Volume Um Capítulo Dezoito – Métodos de Ataque
Afinal, a baioneta de liga metálica que Kong Yi havia trocado anteriormente ainda estava nas mãos de Fang Yuyao, e aquele objeto era capaz de perfurar facilmente uma placa de aço.
“Está bem...” respondeu Fang Yuyao, recolhendo silenciosamente a baioneta.
Kong Yi aproximou-se para avisar Sun Degui, e os três seguiram vagarosamente, na escuridão, em direção à saída.
Quando se aproximaram, Kong Yi olhou pela janela e viu que ainda havia um funcionário de guarda do lado de fora.
Fez um gesto de silêncio para os dois, retirou a adaga e abriu a porta apenas o suficiente para passar, saindo rapidamente.
O funcionário reagiu rápido; no instante em que a porta se moveu, ele desferiu um soco em Kong Yi.
Kong Yi desviou de lado e, ao mesmo tempo, cravou a adaga no flanco do homem, bem onde ficava o baço — o ponto mais eficaz para um ataque dessas circunstâncias.
O funcionário, surpreso, recuou velozmente, mas a agilidade de Kong Yi era ainda maior; ele avançou e bateu com o dorso da lâmina na nuca do adversário.
A mudança de movimentos foi tão rápida que o funcionário não conseguiu reagir e desmaiou na hora.
Kong Yi suspirou profundamente, levantou o traje de proteção do homem e, em meio ao conteúdo, encontrou um óculos de visão noturna.
Já suspeitava disso antes: aquele sujeito devia estar com equipamento de visão noturna, caso contrário, seria impossível enxergar seus movimentos em um ambiente tão escuro.
“Podem sair, está resolvido”, chamou Kong Yi em voz baixa.
Após Sun Degui e Fang Yuyao saírem da sala de exames, ele entregou o óculos de visão noturna para Fang Yuyao.
“Coloque, é um equipamento de visão noturna.”
Sun Degui olhou para o equipamento, sorrindo de modo bajulador: “Não vai privilegiar só ela, né, rapaz? E o meu?”
Vendo aquela expressão ansiosa, Kong Yi resmungou: “Quer então ficar por último protegendo a retaguarda?”
“Não... não, é melhor deixar com ela mesmo.”
A luz da lua, translúcida como a água, invadia o corredor; mesmo assim, a tênue claridade não era capaz de afastar a escuridão.
No corredor vazio, de vez em quando ouvia-se um grito lancinante, tornando o ambiente ainda mais sinistro.
Os três avançaram apressados rumo à saída; o plano inicial de Kong Yi era conduzir Fang Yuyao e Sun Degui para fora e depois voltar sozinho para investigar.
Porém, ao chegarem ao portão de saída, a porta eletrônica do Laboratório Huaqing estava trancada e, por mais que tentassem, não conseguiam abri-la.
O prédio inteiro parecia um matadouro lacrado, e eles eram as presas presas ali dentro.
“Droga, por que trancaram essa porta? Esses desgraçados...” Sun Degui, desesperado, cravou as unhas nas frestas tentando puxá-la, mas a porta eletrônica gelada não se moveu um milímetro.
Kong Yi concentrou forças e se lançou contra a porta, só conseguindo um pouco de tontura e nenhum resultado.
Sob a luz da lua, a porta de metal ganha reflexos prateados e lilases, fria e rígida. Kong Yi desistiu da ideia de arrombá-la com força bruta.
Aquela coisa devia ser feita de alguma liga especial; com seus 52 pontos de força, talvez não conseguisse sequer amassar uma das bordas.
Vendo que a força era inútil, Fang Yuyao passou a lâmina da baioneta de liga sobre a porta, mas nem um arranhão ficou.
Ela franziu a testa e supôs: “Sendo aqui um laboratório, provavelmente há um gerador reserva; quando o prédio voltar a ter energia, a porta abrirá automaticamente.”
