Volume Um Capítulo 53 Uma Boa Oportunidade
Esta era a chance perfeita para matá-lo.
Ambos eram poderosos, mas aquele rapaz era tão duro quanto um casco de tartaruga; além do bracelete metálico que o ajudava na defesa, ainda havia uma estrutura de liga metálica em seu abdômen.
Do outro lado, Daozhong e Daokong estavam sendo pressionados sem conseguir levantar a cabeça—era questão de tempo até perderem.
E, o mais revoltante, Daozhong estava sendo completamente dominado por uma garotinha que aparentava sete ou oito anos, sem a menor chance de reagir.
Agora, matar Kong Yi era a chave para mudar o rumo da batalha!
As figuras de Daoqing e Daoshi tornaram-se indistintas, e num piscar de olhos estavam diante de Kong Yi. Num breve instante de hesitação, o cerco mortal já estava formado.
A mão destroçada de Daoqing avançou diretamente para a garganta de Kong Yi, enquanto Daoshi transformava a perna em chicote e a lançava contra seu rosto.
O ar vibrava violentamente, cortando a face de Kong Yi com ardor. Ao despertar, assustado, o chicote de Daoshi já lhe descia sobre o rosto, com uma força tirânica que fazia o ar se dispersar em todas as direções.
Desesperado, Kong Yi ergueu o braço protegido pelo bracelete eletromagnético. Ainda assim, o impacto do golpe o fez recuar vários passos.
Nesse exato momento, a mão destroçada de Daoqing ficou a apenas um centímetro de sua garganta.
Do lado de fora, Fang Yuyao vacilou levemente, os olhos amendoados cheios de pânico enquanto olhava naquela direção; suas pequenas mãos se fecharam involuntariamente, cravando as unhas afiadas nas palmas.
— Hehehe...
De repente, uma risada sedutora ecoou pelo acampamento e uma figura hipnotizante surgiu como um espectro.
Ela girou o punhal na mão, cortando a mão de Daoqing, e uma luz gélida como geada iluminou o rosto surpreso de Kong Yi.
— Seu homem de sorte... hoje você escapou.
Mal terminou de falar, um clarão cortante relampejou como um raio e, num instante, a mão de Daoqing foi decepada.
— Grrrraaaah!
O grito de dor retumbou na noite. Daoshi, tomado de fúria, tinha nos olhos negros um brilho de loucura assassina.
— Maldita mulher! Hoje vou devorar você viva!
Para que um zumbi alcançasse o status de rei dos mortos, era preciso que tanto o espírito quanto o sangue estivessem completos. Para isso, caçavam humanos e absorviam suas energias.
Ao arrancar-lhe uma das mãos, Zhou Yixin privava Daoshi de parte de sua energia vital, o que seria um obstáculo na futura ascensão ao posto de rei dos mortos.
Afinal, regenerar um membro amputado era ainda mais difícil do que restaurar carne e sangue corrompidos.
Se perdesse o momento certo, o destino de Daoshi seria ser devorado por outros chefes zumbis, tornando-se apenas um degrau para que eles próprios se tornassem reis.
Eis a razão de sua fúria descontrolada...
Daoshi pisou com força, rachando o solo de pedras; o impacto fez fragmentos voarem pelo ar. Ele apanhou algumas pedras e, com um estalar de dedos, lançou-as contra Zhou Yixin.
O zunido cortou o silêncio—várias pedras do tamanho de polegares rasgaram o ar, destruindo as imagens ilusórias que Zhou Yixin deixava.
— Uma ilusão? — murmurou Daoshi em tom sombrio.
Preparava-se para persegui-la quando, de repente, uma sombra negra foi lançada ao solo diante dele.
Todos se sobressaltaram, voltando os olhos para aquela cena.
A silhueta rolou algumas vezes até parar, revelando sua verdadeira identidade.
— Daozhong?! — Daoshi arfou, a voz rouca tomada de espanto.
Os caçadores de zumbis também notaram: havia um buraco sangrento de cerca de cinco centímetros na nuca de Daozhong.
E todos se lembravam: quem o havia detido fora justamente a garotinha do grupo de Kong Yi.
Um silêncio nervoso pairou enquanto todos olhavam para Yi, que limpava cuidadosamente o sangue das mãos, cheios de dúvidas e inquietação.
