Capítulo Noventa e Um: Derrotando os Piratas, Um Bando de Insolentes
Sobre o convés, Meng Hao posicionou o pesado escudo à sua frente, apoiando o rifle de precisão 98K sobre ele, a boca escura da arma apontando para o outro lado.
Para ser sincero, embora tivesse diante de si piratas cruéis e sanguinários, Meng Hao ainda assim não conseguia puxar o gatilho sem hesitar. Afinal, eram todos pessoas vivas.
Claro, a pirata que ele havia matado com um chute não contava. Aquilo fora um movimento instintivo, não sua verdadeira intenção. Quanto ao velho mago esmagado até a morte, esse então, menos ainda era culpa dele. O azar era do próprio homem.
Meng Hao pensava que seria melhor se alguém aparecesse agora, insultando-o, para que, tomado pela fúria, ele tivesse um motivo justo para agir. Assim, tudo pareceria mais legítimo.
Neste exato momento, um homem com uma cicatriz no rosto saltou de repente, gritando para Meng Hao: “Chega de truques! Está pedindo para morrer, não é?”
Antes mesmo de terminar a frase, o homem da cicatriz ergueu o enorme machado, pronto para atacar Meng Hao.
Era exatamente o que ele queria: alguém que se destacasse no grupo, o que tornava aquele pirata o alvo perfeito.
“Bang!”
-120HP!
A curta distância, o tiro do rifle 98K acertou com precisão o rosto do homem da cicatriz. Com um estrondo seco, a cabeça do pirata explodiu, jorrando sangue e massa encefálica, tingindo o chão de vermelho e branco.
Um grito de terror ecoou. Todos recuaram dois passos, olhando para Meng Hao com espanto e pavor. Que arma estranha era aquela? Como podia ser tão poderosa? Seria algum tipo de magia nunca antes vista?
O desconhecido é sempre o mais assustador, e a visão aterradora deixou os piratas paralisados de medo, sem ousarem dar um passo em falso.
O próprio Meng Hao ficou chocado. Nunca sentira algo tão intenso ao enfrentar zumbis; ver a cabeça do pirata se despedaçar causou-lhe grande desconforto. No entanto, esforçou-se para manter o controle das emoções, não demonstrando nada em seu rosto, impedindo que os inimigos percebessem qualquer fraqueza.
Ser cercado pelos piratas seria um problema e tanto. Aproveitando que todos estavam focados no cadáver, Meng Hao recarregou o rifle 98K.
Ah, se ao menos tivesse uma submetralhadora agora… Poderia acabar com todos eles em poucos minutos.
No mar, sobre o barco de madeira.
Assim que o disparo ressoou, a Patrulheira das Sombras ergueu a cabeça de repente, o rosto belo tomado por uma expressão gélida.
“Um tiro… O mestre está em perigo!”
Os olhos brilhantes da Patrulheira das Sombras ficaram sombrios como águas profundas, o coração tomado por extrema ansiedade.
O plano inicial era que ela atacasse continuamente os piratas no navio, atraindo a atenção deles e dando uma chance ao mestre. Mas aqueles piratas eram covardes demais. Mesmo sendo os atacantes, todos se escondiam atrás da amurada, sem coragem de mostrar o rosto.
Embora sua habilidade com o arco fosse extraordinária, a Patrulheira das Sombras nada podia fazer se o inimigo se mantinha escondido.
Lançou um olhar determinado ao casco de mais de cinco metros de altura à sua frente.
“Dê-me sua lança!” ordenou ela friamente ao Cavaleiro do Dragão, que remava nas proximidades carregando sua arma.
Ele não entendia, pois ela era arqueira, por que precisaria de sua lança? Mas não questionou e a entregou sem hesitar.
A Patrulheira das Sombras agarrou firmemente a lança, o olhar sombrio fixo no casco robusto do navio. Seu corpo esguio explodiu em força, cravando a lança com violência no centro do casco.
A força aterradora concentrou-se na arma, que vibrou em alta velocidade, emitindo um som agudo ao atravessar o ar até se fincar firmemente na madeira, como um enorme prego.
