Capítulo Sessenta e Oito – Palavras Vãs, Isca de Tubarão
Dentro do chalé de madeira, o processo de abrir os baús continuava. No entanto, os itens que surgiram a seguir já não conseguiam despertar o interesse de Meng Hao. Agora, toda a sua atenção estava voltada para a terrível presença no céu. Ele precisava derrotar aquela criatura a todo custo!
Os quatro baús restantes foram abertos em sequência, e Meng Hao recebeu uma grande quantidade de materiais, além de suprimentos essenciais como óleo, sal iodado, molho de soja, vinagre e arroz. Com a recompensa multiplicada cem vezes, seu estoque de recursos aumentou de maneira impressionante.
Óleo de amendoim, cem barris. Sal iodado, cem sacos. Molho de soja, cem garrafas. Vinagre branco, cem garrafas. Arroz, cem sacos. Todos esses baús haviam sido trocados no canal de negociações. No início, a maioria dos recursos obtidos pelos jogadores era composta por itens de sobrevivência, o que fez com que Meng Hao acumulasse uma quantidade enorme desses suprimentos. Não eram especiais, mas eram extremamente úteis.
Meng Hao pegou três baús de madeira de sândalo, separou parte dos suprimentos e os enviou para o pai, a mãe e a irmã. Com esses recursos em mãos, todos podiam ficar tranquilos quanto à alimentação por um bom tempo.
Após terminar essas tarefas, Meng Hao, ansioso, atravessou o limiar da porta e foi procurar Rao Xiaofan. Seria um desperdício não utilizar um batedor gratuito.
“Mestre, a água quente está pronta, pode preparar o chá,” ouviu a voz clara da Patrulheira das Sombras. Meng Hao parou, pensativo.
“Deixe a água por agora, venha comigo, tenho uma missão importante!” exclamou ele à Patrulheira das Sombras.
Ela, curiosa, assentiu levemente, indicando que estava pronta para seguir. Assim, os dois caminharam rapidamente em direção à torre de vigia no centro da ilha-base.
A torre ainda estava em construção, com grandes pilhas de madeira e pedra espalhadas pelo chão. Os guardas goblins cavavam as fundações com suas pás, colocando pedras na base e madeira para erguer a estrutura; a torre já tinha um esqueleto básico.
Rao Xiaofan observava atentamente cada detalhe do processo. Afinal, ele passaria muito tempo ali; se a construção não fosse sólida, quem sofreria seria ele mesmo. Por isso, estava mais envolvido do que qualquer outro.
Se Meng Hao tivesse o projeto da torre, poderia construir automaticamente, desde que tivesse materiais suficientes, como fora com o chalé. Mas até agora, não conseguira o projeto e, impaciente, decidiu construir com as próprias mãos.
“Rao Xiaofan, venha aqui!” gritou Meng Hao em direção à obra.
Ao vê-lo, Rao Xiaofan levou um susto e correu apressado.
“Chefe, precisa de mim para algo?” perguntou Rao Xiaofan, esperto, chamando-o de chefe com familiaridade. Em comparação aos outros, ele era um jogador de destaque e buscava ocupar uma posição privilegiada na ilha-base de Meng Hao.
Meng Hao não se importava com as intenções de Rao Xiaofan; pelo menos, a súbita obediência dele poupava explicações.
“Use sua habilidade Águia dos Olhos Celestiais para explorar a névoa e encontrar qualquer criatura voadora perigosa, traga-a para baixo,” ordenou Meng Hao, com as mãos às costas e olhando para o céu, voz firme.
Rao Xiaofan sentiu um frio na espinha, lembrando-se do terror que presenciara recentemente. Com sua habilidade, vira entre a névoa uma ave gigantesca de penas verde-azuladas, com três metros de comprimento, bico afiado e garras terríveis capazes de rasgar a névoa. Aquilo o deixara paralisado de medo. Felizmente, a Águia dos Olhos Celestiais era invisível e não fora notada.
