Capítulo Oitenta e Um: Fedor Asfixiante, Ardor Abrasador

Chegada Global: Jogo de Sobrevivência na Ilha Apocalíptica A Imortal Água Azul 2760 palavras 2026-02-09 16:29:48

No interior do quarto, uma pequena lâmpada do tamanho de um polegar irradiava sua luz, dissipando as trevas e trazendo claridade. Já era tarde, mas com a lâmpada e as baterias, Meng Hao não precisava permanecer envolto em completa escuridão. Claro, as baterias eram um recurso extremamente raro; se não fosse pelo desejo de se fortalecer, Meng Hao dificilmente as usaria.

Tomado de expectativa, ele retirou a lata de reforço, os olhos ardendo de esperança. Caso não houvesse imprevistos, ao consumi-la sua força aumentaria consideravelmente. Assim que abriu a tampa, um cheiro insuportável invadiu o ambiente. Meng Hao franziu o cenho, sentindo-se tonto e com a mente girando. Logo em seguida, seu corpo foi acometido por um mal-estar intenso, levando-o a engasgar violentamente.

— Urgh! — Meng Hao recuou dois passos às pressas, tapando o nariz enquanto encarava a lata. — Que fedor!

Essa foi sua primeira impressão. Parecia peixe morto, armazenado por eras, cujo odor se acumulara até explodir ao ser finalmente libertado. O conteúdo era escuro, lembrando carne de peixe.

— Será que isso é uma lata de arenque fermentado? — Meng Hao recordou um vídeo em que um cachorro vomitava imediatamente após sentir o cheiro desse alimento. Embora não soubesse ao certo o que havia ali, o fedor certamente não devia nada ao do arenque fermentado.

— Vou encarar! — Os itens obtidos após as recompensas multiplicadas pelo sistema jamais eram comuns. Não podia desprezá-los só por causa do cheiro. O objetivo era sempre tornar-se mais forte.

Meng Hao reprimiu o impulso de vomitar, pegou cautelosamente um pedaço da carne negra e o enfiou na boca. Que sabor indescritível! Ele não conseguia explicar o gosto; quando o peixe entrou em contato com sua língua, parecia que todas as suas papilas gustativas foram anestesiadas. Mastigou levemente e, ao perceber que não havia espinhas, engoliu de uma vez para reduzir o tempo de sofrimento.

— Cof, cof! — tossiu, apressando-se a pegar uma garrafa de água mineral do anel de armazenamento, bebendo vários goles de uma só vez.

— Urgh! — Não pôde evitar um arroto — quase desmaiou com o próprio bafo. Aquele pequeno pedaço de peixe parecia conter um poder especial, expandindo-se dentro dele como um biscoito energético comprimido.

Mais precisamente, era a força contida na carne que se liberava, preenchendo seus membros e ossos.

— Que calor, que coceira, que pressão! — Meng Hao deu dois passos para trás e se jogou na cama, começando a tirar a roupa com pressa. Vestia um manto de vagabundo e uma armadura de ressurreição, ambos de alta defesa mágica, ótimos para protegê-lo de variações externas de temperatura. Mas aquele calor vinha de dentro, e os equipamentos mágicos de nada serviam agora. Só restava despir-se completamente e recorrer a métodos naturais para aliviar o incômodo.

— Ufa! — respirava fundo, a pele avermelhada como ferro em brasa, numa aparência assustadora. Sentado à beira da cama, percebeu um cheiro de queimado vindo de baixo de si.

— Mas o quê...? — exclamou, surpreso ao notar que o lençol deformava devido ao calor, quase queimando. Sem alternativa, mergulhou uma toalha numa bacia com água e começou a se refrescar.

Se ao menos a Patrulheira Sombria estivesse ali, um pouco de magia de gelo certamente aliviaria muito sua situação. Contudo, Meng Hao não a chamou; seria constrangedor demais.

Enquanto ele se debatia no quarto, os diversos soldados que guardavam do lado de fora demonstravam crescente inquietação. Há poucos instantes, um fedor horrendo escapara do aposento do mestre, tão intenso que se espalhava por vários quilômetros. Todos tinham certeza de que vinha dali. Se fosse apenas o cheiro, não se preocupariam tanto — talvez o mestre apenas tivesse soltado um pum. Sendo alguém extraordinário, até seus gases seriam especiais, com um fedor cem vezes pior que o normal.

No entanto, os barulhos que se seguiram deixaram todos apreensivos. O que estaria acontecendo? O mestre estaria em perigo? Infelizmente, ele proibira a entrada de qualquer um sem ser chamado. Assim, ninguém ousava entrar. Só restava escolher alguém bem próximo do mestre para averiguar.

O Guarda da Espada se adiantou e disse aos demais soldados:

— Companheiros, sou o Guarda da Espada número um, o mais próximo do mestre. Deixem que eu entre para verificar.

Originalmente, sua missão era proteger a ilha-base de Rao Xiaofan. Mas, ao se preparar para partir, um novo Guarda da Espada apareceu. Sendo o número um, passou a tarefa de proteger a base de outro jogador ao recém-chegado.

Como número um, deveria estar sempre ao lado do mestre, facilitando o cumprimento de suas ordens.

— É preciso ter autoconhecimento. Acho que o Guarda Goblin, por ter chegado primeiro, seria o mais adequado para entrar — sugeriu o Arqueiro, acenando ao Goblin para que fosse conferir.

Dentre todos, o Goblin era o mais experiente, mas tinha um defeito claro: era pouco inteligente, incapaz de falar. O Cavaleiro Lobo pigarreou e disse:

— Companheiros, o Goblin pode ser o mais antigo, mas não fala; mesmo que veja algo, não poderá nos contar. Acho que sou o mais apropriado — o mestre foi muito bom comigo, deixou-me usar o lenço verde por tanto tempo, e salvou minha vida. Portanto, devo ser eu a ir lá dentro.

O Guarda da Espada revirou os olhos e respondeu com ar orgulhoso:

— Fala como se nunca tivesse usado — quando eu já usava o lenço, você nem tinha surgido ainda! Melhor cuidar dos seus ferimentos e deixar isso comigo; sou eu quem deve entrar.

— Não concordo!

— Acho que posso sim!

— Não quero saber da sua opinião!

— Eu é que decido!

Enquanto discutiam acaloradamente, uma sombra negra passou veloz diante deles. Ao sentir a presença, todos foram tomados por uma onda de frio, lembrando-se subitamente de alguém ainda mais adequado: a Patrulheira Sombria! Trocaram olhares e, constrangidos, resignaram-se. Para quê discutir? Melhor ir dormir.

Nesse instante, no interior do quarto, a Patrulheira Sombria entrou flutuando como um vendaval. Contudo, ao deparar-se com a cena, seu rosto alvo corou intensamente. Sob a luz tênue, vapor denso flutuava pelo ambiente, cuja temperatura era altíssima, como uma sauna. Meng Hao estava completamente nu, lançando água sobre o corpo com uma toalha. Cercado pela névoa, exalava calor por todos os poros.

— O mestre está praticando magia? — pensou, envergonhada, sem nunca ter ouvido falar de método tão peculiar de treinamento.

Ao invadir o quarto, Meng Hao também a viu. Instintivamente recuou dois passos e então olhou para o próprio corpo nu.

Ah, isso...