Capítulo Trinta: Confronto Intenso, Quem Me Impedir Perecerá
O estrondo ensurdecedor dos disparos rompeu o silêncio solene do templo.
Meng Hao rugiu furiosamente, disparando balas sem se preocupar com o gasto, num ímpeto desvairado. Em questão de segundos, a jovem de beleza estonteante foi transformada num verdadeiro coador. O estranho, porém, era que não escorria uma única gota de sangue do corpo dela; pelo contrário, densas espirais de fumaça negra começaram a brotar.
Meng Hao já havia percebido que havia algo profundamente errado. O simples fato de uma mulher tão bela aparecer numa ilha deserta já era, por si só, suspeito. E ainda mais dentro do templo de uma feiticeira.
Antes mesmo de entrar no templo, Meng Hao havia recebido um aviso sobre a prova que o aguardava. Se nada saísse dos trilhos, aquela era a provação da feiticeira.
“Sedução feminina? Que infantilidade!”, pensou ele, com desprezo. “Mulheres só servem para atrasar o meu saque da espada!”
Sob o fogo impiedoso da metralhadora, a linda garota foi lançada ao chão. À medida que a fumaça negra se espalhava, a pele antes macia e viçosa da garota começou a secar e enrijecer. Logo, rugas profundas assomaram em seu rosto outrora formoso, e manchas senis despontaram com clareza arrepiante.
“Não sou bela o bastante para ti?” — a figura à sua frente já se transfigurara completamente numa anciã macabra, envolta em névoa negra, avançando contra Meng Hao com as mãos em garra.
Unhas longas e afiadas como lâminas, olhos turvos repletos de maldade, ela se lançou sobre ele com movimentos grotescos e ameaçadores.
“Maldição! Ela não sente os ataques físicos!”
Em poucas respirações, mais de quarenta balas já haviam sido disparadas pela metralhadora. Restavam apenas quatrocentas no total; se fossem todas desperdiçadas, o destino seria fatal.
“Fugir!”
Meng Hao, estremecido, deu meia-volta e se pôs a correr. A velha feiticeira, por sua vez, avançou sobre ele como um lobo faminto, implacável. Correndo escada abaixo em espiral, Meng Hao chegou a pular sobre o corrimão liso, deslizando para ganhar velocidade.
A velha parecia não ter peso algum, flutuando do alto em direção ao chão como uma aparição.
“Isso não é bom!”
Meng Hao alcançou o salão principal e descobriu a porta fechada. Não havia escapatória possível.
Nesse instante, a velha feiticeira investiu novamente, a fumaça negra preenchendo todo o salão.
“Sou tão bela, por que não me amas?”
A voz rouca da velha ficou ainda mais aterrorizante. O frio intenso tomou conta do ambiente, sugando a energia vital de Meng Hao de forma avassaladora.
Amedrontado, Meng Hao sacou rapidamente a super Pistola Falcão Vermelho e apertou o gatilho em direção à feiticeira.
Um estampido ecoou, o corpo da velha foi lançado ao longe. Mas Meng Hao percebeu que não causara qualquer dano real; as balas só a afastavam, sem feri-la.
“Estou perdido!”
Diante da cruel realidade, Meng Hao foi assaltado por um sentimento de desespero.
“Será que hoje encontrarei meu fim aqui?”
Nunca antes havia enfrentado uma criatura imune a ataques físicos. O corpo da feiticeira parecia etéreo, como se sequer ocupasse espaço no mundo material. Se ela atacasse, provavelmente seria com magia.
“O que fazer?”
Recusando-se a aceitar a derrota, Meng Hao vasculhou a memória em busca de uma solução. Entre os itens que possuía, haveria algum artefato mágico?
“Claro! A capa do andarilho!”
Meng Hao havia obtido anteriormente a Capa do Andarilho, capaz de resistir a ataques mágicos. Se a vestisse, poderia se proteger dos ataques da feiticeira?
Tomando uma decisão rápida, deu uma volta no próprio corpo e logo estava envolto em uma longa veste vermelha.
[Capa do Andarilho: item de nível prata. Uma capa feita de materiais mágicos capaz de dissipar qualquer magia lançada sobre ela. Além de proteger contra vento e chuva, também defende contra invasões mágicas.]
De fato, ao vestir a capa, Meng Hao sentiu que o ambiente ao seu redor deixou de ser tão gélido. A energia vital, que vinha sendo sugada, cessou de se esvair.