Em seguida, a Patrulheira das Sombras flexionou o corpo, impulsionando-se com as longas pernas contra o casco e saltando como uma flecha. Com uma mão, agarrou a lança, girando habilmente até pousar sobre o cabo, o manto negro esvoaçando ao vento, parecendo uma bela fada vestida de sombras.
Aproveitando o impulso, saltou novamente com agilidade.
Ao ver aquela cena, a Patrulheira da Luz não conseguiu esconder o espanto.
“O que está fazendo?” perguntou ela, assustada, o rosto tomado de inquietação.
“Vou cumprir meu dever!” respondeu friamente a Patrulheira das Sombras, já no ar.
Meng Hao estava em perigo, e ela precisava chegar até ele. Fosse como fosse, não permitiria que Meng Hao se expusesse à morte.
A Patrulheira da Luz ficou imóvel, um traço de perplexidade surgindo em seu belo rosto. Tantos anos haviam se passado, e a Patrulheira das Sombras continuava pura como antes. Para aqueles que não lhe importavam, a vida ou a morte era irrelevante. Para quem amava, daria tudo de si.
“Você seria capaz de abandonar o mundo inteiro por uma pessoa.”
“Eu, pelo mundo inteiro, abandonei apenas você.”
“No fim das contas, qual de nós está certa?”
Com os cabelos dourados caindo como uma cascata, a Patrulheira da Luz observou a silhueta que se afastava e mergulhou em profunda reflexão.
Impulsionada pela lança, a Patrulheira das Sombras parecia um pássaro ágil, saltando por sobre a amurada e aterrissando no convés.
Ao ver dezenas de piratas cercando Meng Hao, uma intenção assassina indescritível irrompeu de seu corpo. Como ousavam tantos ameaçar seu mestre?
Querem morrer!
Naquele instante, parecia que chamas negras envolviam a Patrulheira das Sombras, seus olhos brilhavam com uma luz escarlate que reluzia como relâmpagos. A sede de sangue era quase palpável; embora o sol brilhasse forte, os piratas sentiam-se mergulhados em trevas.
“Fiu!”
A Flecha de Gelo partiu imediatamente, o brilho azul cortando o ar com um estrondo agudo, atingindo um dos piratas com precisão. O frio poderoso congelou o corpo do alvo instantaneamente, e o impacto da flecha o lançou longe.
“Boom!”
O corpo congelado chocou-se violentamente contra o mastro, despedaçando-se completamente. Restaram apenas fragmentos de gelo e carne.
A visão aterradora fez os piratas empalidecerem de terror.
“Maldição! Por que essa arqueira de gelo dos elfos veio para cima?”
O capitão pirata gritou apavorado, recuando instintivamente.
No Mundo da Ilha Selvagem, arqueiros élficos ocupavam posição tão alta quanto magos. Contudo, viviam em regiões remotas e raramente apareciam por ali. O capitão amaldiçoou sua sorte por encontrar uma arqueira de gelo entre os humanos da Terra.
Os olhos da Patrulheira das Sombras já estavam tomados de vermelho, e ela parecia ter perdido toda emoção, tornando-se um demônio das trevas movido apenas pelo instinto de matar.
“Fiu!”
Outra flecha partiu, e com um estalo, mais um pirata foi despedaçado em blocos de gelo.
Os piratas estavam dominados pelo pânico. Se fosse uma luta direta, com espadas ou machados, não teriam medo. Mas morrer de forma tão estranha era desesperador, como se fossem simples mortais diante de um mago.
“Misericórdia!”
“Nós nos rendemos!”
O capitão jogou a espada ao chão e caiu de joelhos. Os outros, que já estavam prontos para se render, ao verem o capitão prostrado, largaram as armas e começaram a bater a cabeça no convés, suplicando por piedade.
Meng Hao: “???”
Eram esses os piratas que tanto o fizeram temer?
Só isso?
Pensava que enfrentava reis, mas eram apenas uma cambada de fracotes.