Rao Xiaofan decidira evitar aquela criatura a todo custo. Agora, Meng Hao queria que ele a procurasse? Parecia suicídio! Mas não ousou recusar; fingiu concordar para acalmar Meng Hao. Depois, inventaria uma desculpa dizendo que não encontrou nada—quem poderia contestar? Ninguém veria, afinal.
Com esse pensamento, Rao Xiaofan ficou mais tranquilo. Estava seguro.
“Certo, vou liberar a Águia dos Olhos Celestiais e procurar a criatura na névoa,” disse, mantendo a voz calma.
Mal terminou de falar, sua Águia dos Olhos Celestiais, de penas cinzentas, voou de sua testa e começou a circular acima de sua cabeça.
Meng Hao pegou o cachimbo da perspicácia, colocando-o na boca e esperando pacientemente que a águia adentrasse a névoa. Na mão direita, segurava o talismã do relâmpago; na esquerda, o talismã de impacto crítico. Assim que a criatura voadora aparecesse, atacaria sem hesitar.
O cachimbo aumentava muito sua força mental, permitindo detectar inimigos ocultos antecipadamente. Se a criatura surgisse, teria tempo suficiente para agir.
Meng Hao percebeu que a Águia dos Olhos Celestiais não saía de cima da cabeça de Rao Xiaofan, sem intenção de entrar na névoa, e franziu o cenho.
Rao Xiaofan, então, começou a inventar com toda seriedade:
“Pronto, minha Águia já entrou na névoa. Está tudo branco, a visibilidade é muito baixa, só consigo ver até dois metros. À esquerda, tem uma gaivota, parece perdida no mar. À direita, uma andorinha-do-mar persegue a gaivota. Acho que ela está confundindo a gaivota com sua companheira.”
A névoa é densa, difícil de enxergar, parece que a andorinha-do-mar se enganou. Andorinha, preste mais atenção!
Ao ouvir o relato, Meng Hao divertiu-se e irritou-se ao mesmo tempo. Se não tivesse o cachimbo da perspicácia, talvez realmente fosse enganado por Rao Xiaofan, que narrava como se tivesse visto tudo pessoalmente.
Com o cachimbo, Meng Hao podia ver objetos invisíveis; a Águia dos Olhos Celestiais nunca saiu de cima da cabeça de Rao Xiaofan. O que ele dizia era pura invenção, mais criativo que muitos autores de ficção. Uma pena não escrever romances!
Depois de um tempo, Rao Xiaofan fingiu estar cansado, enxugou o suor e, com expressão decepcionada, disse:
“Chefe, não encontrei nada. Talvez a criatura não esteja nesta área.”
Meng Hao assentiu sorrindo. “Concordo, não seria tão fácil encontrá-la. Bom trabalho.”
Ao ouvir isso, Rao Xiaofan soltou um suspiro de alívio. Por fora, permanecia sério, mas por dentro, estava radiante. Parece que o chefe é fácil de enganar!
Meng Hao olhou para ele com um sorriso: “Você tem trabalhado duro na construção da torre. Venha, vamos pescar tubarões, assim você relaxa um pouco.”
“Pescar tubarões?!” Rao Xiaofan se surpreendeu, logo se animando. Que incrível! Nunca pescou um tubarão antes; era algo emocionante, precisava experimentar.
Logo, Meng Hao levou Rao Xiaofan à praia sul. Ali, diante dos guardas goblins que pescavam, ordenou:
“Parem por enquanto. Agora vamos caçar tubarões.”
Ao ouvir Meng Hao, os guardas imediatamente largaram as redes e pegaram suas lanças, prontos para agir. Eles já tinham experiência em caçar tubarões; bastava o tubarão aparecer, e as lanças voariam, transformando-o num favo de mel.
Mas era preciso um isco para atrair os tubarões. Onde encontrá-lo?
“Vocês aí, amarrem ele e joguem-no no mar como isca!” ordenou Meng Hao, com voz fria, apontando para Rao Xiaofan.
Rao Xiaofan: “???”
O que está acontecendo? Não era para pescar tubarões? Por que eu sou o isco?
Maldição!