Capítulo Noventa e Dois: Notícias dos Piratas, O Comércio de Escravos
No convés do campo de batalha, os piratas estavam todos de joelhos.
A patrulheira sombria encontrava-se atrás de Meng Hao, observando friamente cada pessoa presente.
O arco longo que empunhava reluzia com uma luz misteriosa, indicando que ainda estava pronto para disparar.
Se alguém fingisse render-se, ela não hesitaria em despachar o infeliz com uma flecha certeira.
Meng Hao lançou um olhar à patrulheira sombria, admirado em seu íntimo: “Magnífico!”
Após essa batalha, Meng Hao já havia avaliado, em linhas gerais, as capacidades dos piratas.
Fisicamente, eles não diferiam muito dos humanos da Terra; contudo, por viverem no mar em condições adversas, estavam mais ágeis e resistentes.
Ainda assim, não ultrapassavam o limite do ordinário.
Meng Hao, agora um guerreiro de segundo nível, seria capaz de derrotar todos eles mesmo de mãos nuas.
Contudo, apesar de sua força, raramente participava de lutas.
A última vez que brigara tinha sido ainda nos tempos da escola primária.
Lembrava-se de uma ocasião em que uma colega bonita lhe entregou uma carta de amor, que ele recusou.
Ao sair da escola naquele dia, foi cercado por um grupo de meninas...
Enfim, voltando ao assunto!
Desde que a patrulheira sombria entrara em cena, brigas deixaram de ser preocupação para Meng Hao.
Diante dos piratas ajoelhados, implorando por clemência, Meng Hao sentiu-se indeciso.
Havia mais de vinte piratas a bordo; descontando os mortos, restavam vinte e um vivos.
“Tantos assim... como devo lidar com eles?”
“Não posso simplesmente matá-los a todos, certo?”
Nesse momento, os dois jogadores humanos que estavam amarrados ao mastro foram trazidos até ali.
Junto vinha também uma jovem de roupas rasgadas.
Ao verem Meng Hao, os três reagiram como se tivessem encontrado um parente, ajoelhando-se junto a ele e desatando a chorar.
“Levantem-se, falem comigo.”
Meng Hao disse suavemente.
Olhou para a jovem quase sem roupas e, tirando uma muda de vestes de seu anel de armazenamento, entregou-a a ela.
“Obrigada!”
A voz da menina saiu rouca, exausta de tanto chorar.
Meng Hao quis dizer algumas palavras de consolo, mas desistiu diante de tantos piratas.
Não podia deixar transparecer sua verdadeira índole.
Se esses prisioneiros o julgassem fraco, e resolvessem traí-lo ali mesmo, o que faria?
“Irmão, me chamo Chen Qingliang. Esses piratas acabaram com a nossa vida, você precisa nos vingar!”
Chen Qingliang falou com ar sofrido, o olhar carregado de ódio.
Seu corpo estava coberto de hematomas e um grande inchaço arroxeado marcava sua testa.
Ao lado, outro rapaz também falou: “Meu nome é Lin Zhihao, você precisa nos vingar!”
Apesar do apelo, Meng Hao permaneceu impassível.
Ergueu o olhar para os piratas ajoelhados e perguntou: “Quem manda aqui?”
Houve troca de olhares entre os piratas.
Por fim, um sujeito magro e esquálido adiantou-se, sorrindo servilmente: “Aqui quem manda é o senhor.”
“Estou perguntando quem é o chefe de vocês!”
“Ah, sim, é ele!”
Apontando, o pirata magro indicou um homem corpulento de barba cerrada.
Era o capitão deles, Powell.
Diante do gesto, Meng Hao semicerrrou os olhos, sentenciando-o à morte em pensamento.
Quem trai tão facilmente seus companheiros, não merece confiança.
Hoje entrega os outros, amanhã pode entregar a si mesmo.
“Você, jogue a âncora ao mar.”
“Sim, já vou!”
O pirata magro levantou-se apressado e atendeu ao comando, lançando a âncora ao oceano.
Acreditando ter conquistado aprovação, parecia radiante.