Do outro lado, a velha feiticeira, o rosto marcado por rugas, lançou-lhe um olhar feroz ao avistar a capa vermelha.
“Sou tão bela, por que me negas o teu amor?” — sua voz tornou-se ainda mais aguda, a ansiedade transparecendo. Com unhas afiadas, investiu novamente contra Meng Hao.
Desta vez, Meng Hao não revidou. Ataques físicos não surtiriam efeito; atirar seria puro desperdício de munição.
“É contigo que conto agora!” — ele depositou toda sua esperança na Capa do Andarilho.
Itens de nível prata jamais o haviam desapontado. Esperava que, desta vez, não fosse diferente.
Abaixou-se, envolvendo-se completamente na capa mágica. Foi então que a velha feiticeira, em fúria, atirou-se contra ele.
Um chiado cortante, seguido de um grito lancinante: a velha foi arremessada para trás como se tivesse recebido uma descarga elétrica. No ponto de contato com a capa, brotaram volutas de fumaça azulada, e parte da névoa negra foi purificada.
-50 pontos de vida!
Ao presenciar aquilo, Meng Hao exultou. Excelente! A capa não apenas o protegia dos ataques mágicos, como também devolvia dano à velha feiticeira.
Fortalecido por essa descoberta, Meng Hao encheu-se de confiança.
A velha, agora tomada pelo ódio, lançou-lhe um olhar envenenado, tornando sua expressão ainda mais aterradora. De súbito, ergueu ambas as mãos e, com um empurrão, lançou-as contra a porta pesada do salão.
Com um rangido que fazia ranger os dentes, a porta maciça se abriu.
O último raio do crepúsculo atravessou a névoa e penetrou o templo.
Meng Hao sentiu-se tomado por uma alegria imensa. Teria superado a provação? Estaria livre para partir?
No entanto, ao se virar, percebeu que se enganara.
Do lado de fora do templo, uma multidão de monstros jazia pelo chão. Quando a porta se abriu, todos se ergueram.
Havia criaturas parecidas com macacos, gorilas, javalis, alces — animais que um dia habitaram aquela ilha, agora transformados em bestas monstruosas.
De repente, Meng Hao lembrou-se de seu encontro anterior com o Morango e a Florzinha Vermelha. Ambos haviam sido amaldiçoados pela feiticeira, sofrendo mutações terríveis.
Evidentemente, os animais também haviam sido amaldiçoados, tornando-se ferozmente agressivos.
“Meus filhos, entrem! Estraçalhem-no para mim!” — ao comando da feiticeira, a horda de monstros entrou em frenesi, lançando-se contra Meng Hao.
Seus olhos saltaram de pavor. Estava acabado!
Sem tempo para hesitar, aproveitou o caos e lançou-se pela porta, rompendo a multidão. O MP5 rugiu novamente, despejando balas como uma tempestade.
Rajadas de fogo, sangue e morte: -80 pontos de vida! -100! -120! -100!
A fúria inesperada do ataque paralisou as criaturas, que jamais haviam enfrentado tamanha violência. Na área à frente de Meng Hao, jaziam corpos sem vida.
Aproveitando-se da hesitação momentânea, ele abriu caminho em meio ao banho de sangue e disparou, correndo com toda a velocidade.
Naquele instante, seus pés pareciam alados, as Botas de Agilidade ativadas ao máximo.
[Velocidade de movimento +20%]
Meng Hao, num piscar de olhos, escapou do cerco, correndo pela trilha por onde viera.
Atrás dele, a horda de monstros logo se refez, partindo em perseguição desenfreada.
Ofegante, sentia o sangue fervendo nas veias. Em cinco minutos, estaria de volta à ilha-base. Com a ajuda dos guardas goblins, poderia eliminar os monstros.
No entanto, ao alcançar o bosque, um novo perigo surgiu.
Arbustos antes ralos e inofensivos ganharam vida subitamente. Inúmeros espinhos brotaram dos galhos, formando uma muralha ameaçadora à frente de Meng Hao.
Bloqueado à frente, perseguido atrás, se ficasse preso ali, a morte era certa.
“Machado de ferro!”
Meng Hao sacou o machado, ativando as Luvas de Força instantaneamente.
Lutar!
Quem ousar barrar o meu caminho, morrerá!