Volume Um, Capítulo Setenta e Cinco: Não há muita diferença
Após uma breve observação ao redor, ela franziu a testa e perguntou: “Há menos moradores nas proximidades do Monte Oeste? Por que essa rua comercial está completamente deserta?”
“Pois é…” murmurou Kong Yi, semicerrando os olhos enquanto zombava: “Já dava para gravar um episódio de 'Em Busca da Ciência' aqui.”
Era o final do verão, o clima ainda estava agradável e, normalmente, nesta época, as churrascarias e as lojas de espetinhos estariam lotadas, com muitos homens de torso nu conversando animadamente do lado de fora. Como natural da Velha Cidade Vermelha, Kong Yi sabia que, naquela região do Monte Oeste, certos restaurantes de comida rápida eram especialmente populares, mas agora, ao olhar em volta, todos estavam abertos, porém vazios.
Algo estava errado...
A cena lembrava uma catástrofe, mas com algumas diferenças. Quando o desastre chegava, zumbis e algumas criaturas mutantes de classe H invadiam a cidade, e aos poucos, todo o sistema elétrico urbano colapsava. Problemas como refugiados, fome e pragas surgiam em seguida. Quando quase vinte por cento da população morria na fase inicial do desastre, a humanidade começava a dominar rudimentos de sobrevivência.
Os supermercados eram os primeiros a serem esvaziados, seguidos pelas lojas de utilidades domésticas, e só dias depois alguém se lembrava das mercearias de grãos e óleo. Nesses momentos, a verdadeira natureza humana vinha à tona, e o desejo se tornava incontrolável. Houve quem comesse os próprios filhos, houve quem vendesse a esposa sem hesitar por alguns pães ou pacotes de macarrão instantâneo.
Na vida passada, após o desastre, Kong Yi já estivera nos arredores do Monte Oeste, à procura de um abrigo adequado. A cena então era semelhante à de agora, apenas sem as luzes brilhantes.
“Uff...” Kong Yi soltou um longo suspiro, afastando-se das lembranças. Desta vez, com o desastre antecipado, as autoridades agiram rapidamente, e a humanidade não seria tão pega de surpresa.
Durante esses pensamentos, as ruas próximas do Monte Oeste continuavam desertas, nem mesmo um carro passando. Isso indicava que nada daquilo era coincidência. E aquela sensação ele já experimentara antes: quando fora atacado por um sujeito experimental diante do bar CATCLUB, as ruas comerciais da velha zona estavam do mesmo jeito.
Naquela ocasião, foi Er quem hipnotizou os moradores locais.
“Hua Qing também está aqui…” murmurou Kong Yi para si mesmo.
Subitamente, um cheiro forte de sangue invadiu o ar. No instante em que Fang Yuyao ficou atônita, Kong Yi já reagira ao som. Avançou um passo, recuou levemente o braço direito e, num movimento repentino, acertou com força a sombra diante de si.
Um baque surdo ressoou. Kong Yi se inclinou para trás e a sombra foi arremessada por seu soco.
“São zumbis...” Fang Yuyao também puxou sua adaga, cravando-a rapidamente em outra sombra que disparava ao lado.
Kong Yi olhou ao redor com rapidez. No campo de visão, havia seis zumbis. Eles diferiam dos comuns, envoltos por uma aura tênue de sangue, igual àquela vista no cânion do noroeste.
Seria a influência da antiga formação?
O olhar de Kong Yi era grave. Em pensamento, chamou baixinho: “Sistema, varredura…”
Um aviso soou.
“Zumbi, criatura mutante classe H
Força: 42
Agilidade: 45
Habilidades: Mordida, regeneração de membros (lenta)”
Mal teve tempo de ler os dados quando três sombras se lançaram em formação para cercá-los. Fang Yuyao, ligeiramente curvada, parecia uma pantera em caça; a lâmina da adaga cintilava à luz enquanto ela investia contra o zumbi à frente.
Kong Yi, por sua vez, esquivou-se ágil, atingindo um deles com uma chicotada da perna e, logo em seguida, esmagando com o punho revestido de armadura eletromagnética o crânio de outro zumbi.