Powell, ao ver-se traído, demonstrou irritação, mas também resignação em seu rosto rude.
Ergueu a cabeça e se apresentou a Meng Hao: “Meu nome é Powell, sou o capitão deste navio.”
“O que estão fazendo aqui?”
Meng Hao perguntou.
Era uma excelente oportunidade para investigar o mundo das ilhas selvagens, e ele não a desperdiçaria.
Powell hesitou um momento antes de responder:
“Viemos da Ilha Nabita. Dois dias atrás, recebemos a notícia de que haveria grandes negócios nessa região, então viemos conferir.”
“Que tipo de negócio?”
“Tráfico de escravos. Disseram que surgiram muitos escravos por aqui, com pele macia e delicada, muito procurados pelos senhores de escravos. Se conseguíssemos capturar alguns, venderíamos por ótimo preço.”
“Quantos navios piratas como o seu há por aqui?”
“Não sei ao certo. Só da Ilha Nabita há mais de dois mil, fora os de outras ilhas, mas cada um tem sua rota, raramente nos encontramos.”
Diante da resposta, Meng Hao mergulhou em pensamentos.
Esse jogo era impressionantemente realista, com um mundo de fundo bem elaborado.
Afinal, era mesmo um jogo, ou realidade?
Se não fosse, como bilhões de pessoas do mundo vieram parar aqui?
Quanto mais investigava, mais se sentia perdido e incapaz de compreender a situação.
“Conte tudo que souber sobre isso, nos mínimos detalhes!”
Meng Hao ordenou.
Powell lançou um olhar apreensivo para a patrulheira sombria, tremendo de medo, e respondeu docilmente:
“Na verdade, não sei muito. Só que há muitas ilhas selvagens encobertas por névoa nesta região. Daqui a três dias, a névoa se dissipará e então será possível capturar muitos escravos.
Ah, e temos um acordo: ninguém pode desembarcar antes que a névoa desapareça.
Porém, se alguém sair da névoa por conta própria nesse período, podemos capturá-lo.
Aqueles dois, por exemplo, vieram sozinhos para nosso navio.”
“Mentira! Foram vocês que nos sequestraram à força!”
Chen Qingliang protestou furioso.
Meng Hao, porém, estreitou os olhos e lançou um olhar ameaçador.
“Eu lhe dei permissão para falar?”
Chen Qingliang estremeceu de medo.
Por alguma razão, ao ser encarado por Meng Hao, sentiu uma pressão esmagadora, como se estivesse diante de uma fera selvagem.
Meng Hao, afinal, já era um guerreiro de segundo nível e, além disso, um verdadeiro mago, com poder espiritual imenso.
Quando fixava o olhar em alguém, a pessoa sentia um peso insuportável.
Nesse momento, as correntes do navio chacoalharam e uma jovem de corpo esbelto escalou pela âncora até o convés.
A patrulheira da luz, com passos graciosos, aproximou-se rapidamente de Meng Hao, surpresa ao ver tantos piratas ajoelhados.
Logo atrás, soldados armados, arqueiros e cavaleiros de dragão subiram também a bordo.
Achavam que enfrentariam uma batalha feroz, mas os piratas haviam se rendido sem resistência.
Estava claro: todos já haviam sido subjugados pelo mestre.
Que mestre admirável!
Vinte soldados armados, dezoito arqueiros e quatorze cavaleiros de dragão subiram ao navio, tornando o convés espaçoso subitamente apertado.
Diante de tantas figuras imponentes, Powell não pôde evitar um suspiro.
Agora, estava mesmo acabado.
Meng Hao também suspirou em silêncio, preocupado com os outros jogadores vindos da Terra.
Quando o período de proteção dos novos terminar em três dias, o primeiro inimigo não serão zumbis, mas piratas.
Se as defesas das ilhas-base forem fracas, será fácil serem capturados como escravos.
Se os piratas pretendem transformar os terráqueos em escravos, por que não fazer o contrário?
De repente, Meng Hao lembrou-se do contrato mágico que havia conseguido antes.
Finalmente entendeu para que servia aquele item.