Capítulo Oitenta e Três: Diminuição da Lealdade, Devorando a Base
Naquela noite, Meng Hao não conseguiu pregar o olho.
Sempre que fechava os olhos, cenas aterradoras desfilavam em sua mente. Agora, a humanidade parecia presa como caça em uma jaula, cercada de seres tenebrosos que a observavam com fome e cobiça. A única razão pela qual ainda não haviam avançado era porque o momento do abate não chegara.
Talvez, o período de três dias para iniciantes fosse o prazo final.
Angustiado, Meng Hao passou a noite em claro, até que o alvorecer finalmente chegou. Quando os primeiros raios do sol atravessaram a névoa e iluminaram a ilha deserta, seu ânimo pouco melhorou.
O início de um novo dia significava apenas que o perigo se aproximava ainda mais.
“Hoje é o último dia do período para iniciantes. Preciso, a todo custo, fortalecer minhas forças.”
“Seja o poder das minhas tropas, seja o meu próprio, tudo precisa ser elevado.”
Diante da cabana de madeira, Meng Hao ergueu os olhos para a neblina distante, tomado por um ardor combativo. Não importava que perigos se escondessem ali; se fosse forte o bastante, nada teria a temer.
No descampado próximo ao bosque de coqueiros, uma multidão de tropas já estava reunida. Meng Hao ali estabelecera o ponto de concentração, para que, depois de treinadas, todas as unidades ali se apresentassem.
Durante a noite, o número de guerreiros de cada tipo crescera em mais de uma dezena. Até o momento, as forças da ilha-base já passavam de cem combatentes: quarenta e cinco guardas goblins, vinte guardas armados, dezoito arqueiros, quatorze cavaleiros lupinos e quatorze lobos mágicos da terra.
Dentre eles, quatro guardas armados e dois arqueiros estavam destacados na ilha-base de Rao Xiaofan.
A primeira tarefa de Meng Hao naquele dia seria devorar a ilha-base de Rao Xiaofan.
Rao Xiaofan era considerado um jogador humano razoavelmente habilidoso; sua ilha já alcançara uma área de seis vírgula cinco quilômetros quadrados, praticamente igual à de Meng Hao.
Pela experiência anterior, ao devorar a base de Rao Xiaofan, Meng Hao poderia ampliar a sua em cerca de três quilômetros quadrados.
Assim, economizaria um tempo precioso.
Na véspera, havia esgotado suas tentativas de deriva, o que o impedira de devorar a base. Mas hoje, finalmente poderia fazê-lo.
O Patrulheiro das Sombras e o Patrulheiro da Luz posicionavam-se ao seu lado, um à esquerda e outro à direita, protegendo-o. Os líderes de cada tropa estavam à frente de seus respectivos pelotões, já reconhecidos como capitães. Após receberem as ordens de Meng Hao, transmitiam-nas ao restante das tropas.
Assim, a comunicação e a execução das ordens tornaram-se mais eficientes e a cooperação entre os grupos, mais fluida.
A força da ilha-base de Meng Hao nunca fora tão grande, mas ele sabia que aquilo ainda era insuficiente: a expansão precisava continuar.
A seguir, fortalecer-se-ia ainda mais, devorando novas bases.
Quando Meng Hao estava prestes a iniciar uma deriva, Rao Xiaofan apareceu repentinamente, correndo de longe, ofegante.
“Chefe, espere! Não parta ainda, tenho uma ótima ideia!”
Rao Xiaofan gritava enquanto recuperava o fôlego, chamando a atenção de Meng Hao.
Após os acontecimentos da noite anterior, em que Rao Xiaofan prestara valiosos serviços ao detectar ameaças, Meng Hao passou a tratá-lo com mais benevolência. Do contrário, não teria tolerado seus gritos.
Por isso mesmo, Rao Xiaofan se sentia mais à vontade para apresentar suas ideias.
“Chefe, cada ilha-base só pode derivar três vezes ao dia. Se você trouxer sua base até a minha, gastará à toa uma dessas chances. Que tal fazer o seguinte: deixe-me voltar primeiro, eu mesmo trago minha base até aqui, o que acha?”
