário, mantendo-se atento a ACE-627, preparado para qualquer emergência.
Quando entraram no prédio, rugidos abafados ecoavam pelos corredores vazios.
O som lembrava o de zumbis, mas carregava uma pitada de humanidade. Kong Yi percebeu um tom de sofrimento no barulho.
Fang Yuyao, com um punhal de liga metálica na mão, seguia de perto Sun Degui. Seus atributos físicos já se aproximavam dos de ACE-627, então não teria problemas para se proteger.
— Zzzzz...
De repente, um zumbido soou pelo corredor, como o de asas de um inseto.
— Que droga, até aqui tem mosquito? — resmungou um homem alto e gordo na frente da fila. — Acho que acabei de ser picado.
— Hahaha... O lugar pode até parecer sofisticado, mas no meio do nada, é mosquito pra todo lado.
— Nem me fale, só por causa do salário alto mesmo, senão ninguém aguentava isso.
De repente, a fila, antes silenciosa, tornou-se animada.
Mas o homem alto e gordo calou-se abruptamente, e mesmo com o grupo à frente avançando, ele ficou parado, imóvel.
Passado um tempo, alguém atrás dele, já impaciente, deu-lhe um leve tapinha:
— Ei, amigo, anda logo.
Mal terminou de falar, o homem balançou e tombou para a frente, caindo rígido.
O que o tocou ainda tentou disfarçar:
— Hahaha... Amigo, esse tipo de brincadeira não tem graça.
Porém, alguns segundos se passaram e o homem continuou deitado de bruços, imóvel.
As pessoas atrás avançaram, alguém virou o homem de costas e encostou o dedo em seu nariz.
— Merda, merda, merda... — exclamou, retirando a mão como se tivesse levado um choque. — Eu só dei um tapinha nele, como é que o cara morreu?
Kong Yi, misturado à multidão, observava tudo silenciosamente.
Sun Degui ficou pálido ao ver a cena:
— Rapaz, agora você sabe quem é Ding Sha, posso ir embora?
Aquilo era muito estranho, e ao notar o tom acinzentado e doentio do rosto do homem morto, além de pensar no destino de Ding Sha, Sun Degui quase perdeu o controle da bexiga.
Kong Yi, vendo o nervosismo do outro, retrucou impaciente:
— Você tem coragem de voltar agora?
— A causa da morte daquele homem provavelmente tem a ver com o zumbido. Aqui está cada vez mais perigoso, voltar sozinho seria ainda pior.
Ao ouvir isso, Sun Degui começou a sacudir freneticamente as roupas, com medo de ter sido atacado pelo inseto desconhecido.
Em seguida, agarrou-se ao braço de Kong Yi, como uma criança assustada.
— Então tá, rapaz, vou ficar com você.
Kong Yi ignorou-o e trocou um olhar com Fang Yuyao, sinalizando para que ela se cuidasse.
Depois, avançou na multidão, buscando enxergar, por entre os espaços, o corpo do homem morto.
— Sistema, identifique a causa da morte.
"Din... Injeção de toxina genética classe G, causa da morte: parada cardíaca."
Ao mesmo tempo, percebeu um vergão arroxeado no pescoço do homem, do lado esquerdo.
Kong Yi vasculhou o corredor com o olhar, alerta, mas o zumbido já havia sumido e não havia sinais de inseto algum.
O tumulto chamou a atenção dos funcionários do laboratório. Dois homens de traje de proteção dispersaram a multidão e fizeram uma rápida inspeção no corpo.
Um examinava, o outro anotava dados, e Kong Yi conseguia ouvir, ao longe, fragmentos da conversa entre eles.