Capítulo Quarenta e Nove – Xia Nixang
— Oitavo nível do Estágio de Condensação de Qi? — Os belos olhos de Veranil foram erguidos enquanto ela fitava Fayan, que acabara de trombar com ela. Inicialmente, sua intenção era repreendê-lo — afinal, ela o havia alertado, mas mesmo assim ele não conseguiu evitar o choque. Por um momento, ela desconfiou de que ele o fizera de propósito, mas, ao examinar sua aura, percebeu que não passava de um cultivador iniciante no oitavo nível do Estágio de Condensação de Qi. As palavras de irritação morreram em sua boca.
— Senhorita, me desculpe, eu juro que não fiz de propósito. — Fayan sentia o toque suave e generoso do busto dela pressionando-se contra seu peito, o aroma delicado a envolver-lhe os sentidos, deixando-o completamente sem graça. Ele havia escutado o aviso dela e tentou desviar, mas, ao agir por instinto, acabou colidindo com ela.
— O que faz aqui? Não sabe que este lugar é perigoso? — Os olhos de Veranil, límpidos e puros, sem qualquer vestígio de malícia, encontraram os de Fayan. Ao perceber que ele não demonstrava nenhum constrangimento diante dela, sua curiosidade transpareceu.
— Vim colher ervas — respondeu Fayan, encolhendo os ombros, resignado. Se não houvesse perigo, como poderia se aprimorar?
O som de asas vibrando em alta frequência encheu o ar, abafando até mesmo o estrondo da queda d’água. Da névoa acima do Desfiladeiro do Bico de Águia, irrompeu uma nuvem dourada de formigas voadoras, cada uma do tamanho de um punho, reluzentes, descendendo em enxame.
— Ah! Agora estou perdida por sua causa — gritou Veranil, o rosto empalidecendo ao reconhecer as criaturas. — São Formigas Voadoras Devoradoras de Homens!
O zumbido tornava-se mais intenso. Desviando-se rapidamente de Fayan, ela disparou para frente, sumindo como um raio.
— Formigas Voadoras Devoradoras de Homens... — Os olhos de Fayan brilharam. Já ouvira falar que o maior perigo do Desfiladeiro do Bico de Águia não eram as feras demoníacas nem as matilhas de lobos, mas sim essas formigas assassinas. Sem hesitar, virou-se e correu atrás de Veranil.
Ele sabia, pelo breve contato, que a cultivadora era imensamente mais poderosa que ele, envolta por um mistério profundo, parecendo-se com o Senhor da Cidade Mortal, que ele vira certa vez. Ficar seria suicídio; só restava fugir.
Porém, sua velocidade ainda era insuficiente. Logo foi alcançado pelas formigas.
Eram do tamanho de punhos, douradas, com presas quádruplas, produzindo um som assustador ao ranger os dentes durante o voo. Avançavam em nuvens tão densas que pareciam massas de ouro deslizando pelo céu. Essas formigas, céleres e letais, possuíam mandíbulas capazes de despedaçar até armas mágicas, forçando bestas demoníacas do sexto ou sétimo nível do Estágio Inato a recuarem. Qualquer um apanhado por elas estava fadado à morte.
— Ding! Parabéns, hospedeiro, inimigo eliminado com sucesso. Você recebeu cinco pontos de mérito. — Com um leve tremor da Lâmina Sangrenta em sua mão, uma rajada de energia cortante disparou, eliminando uma formiga. O aviso frio do sistema ecoou em sua mente.
— Cinco pontos... Equivalente a uma besta demoníaca de segundo nível do quinto estágio — murmurou Fayan. A cada golpe, sua velocidade aumentava, pois, num breve instante de distração, dezenas de formigas o cercaram.
— Ding! Parabéns, hospedeiro, inimigo eliminado com sucesso. Você recebeu cinco pontos de mérito.
— Ding! Parabéns, hospedeiro, inimigo eliminado com sucesso. Você recebeu quinze pontos de mérito.
— Ding! Parabéns, hospedeiro. Técnica de Espada Fantasma de nível terrestre: proficiência +10.
Movimentando a espada com exatidão, Fayan dominava perfeitamente os princípios de velocidade, precisão e letalidade. Sem recorrer à energia espiritual, confiava no fio da Lâmina Sangrenta para perfurar as defesas das formigas, abatendo-as uma a uma. O sistema não cessava de lhe informar dos méritos adquiridos.
— Estranho... Por que aquele rapaz não veio? Será que foi devorado pelas formigas? — pensou Veranil, parada sobre um galho robusto, surpresa ao notar a ausência de Fayan.
— Esse garoto é mesmo inconsequente. Enfrentar aquelas criaturas no oitavo nível do Estágio de Condensação de Qi... Não teme a morte ou não conhece o perigo? E se fossem as formigas de elite? Nem um cultivador do Estágio Mortal sobreviveria... — A percepção aguçada de Veranil permitiu-lhe notar Fayan lutando bravamente, estampando em seu rosto uma expressão de incredulidade.
Em poucos instantes, Fayan eliminou quase cem formigas, acumulando quinhentos pontos de mérito. Contudo, esse breve momento custou-lhe caro: estava agora completamente cercado. Milhares de formigas o envolviam, agarrando-se até mesmo às suas costas, onde rasgavam sua carne sem qualquer impedimento pela energia protetora.
Um grito dilacerante escapou de seus lábios. Fayan tentou expulsá-las com sua energia, mas as formigas agarravam-se como parasitas, difíceis de remover.
— Maldição, elas ignoram ataques energéticos! — Com um soco devastador, tentou afastá-las, mas tudo o que conseguiu foi lançá-las para longe, apenas para vê-las retornarem ao ataque.
Fayan franziu o cenho. Não havia outra saída senão usar sua espada. Mesmo canalizando energia, conseguia eliminar no máximo cinco formigas por golpe. Abrir caminho seria quase impossível.
— Ai... Por que meu coração é tão bondoso? Vou salvá-lo desta vez — suspirou Veranil, já imaginando Fayan sendo devorado. Em seguida, voou até a maior concentração de formigas.
Com um gesto, uma fita de seda púrpura disparou, agitando-se e afastando as formigas ao redor. Enrolando-se em Fayan, a fita o retirou do cerco.
— Não se mexa, garoto, vou tirá-lo daqui — avisou Veranil ao sentir a resistência do rapaz, que tentava se desvencilhar.
— Voando sobre o qi... Você é uma cultivadora do Estágio Inato! — exclamou Fayan, admirado ao ver a jovem, de aparência similar à sua, demonstrando tamanha força.
— Já disse para não se mexer! — repreendeu Veranil, irritada, ao perceber que sua velocidade diminuía enquanto Fayan se debatia. Logo, ambos ficaram novamente cercados pelas formigas.
— Não é por querer, senhorita, mas essas formigas estão devorando minha carne! — Fayan, preso pela fita, sentia-se impotente, como uma presa à mercê do carrasco. Suas pernas estavam cobertas de formigas, que ele tentava remover à força.
— Aguente firme só mais um pouco, logo conseguirei tirá-lo daqui — respondeu ela, vendo a fita manchada de sangue, já imaginando a dor que ele sofria.
— Melhor me soltar. Deixe-me acabar com as formigas que estão em mim, aí poderemos sair juntos. Se não, não vou sobreviver para acompanhá-la — respondeu Fayan, franzindo o cenho. O ataque era tão intenso que nem mesmo seu sistema de reparação celestial conseguia regenerar os ferimentos com rapidez suficiente.