Capítulo Oitenta e Nove: O Mago Acompanhante (Peço sua assinatura!)

Chegada Global: Jogo de Sobrevivência na Ilha Apocalíptica A Imortal Água Azul 2837 palavras 2026-02-09 16:30:14

No convés do navio de guerra, as chamas subiam aos céus. As velas triangulares, frequentemente untadas com óleo de palma, eram extremamente inflamáveis. Bastaram cinco flechas em chamas para que um incêndio se iniciasse de imediato. Os piratas, atabalhoados, correram com baldes d’água, mas não sabiam como agir. O fogo ardia no alto do mastro, e eles não conseguiam lançar a água até lá. O capitão ordenou imediatamente que alguns cortassem as cordas que sustentavam as velas triangulares. Se as velas fossem queimadas ainda havia sobressalentes, mas se o mastro pegasse fogo, tudo estaria perdido.

— Do lado deles há dois arqueiros élficos; somente o senhor dos magos pode enfrentá-los.
— Vocês dois, vão também. Tragam o senhor dos magos o quanto antes.

Dois piratas, ouvindo as palavras do capitão, correram apressados em direção ao camarote.

Enquanto isso, na cabine mais luxuosa do navio, um ancião de mais de sessenta anos estava deitado na cama, entregando-se aos prazeres com uma pirata de corpo exuberante. Esse velho era o mago da tripulação, chamado Clarabel. No mundo da Ilha Selvagem, as profissões eram rigorosamente hierarquizadas, e os magos estavam no topo da pirâmide. Capazes de manipular os elementos naturais, detinham um poder inalcançável aos comuns.

Os piratas, que viviam no mar e frequentemente travavam batalhas navais, sabiam que algumas tripulações mais poderosas contratavam magos a peso de ouro. Se encontrassem inimigos formidáveis, era o mago quem resolvia o problema. Em geral, quando ambos os lados contavam com magos, havia grandes chances de um acordo de paz, afinal, magos só trabalhavam por dinheiro, e, se não precisassem lutar, melhor ainda. Mas, se um dos lados não tivesse mago, estaria fadado à derrota.

Claro que magos verdadeiramente poderosos não acompanhavam piratas ao mar; os que aceitavam o convite eram, na maioria, de segunda categoria. Mas, mesmo assim, a vida era boa: fartura à mesa e belas mulheres para companhia.

— Venha, só começamos, vamos mais uma vez! — disse a pirata, com olhar magoado, acariciando carinhosamente a cintura gasta do velho, desejando recomeçar.

Clarabel pegou a sopa revigorante ao lado da cama, tomou alguns goles e suspirou:
— Não dá mais, a vida no mar é dura demais, falta-me vigor.

— Mas vocês, magos, não são todos poderosos? Não conseguem lutar por três dias e três noites? — retrucou a pirata, incrédula.

Para ela, Clarabel estava só dando desculpas. Como podia um mago, tido como incansável, se mostrar tão fraco em seus braços? Seria a idade? Talvez, afinal ele já passava dos sessenta.

Clarabel respondeu prontamente:
— Você está falando daqueles guerreiros patéticos. Eles treinam o corpo; é claro que são mais resistentes do que nós, magos. Mas, embora não sejamos tão robustos, nossa força em batalha supera a deles em muito. Não mencione aqueles brutamontes perto de mim, só me irritam.

Sua voz era gelada e a atitude, petulante. No mundo da Ilha Selvagem, magos e guerreiros nunca se davam bem. Magos viam guerreiros como bárbaros que só sabiam atacar de frente, com um estilo de luta estúpido. Já os guerreiros achavam que magos eram fracos, e, se chegassem perto deles, seriam carne para o abate.

Mas, ao menos na cama, magos realmente não podiam competir com guerreiros. Clarabel, por exemplo, já havia lançado vários feitiços de fortalecimento sobre si mesmo, mas continuava incapaz de satisfazer a parceira. Talvez a culpa fosse da própria pirata, insaciável e cheia de energia.

Com olhar sedutor, ela acariciou o corpo de Clarabel e sugeriu, delicadamente:
— O que acha de lançar mais um feitiço de vigor?

Ao ouvir isso, o velho mago estremeceu dos pés à cabeça. Não dava mais, tentar outra vez poderia ser seu fim.

