Volume Um, Capítulo 46: Um Passo à Frente
Os quatro atravessaram o corredor repleto de destroços, e quando Fang Yuyao, a primeira da fila, chegou ao local, estava prestes a se sentar quando alguém, de forma brusca, apressou-se e se acomodou ao seu lado.
Fang Yuyao franziu o cenho, desviando o corpo para evitar o contato com o homem, que aproveitou a oportunidade para tentar se sentar na cadeira.
As pessoas ao redor, ao assistirem aquela cena, lançaram olhares divertidos e maliciosos para Kong Yi, como se aguardassem um espetáculo.
Kong Yi olhou para o homem, esticou rapidamente a perna e prendeu a cadeira. Com um leve toque com a ponta do pé, afastou a cadeira.
O homem, desequilibrado, tentou se agarrar à perna da mesa, mas ela era leve demais para sustentar seu peso, e ele acabou caindo.
Um estrondo ecoou—
A mesa tombou sobre ele, e, ao cair, o homem ainda derrubou a mesa vizinha.
Pratos e talheres voaram, atingindo-o de forma que seus olhos quase saltaram das órbitas.
O barulho das tigelas quebrando e mesas caindo silenciou abruptamente o ambiente agitado do restaurante.
— Filho da mãe, maldito, quer morrer? — O homem, levantando-se de maneira atabalhoada, afastou os objetos de cima de si e xingou furioso.
Kong Yi lançou-lhe um olhar; o homem estava com o rosto coberto de grãos de arroz, e um fio de carne pendia da orelha, tornando a cena ridícula.
Sem se importar, Kong Yi pegou uma cadeira e sentou-se à mesa vazia próxima, seguido pelos outros três, que também se acomodaram sem dar atenção ao homem.
— Sistema, escaneie — murmurou Kong Yi mentalmente.
— Ding...
— Nome: desconhecido, sexo: masculino
Força: 47
Agilidade: 39
Habilidade: Krav Maga... —
Kong Yi semicerrou os olhos. Com esses dados físicos, mesmo entre os inúmeros caçadores de mortos-vivos de Montanha Ocidental, esse homem seria raro.
Além disso, era expert em Krav Maga; sua capacidade de combate poderia rivalizar com o ACE-627 de antes.
Quando o homem se levantou, os clientes da mesa derrubada o xingaram: — Está cego, quer brigar ou quê...?
— E daí? Algum problema? — o homem, tomado pela raiva, arregaçou as mangas até os ombros e interrompeu com arrogância.
O cliente, corpulento, com uma cicatriz que atravessava o rosto até o queixo, não parecia ser fácil de lidar.
Ele bufou, com as veias do rosto saltando, e estava prestes a continuar a xingar, quando notou a tatuagem de totem no braço esquerdo do homem.
— Caminho do Lobo?! — exclamou, surpreso.
Os demais, ao ouvir o grito, voltaram-se para aquela direção.
O cliente, antes feroz, mudou repentinamente de atitude; com um sorriso bajulador, sugeriu: — Irmão do Caminho do Lobo, se quiser, sente aqui, não precisa se incomodar com esses mortos-vivos.
Kong Yi ficou atento às palavras. Antes de chegar à Montanha Ocidental, havia pesquisado sobre as guildas de caça.
Lembrava vagamente que Caminho do Lobo era uma das dez equipes de caça mais bem classificadas na guilda.
O ranking das equipes era baseado no número de mortos-vivos abatidos; Caminho do Lobo havia eliminado 89...
Os mortos-vivos surgiram há três dias em Cidade Vermelha, e abater 89 em tão pouco tempo era prova da força deles.
O número de mortos-vivos abatidos era atualizado constantemente no fórum; hoje, Caminho do Lobo ocupava o sétimo lugar.
A equipe tinha sete membros, e diziam que o líder era poderoso, uma presença misteriosa.
Metade dos mortos-vivos abatidos era atribuída ao líder.
Se um membro comum tinha aqueles dados físicos, a força da equipe não deveria ser subestimada.