Kong Yi refletiu por um momento. Sem pensar em alternativa melhor, resignou-se: “Bem... Se encontrarmos perigo, procurem um local seguro por perto e se escondam.”
“Se houver confronto, não vou conseguir proteger vocês ao mesmo tempo.”
Na verdade, ele não se preocupava com Fang Yuyao. Ela tinha a baioneta de liga, sua força já chegava perto do antigo ACE-627; mesmo em apuros, poderia se livrar pela força.
Essas palavras eram mais para tranquilizar Sun Degui.
Felizmente, o sujeito tinha certa consciência de suas limitações e acenou apressado: “Pode deixar, rapaz, vou cuidar de mim mesmo, não vou te causar problemas.”
Depois das recomendações, os três avançaram em fila: Kong Yi na frente, Fang Yuyao na retaguarda e Sun Degui, o mais fraco, no meio.
A escada ficava em frente à sala de exames; o elevador próximo à porta do prédio estava temporariamente fora de serviço devido ao apagão.
Ao retornarem pelo mesmo caminho, Kong Yi notou sangue fresco ainda não coagulado na fresta da porta da sala de exames, e um cheiro forte e metálico de sangue impregnava todo o corredor.
Como ele suspeitava, sem energia, os espécimes nos tanques haviam voltado à vida.
Aquelas pessoas provavelmente já estavam mortas.
Diante daquela cena, Kong Yi sentiu certo pesar, mas não culpa.
Ao fugir, ele havia eliminado o funcionário da entrada, abrindo um caminho de fuga para os outros.
Ficar na sala de exames fora uma escolha deles. Kong Yi acreditava ser apenas uma pessoa comum, não um salvador do mundo.
Às vezes, ele ajudava, mas sua sobrevivência vinha em primeiro lugar.
A natureza humana é, no fim das contas, egoísta, e ele era apenas um pequeno homem entre tantos outros.
Ao subirem as escadas, Fang Yuyao viu o chão coberto de sangue e empalideceu, retendo o vômito. Nem mesmo Sun Degui resistiu ao enjoo.
“Malditos monstros!” murmurou Sun Degui, com raiva ressoando no corredor escuro.
...
Minutos depois, vasculharam o segundo e o terceiro andares, mas não encontraram nenhum sinal do gerador reserva.
Pelo corredor e nas salas, encontraram vários corpos dilacerados e vísceras espalhadas pelas paredes.
A cena de carnificina era tão chocante que os três vomitaram sem parar; Sun Degui quase se urinou de medo.
Porém, após a busca, Kong Yi encontrou, no quarto mais ao fundo do terceiro andar, muitos dados e relatórios do Laboratório Huaqing.
Nesse momento, Sun Degui perdeu a coragem: “Rapaz... se não der, vocês sobem ao quarto andar, eu prefiro não atrapalhar.”
“Tudo bem...” Kong Yi riu com desprezo: “Se alguma coisa subir de baixo, grite bastante antes de morrer, assim nós dois temos tempo de pensar em algo.”
Dito isso, ele e Fang Yuyao começaram a subir para o quarto andar, ignorando o apavorado Sun Degui.
Um rugido ecoou ainda mais alto.
Sun Degui gelou, e acabou correndo atrás dos dois, tropeçando pelas escadas.
O quarto andar era diferente dos demais. Logo ao subir, antes mesmo da curva para o quinto andar, havia uma porta.
No centro dela, um mecanismo de engrenagem; toda preta com reflexo prateado, lembrava os cofres de bancos.
Com o molho de chaves retirado dos cadáveres, Kong Yi abriu a terceira chave testada.
Diferente do esperado, o local parecia uma residência comum: ao entrar, havia um apartamento de cerca de trinta metros quadrados e dois quartos.
Um tapete macio e cinza, um sofá de couro verdadeiro, e o armário embutido na parede todo coberto de desenhos animados.
Comparado ao lado de fora, aquilo era um verdadeiro refúgio.
“Vejam isto...” chamou Fang Yuyao, vinda do quarto à direita.