Foi quando passos apressados soaram do lado de fora, e um grupo de piratas entrou, assustado. Normalmente, nenhum pirata ousava perturbar o lazer do mago, então essa pressa só podia significar problemas.

Um deles, alarmado, falou:
— Senhor dos magos, estamos enfrentando arqueiros gélidos da raça élfica, são muito fortes! O capitão pediu que viesse nos ajudar.

Clarabel finalmente respirou aliviado e, como se um peso lhe saísse dos ombros, respondeu:
— Certo, avisem ao capitão que já estou a caminho!

Dizendo isso, levantou-se e se vestiu rapidamente, deixando a cama apressado. Os piratas do corredor trocaram olhares, surpresos. Quem disse que magos são intransigentes e difíceis de chamar? Parecia até fácil conversar com ele. Pensaram que todos estavam equivocados quanto aos magos.

Enquanto isso, a batalha no mar chegava a um ponto estranho. A presença do Patrulheiro das Sombras e do Patrulheiro da Luz causava enorme pressão psicológica nos piratas, que evitavam se aproximar da amurada. Isso permitiu que os adversários se aproximassem ainda mais do navio.

Com as velas triangulares em chamas, o navio perdeu a propulsão e ficou à deriva. Os guerreiros então lançaram ganchos e cordas previamente preparados, tentando prender o navio inimigo. Mas, mal conseguiam firmar as cordas, estas eram cortadas pelos piratas. O impasse era total: os piratas não se atreviam a se expor, e os homens de Meng Hao não conseguiam subir.

— Estamos travados! — exclamou Meng Hao, franzindo as sobrancelhas.

O Falcão de Olhos Celestes já sobrevoava o campo de batalha, vigiando cada movimento inimigo. Meng Hao percebeu que os piratas pareciam pouco ansiosos, como se esperassem reforços.

— Será que há outro navio pirata? — Pensou, olhando para o mar, mas não avistou sinal de outras embarcações.

Com ou sem reforços, Meng Hao sabia que não podia mais esperar. Quanto mais o tempo passasse, maior o risco. Era preciso subir a bordo o quanto antes.

— Alguma ideia de como avançar rapidamente? — perguntou ao Patrulheiro das Sombras.

O Patrulheiro das Sombras olhou para Meng Hao, surpresa nos olhos brilhantes. Meng Hao, impaciente, franziu o cenho:
— Por que me olha assim? Se tem um plano, diga logo!

O Patrulheiro das Sombras lançou um olhar para os sapatos de fase de Meng Hao, depois para o casco robusto do navio, e respondeu:
— Diga-me, este navio é mais espesso que sua cabana de madeira?

Ao ouvir isso, Meng Hao teve um estalo. É mesmo! Com os sapatos de fase, bastava encostar o barco de madeira ao navio inimigo e ativar o deslocamento de fase para atravessar o casco. Assim, poderia infiltrar-se diretamente.

Mas, avançar sozinho seria seguro? O Patrulheiro das Sombras percebeu sua hesitação e disse:
— Não se preocupe, assim que você entrar, atacarei com tudo para distrair os inimigos. Quando você lançar a âncora deles ao mar, todos poderão subir pela corrente.

Meng Hao achou o plano sensato:
— Muito bem, assim será!

Confiante em suas habilidades, com a armadura de ressurreição no corpo e várias cartas na manga, não tinha grande preocupação. Se algo desse errado, poderia simplesmente recuar pelo mesmo caminho.

— Aproximem-se mais! — ordenou ele ao Cavaleiro Lupino, que encostou o barco de madeira ao casco adversário. Após ajustar a posição, Meng Hao ativou o deslocamento de fase.

Imediatamente atravessou a parede do navio.

Assim que entrou, sentiu o chão sumir sob os pés.

— Mas o quê...? — exclamou surpreso.

Afinal, a parte exposta do casco era pequena; a maior parte estava sob a linha d’água. Meng Hao entrou justamente na altura das cabines.

Com um baque, caiu pesadamente sobre uma cama macia. Ao lado, a pirata de olhar magoado abriu um sorriso radiante.

— Ora, caiu do céu um rapazinho! Que formoso!