O homem do Caminho do Lobo ignorou o cliente bajulador e caminhou diretamente até os quatro, que estavam escolhendo seus pratos, com o rosto carregado de raiva.
A atenção de todos se voltou para eles.
Desde que entraram, haviam atraído olhares; com a proliferação de mortos-vivos em Montanha Ocidental, muitos caçadores estavam ali para obter recompensas.
No grupo, havia uma mulher, uma criança, e Kong Yi, de pele clara e aparência frágil, embora com músculos definidos, destoava dos homens robustos.
O único que parecia confiável era Zhao Ninghe, mas, mesmo assim, estava acima do peso e não inspirava segurança.
Muitos acreditavam que o responsável pelo acesso à base da Montanha Ocidental havia sido negligente e permitido que turistas entrassem.
— Que ousadia, mexer com gente do Caminho do Lobo.
— Que pena daquela moça, será que conseguirá sair viva da Montanha?
— Você até parece preocupado com ela...
Quando o homem se aproximou dos quatro, os espectadores não mostraram piedade, apenas curiosidade e satisfação diante da possível confusão.
Ali, o respeito era conquistado pela força; se Kong Yi e seus companheiros fossem punidos, seria considerado merecido.
— Se não quer que eu arranque seu pé, ajoelhe-se e peça desculpas... — O homem avançou para Kong Yi, olhos cheios de fúria.
Kong Yi continuou escolhendo os pratos, indiferente, e Fang Yuyao e os outros também ignoraram sua presença.
— Insolente... — murmurou o homem, irritado, apertando ainda mais a mão.
No entanto, Kong Yi permaneceu imóvel como uma rocha, nem mesmo o ombro tremeu.
O homem, agora atento, comentou friamente: — Você tem algum talento.
Transformou a mão em punho e golpeou violentamente o pescoço de Kong Yi, ao mesmo tempo em que chutou a perna da cadeira.
— Barulhento — Kong Yi, após a cadeira de madeira se despedaçar, levantou-se de repente e bloqueou o punho do homem com a mão.
Um impacto surdo ressoou pelo restaurante.
Kong Yi mudou de técnica instantaneamente, transformando a mão em lâmina e golpeando a nuca do homem.
— Hah... acha que sou como aqueles mortos-vivos sem cérebro? — O homem, percebendo a intenção de Kong Yi, sorriu com desprezo.
Mas ao tentar bloquear o golpe com o braço, viu Kong Yi mudar de técnica mais uma vez.
— Essa velocidade... — pensou, surpreso.
Kong Yi socou o abdômen do homem e, em seguida, girou a perna para acertar o ombro dele.
O homem reagiu rápido, mas conseguiu apenas bloquear o soco.
O chute estalou no ar, seguido de um estrondo, e o homem foi arremessado para trás.
Depois de derrubar várias mesas, colidiu violentamente contra a parede. Kong Yi, então, pegou um par de hashis descartáveis e os lançou com força.
— Maldito, hoje vou te rasgar vivo... — O homem levantou-se com dificuldade, xingando furiosamente.
Nesse instante, os hashis voaram, roçando sua orelha e cravando-se na parede.
Um estrondo, com o final do hashis ainda vibrando, enquanto fragmentos de parede se espalhavam.
O homem engoliu em seco, sangue escorrendo da orelha ferida.
Virou-se rigidamente para observar os hashis cravados na parede, com o rosto lívido.
— Droga, antes fui descuidado, esse lugar é apertado demais, tem coragem de sair para lutar? — O homem bradou, tentando disfarçar o temor.
— Chu Fan... — De repente, uma voz feminina, sedutora e envolvente, ecoou na entrada: — Mandei você ocupar um lugar, e já arrumou toda essa confusão.
— Trouxe tantos problemas para mim, tome cuidado ou te jogo na montanha para alimentar o Rei dos Mortos-vivos.
A voz era clara e melodiosa, como o tilintar de joias, mas tão envolvente que parecia exalar doçura.