Imediatamente, cérebros e carne espirraram, enchendo o ar de um cheiro ainda mais forte de sangue. Ele aproveitou o embalo e arremessou o corpo sem cabeça, bloqueando outro zumbi à frente.
No instante em que Fang Yuyao decepava o braço de um zumbi atrás deles, Kong Yi avançou e destroçou metade do corpo da criatura.
Num piscar de olhos, os dois já haviam eliminado quatro zumbis; os dois restantes também foram rapidamente destruídos.
Um zumbido sutil ressoou pelo Monte Oeste, e ondas de energia pura se espalharam em todas as direções.
“Hm? Alguém já chegou...” Kong Yi virou-se ao ouvir.
Mas, para sua surpresa, quem chegou primeiro não foi Zhong Tanfa, mas sim Yi e o velho Zhao, que vinham pelo sudeste.
Pensando um pouco, Kong Yi compreendeu. Yi agora havia absorvido as habilidades da Aranha Jin Duo e da Rainha dos Insetos; seus dados físicos já se aproximavam de trezentos. Mesmo arrastando Zhao Ninghe, ela chegaria rápido ao destino.
Só de pensar naquela habilidade monstruosa de devorar, Kong Yi sentia inveja até o âmago. Se Yi conseguisse absorver as habilidades do Senhor dos Mortos e do Rei dos Mortos, seria praticamente invencível.
Suspirando diante desse devaneio, Kong Yi percebeu que era loucura sua — um plano de criar chefões para treinar.
Segundo o mapa do Monte Oeste disponível na internet, eles estavam a cerca de dois mil metros dos montes do sudoeste; bastava atravessar a floresta à frente para chegar à posição do Guardião do sudoeste.
Assim que entraram na mata, uma lança voou quebrando o ar.
“Cuidado...” advertiu Kong Yi num tom baixo, puxando Fang Yuyao para trás e recuando rapidamente.
Durante a fuga, Kong Yi localizou a posição do zumbi, pulou alto, quebrou um galho com um chute e o lançou com força para a frente à esquerda.
O galho afiado perfurou a nuca do zumbi, destruindo o cristal do cadáver.
Os dois avançavam com cautela, procurando abrigo enquanto seguiam em frente. No caminho, encontraram mais alguns zumbis, mas nada além de sustos.
Kong Yi conferiu sua posição e alertou: “Logo à frente fica o local do Guardião. Cuide-se.”
Se até os zumbis comuns estavam mais fortes, certamente o Guardião da antiga formação teria um aumento ainda maior — talvez de trinta ou quarenta pontos nos dados físicos.
Sob a luz fria da lua, Kong Yi divisava ao longe os montes ondulantes fora da mata.
Um rugido soou ao seu lado. Kong Yi ergueu o braço, bloqueou o punho do zumbi e, num golpe de mão em lâmina, atravessou-lhe a garganta, cravando a palma até a nuca e esmagando o cristal do cadáver.
O cristal dos zumbis comuns ainda continha esporos antigos imaturos, sendo até tóxico. Só o cristal do Rei dos Mortos servia para aprimorar os dados físicos.
Quando os dois saíram da mata e entraram nos montes, a coluna de energia límpida à frente tremia intensamente. Ondas sucessivas de energia se espalhavam dali para fora.
Ao mesmo tempo, do sul, outra onda poderosa de energia se erguia.
“O sacerdote também chegou...” murmurou Kong Yi, enquanto finalmente enxergava claramente o Guardião adiante.
Mas, ao distinguir o rosto do Guardião, ficou boquiaberto.
Por que era Daozhong? Ele não tinha sido morto por Yi?
O Guardião diante de Kong Yi tinha metade do rosto apodrecido, uma marca de nascença ainda intacta no braço direito, e a túnica imunda — indistinguível em cor — era idêntica àquela que Daozhong usava.
Droga, o que significava aquilo...?
Lançou um olhar para o lado e viu Fang Yuyao também franzindo a testa, como se tentasse lembrar da identidade de Daozhong.
“Maldito sacerdote, que me arruinou!” O olho de Kong Yi tremia de raiva. Ele tinha certeza de que certas propriedades da antiga formação nem Zhong Tanfa compreendia por completo.
Um novo rugido soou.