— Isso é um ultraje! — Daoshi recuperou-se, tomado pela fúria.
Ao seu redor, a energia se agitava e suas mãos formaram selos estranhos; o rosto corrompido era tomado por um brilho puro, e por um instante sua presença tornou-se até mesmo imponente e justa.
— Daoshi! — bradou Daoqing em tom baixo, advertindo-lhe com significado: — Não estrague os planos daquele.
Ao ouvir isso, um lampejo de temor cruzou os olhos de Daoshi, que, relutante, respondeu:
— Hmph! Por ora, deixarei vocês viverem!
Desfez o selo, inclinou-se para apanhar o corpo de Daozhong, lançando a Yi um olhar de alerta.
Daoshi observou ao redor: tanto o número de zumbis quanto o de caçadores havia caído para cerca de trinta por cento.
Após breve reflexão, ordenou em tom grave:
— Retirada...
E, sem mais se importar com o restante dos zumbis, correu sozinho rumo ao ermo.
Daokong, ao ouvir, dispersou com sua espada a névoa azulada de energia e também bateu em retirada.
Durante esse tempo, Daoqing e Kong Yi mantiveram uma estranha trégua; Daoqing lançou um olhar sombrio aos caçadores e partiu, acompanhando Daokong e Daoshi.
As três criaturas desapareceram na noite, e Kong Yi e os outros não os perseguiram—afinal, o Monte Oeste era domínio dos mortos-vivos.
Ali ainda era área turística, mas adentrando mais, até eles desconheciam o terreno selvagem.
— Ufa... — Kong Yi soltou o ar, recuperando o ânimo ao correr até um dos zumbis próximos.
Abaixou o centro de gravidade, acumulou energia no braço revestido pelo bracelete eletromagnético e desferiu um soco brutal na nuca do morto-vivo.
Um som surdo ecoou; o zumbi cambaleou, o olhar ficou vidrado de surpresa, e então caiu pesadamente ao chão.
Por fora, seu corpo parecia intacto, mas o cristal cerebral já se desintegrara por completo.
Eis o domínio absoluto sobre a própria força.
À medida que o grupo abatia mais zumbis, o solo do acampamento encharcou-se de sangue, e os olhos de Kong Yi começaram a se tingir de vermelho; a sede de sangue ia tomando o lugar de sua razão.
À medida que o desejo de matar crescia, o controle corporal de Kong Yi atingiu assustadores noventa por cento. Precisava terminar logo a luta, para garantir que a razão prevalecesse sobre o instinto assassino.
Zhou Yixin e os demais também caçavam rapidamente. Os três outros membros do grupo Lobo Errante mostraram impressionante habilidade em combate.
No fim, excetuando Kong Yi e o jovem belo, só o grupo Lobo Errante já havia abatido dezesseis zumbis.
Após a retirada dos chefes zumbis, a situação virou quase um massacre unilateral dos humanos. Restavam pouco mais de vinte mortos-vivos.
Nesse ínterim, três caçadores foram levemente feridos; os demais exterminaram os zumbis sem qualquer arranhão.
Kong Yi avaliou por alto: após essa onda de mortos, dos quase cem caçadores, restava apenas metade.
Por mais cruel que parecesse, comparado ao que conhecera em sua vida anterior, aquela taxa de sobrevivência de cinquenta por cento era um feito assustadoramente elevado.
O jovem belo olhou ao redor, para o acampamento tingido de sangue, e murmurou a dúvida de todos:
— Estranho... Por que houve de repente essa onda de mortos aqui? E como surgiram esses chefes?
Por um momento, o silêncio reinou—ninguém parecia saber a resposta.
Kong Yi conteve o instinto assassino e, com voz grave, explicou:
— Aqueles chefes foram criados pelo Rei dos Mortos, que fragmentou parte de seus próprios cristais cerebrais e os implantou nos zumbis.
— O objetivo do Rei era reunir caçadores aqui através dos gritos e, no Monte Oeste, realizar uma chacina.
O jovem belo ficou um tempo em silêncio e, como se tivesse se dado conta de algo, perguntou, sério:
— Irmão, isso é verdade?
Kong Yi assentiu.
— Sim. Quando lutei com eles, vi na nuca de Daoqing e Daoshi cicatrizes e cristais partidos.