Rao Xiaofan olhava para Meng Hao com sinceridade, como se pensasse apenas em seu bem-estar.
O plano parecia engenhoso e Meng Hao logo percebeu sua utilidade.
De fato, era uma ótima solução. Que rapaz esperto!
“Está bem, pode ir!”, respondeu Meng Hao, sorrindo.
É impossível negar: a mente humana é muito mais flexível que a das tropas comuns. Só alguém como Rao Xiaofan, um jogador humano, poderia ter tal ideia.
[Lealdade de seu subordinado Rao Xiaofan diminuiu em 5%. Lealdade atual: 20%.]
[Aviso: A queda de lealdade do subordinado pode indicar insatisfação com o tratamento ou outras intenções. O risco de rebelião é alto.]
O súbito aviso do sistema fez o sorriso de Meng Hao congelar.
De fato, a mente dos humanos é flexível, mas também volúvel. Dada a oportunidade, logo tentariam fugir.
Eu, que ofereci meu coração à lua, fui traído; a lua brilha para o brejo.
Quer fugir? Não vai conseguir!
Com um sorriso, Meng Hao disse: “O mar está cheio de perigos, vou mandar alguns homens para garantir sua segurança.”
O semblante de Rao Xiaofan ficou tenso e, com ar resoluto, respondeu: “Não é preciso, tenho a Águia de Olhos Celestiais, consigo evitar o perigo sozinho. Posso voltar sem escolta.”
“Não se preocupe, tenho homens de sobra, vá e volte rápido.”
“Não precisa, de verdade.”
“Hã?”
“Ah... está bem!”
Ao ver o olhar firme de Meng Hao, Rao Xiaofan encolheu-se.
Achava mesmo que estavam negociando?
Desolado, Rao Xiaofan embarcou no barco de madeira, escoltado por três guardas armados. Sua esperança de fugir se esvaiu.
Afinal, cada base só podia derivar três vezes por dia. Se ele fizesse desvios suficientes, o outro nunca o alcançaria. Mas, agora, estava sob vigilância direta.
“Eu protesto! Exijo meus direitos!”, gritava Rao Xiaofan em seu íntimo, embora por fora mantivesse uma expressão impassível, sem ousar demonstrar sua revolta.
No fim das contas, sob a lâmina, só restava abaixar a cabeça.
Esses guardas, corpulentos e armados, tinham um ar ameaçador. E se um deles o decapitasse, tudo estaria perdido.
Logo, o barco chegou à ilha-base de Rao Xiaofan. Os três guardas trocaram algumas palavras com os quatro guardas de plantão e dois arqueiros dali, deixando-os com olhares hostis para Rao Xiaofan, que se encolheu, apavorado.
“Bem, então... se não houver mais nada, vou iniciar a deriva agora”, balbuciou, pálido, enquanto avançava para a plataforma de deriva, escoltado.
Diante da seta verde que indicava o caminho, sentiu vontade de chorar. Queria tanto escolher uma direção oposta à de Meng Hao, mas não podia: com a lâmina em seu pescoço, a coragem faltou-lhe.
Cedendo ao medo, escolheu a direção de Meng Hao e ativou a deriva.
A ilha-base avançou com estrépito, rompendo a névoa e cortando as ondas do mar.
Nunca se sentira tão desanimado; era uma sensação totalmente diferente da emoção de explorar ilhas desconhecidas.
Ah, a vida... na maioria das vezes, é feita de decepções.
Cerca de vinte minutos depois, a ilha-base de Rao Xiaofan conectou-se à de Meng Hao.
Desta vez, no entanto, Rao Xiaofan não recebeu qualquer notificação do sistema — ela apareceu apenas para Meng Hao.
Com um leve sorriso, Meng Hao contemplou a mensagem recém-aparecida.
[Você ocupou com sucesso a ilha-base do jogador Rao Xiaofan. Deseja devorá-la?]
Meng Hao assentiu em silêncio e respondeu:
“Devore!”