Capítulo Trinta e Nove: O Guardião das Sombras, Gélido Instinto Assassino
Na entrada do quartel, uma mulher de estatura alta saiu caminhando. Sua pele era alva, vestia um traje mínimo de três peças, coberta por um manto negro; seu semblante era altivo e gélido. Avançando com suas longas pernas para fora do quartel, as meias-calças escuras destacavam-se, e por elas deixavam entrever suas pernas brancas e delicadas.
Aproximou-se de Meng Hao e, com voz serena, chamou: “Mestre.” Meng Hao engoliu em seco, sentindo o coração descompassado. “Isto é realmente explosivo!” A figura diante dele era estonteante, de beleza incomparável, temperamento frio, pele translúcida. Olhos brilhantes e radiantes, uma epiderme tão macia quanto a água ao toque. Se estivesse na Terra, seria sem dúvida uma celebridade de topo.
“Oi, olá!” Pouco acostumado à presença de mulheres tão belas, Meng Hao gaguejou ao falar. A Patrulheira das Sombras fitava-o com olhar impassível, aguardando ordens. Sob o sol, sua silhueta exuberante era quase ofuscante. Meng Hao sentiu a garganta seca e, pigarreando, disse: “Você poderia vestir melhor sua roupa?”
A patrulheira franziu levemente as sobrancelhas, com um toque de dúvida no rosto impecável. Baixou os olhos para observar o próprio traje: sutiã preto, calcinha preta, meias pretas, sapatos pretos... E ainda um manto escuro por cima. Nada parecia fora do comum.
Vendo sua expressão, Meng Hao apressou-se a explicar: “Quero dizer, feche melhor o manto.” Aproximou-se, posicionou-se diante dela e cuidadosamente envolveu-a com o manto aberto. “Não tem botões?” Notou, então, que o desenho do manto era assim mesmo, sem nenhum botão, menos ainda um zíper.
Mas havia solução! Meng Hao retirou uma corda de seu anel de armazenamento e amarrou o manto na cintura da patrulheira. “Que cintura fina!” pensou, sentindo o coração acelerar, mas esforçando-se para manter a compostura. Afinal, já vira de tudo na vida. Era a primeira vez que se encontravam, e como mestre, não podia dar sinais de fraqueza.
“Pronto!” Deu um passo atrás, finalmente respirando aliviado. Embora a corda não combinasse com a roupa dela, era melhor do que ficar hipnotizado pela silhueta provocante à sua frente. Sempre que pensava naqueles atributos... Melhor não continuar, poderia perder o controle.
A patrulheira olhou para a corda na cintura, o rosto frio e sereno, e assentiu: “Se é do gosto do mestre, como quiser.” Ao ouvir isso, Meng Hao não pôde evitar uma contração nos olhos. Que palavras perigosas, capazes de gerar mal-entendidos...
“Ouvi dizer que gosta de arco e flecha?” Meng Hao apressou-se em mudar de assunto, retirando um arco e dez flechas do anel de armazenamento e entregando a ela. Os olhos da patrulheira brilharam imediatamente. Ao segurar o arco longo, sua postura mudou radicalmente.
[Unidade: Patrulheira das Sombras]
[Nível: Patrulheira de Primeira Ordem]
[Constituição: Essência do Gelo]
[Vida: 100]
[Ataque: 80 + 34]
[Armadura: 2]
[Resistência Mágica: 2]
[Arma: Arco e flecha (nível ferro negro)]
[Aviso: A Patrulheira das Sombras pode ativar flechas encantadas com gelo, aumentando o dano mágico; inimigos atingidos serão desacelerados até ficarem completamente congelados.]
Vendo a ficha da patrulheira, Meng Hao não escondeu sua alegria. “Que poder de ataque elevado!” O dano base era 80, somado ao bônus da arma totalizava 114. “Espere, isso não está certo!” Lembrava que o arco tinha dano de 10; em tese, seria 80+10. Por que +34?
“Ah, já sei! Patrulheiras das Sombras têm 30% de bônus ao usar arcos.” O ataque base de 80, mais 24 do bônus, e somando 10 do arco, totaliza 34. “Agora faz sentido!” Meng Hao estava radiante. Com esse poder, qualquer zumbi comum seria eliminado com uma só flechada.
Nesse instante, viu-se um vulto na entrada do quartel: mais um Guarda Goblin havia sido treinado e saía automaticamente. Sentindo a presença do novo ser, a patrulheira imediatamente foi tomada por uma aura assassina cortante. No instante seguinte, seus olhos brilharam com uma luz ameaçadora, seu semblante tornou-se frio e assustador.
Ela girou o corpo com destreza, a cintura esguia liberando uma força surpreendente, e seus braços delicados retesaram a corda do arco. Uma energia gélida irrompeu, cobrindo a flecha simples com uma camada de gelo. O arco e a flecha começaram a brilhar intensamente. O ar ao redor esfriou bruscamente, e a intenção assassina ficou presa sobre o guarda goblin.
Ao presenciar a cena, Meng Hao assustou-se. “Pare, ele é dos nossos!” gritou. A patrulheira hesitou, e seus olhos voltaram ao normal, olhando para Meng Hao sem entender. No mundo dela, não havia amigos ou inimigos: seu objetivo era transformar a nevasca interior em flechas de gelo, punindo qualquer um que ousasse cruzar seu caminho. Matar era a sua eternidade. Só obedecia às ordens do mestre.
Ela então recolheu o arco, e o frio ao seu redor diminuiu, assim como a intenção assassina. O guarda goblin recém-chegado nem percebeu que quase visitara o além.
“Décimo sétimo Guarda Goblin... Com tantos grandalhões, o consumo diário de recursos já é enorme.” Meng Hao olhou para os guerreiros robustos à frente e murmurou. Desde a chegada da patrulheira, os guardas goblins tinham perdido parte do brilho. “Eles não podem sair da ilha-base. Não faz sentido treinar tantos. Dezessete já são mais que suficientes.”
Após pensar um pouco, Meng Hao acessou o sistema do quartel e suspendeu o recrutamento dos guardas goblins. Assim, o número não aumentaria mais. Em seguida, retirou uma lança do anel e entregou ao mais novo goblin, dizendo: “Vá até a praia ao sul, junte-se ao seu grupo.”
O guarda goblin, meio lento, demorou a entender, mas logo marchou em direção à praia sul. Quando ele se afastou, Meng Hao voltou-se para a patrulheira e perguntou: “Está com fome? Quer comer alguma coisa?” Ela ponderou um instante e respondeu com voz fria: “Gosto de frutas. Tem alguma?”
“Claro que sim!” disse Meng Hao, retirando um grande coco e uma tigela de morangos. Os olhos da patrulheira brilharam ao ver as frutas. Ela pegou um morango, colocou delicadamente na boca... Que doce!
“Então, gostou? Está gostoso!” Meng Hao sorriu, orgulhoso. Entre bilhões de jogadores, só ele tinha recursos para oferecer frutas tão deliciosas. Para outros, era difícil sequer se alimentar.
A patrulheira ia acenar positivamente, mas de repente seu rosto mudou. Curvou-se apressada, cuspiu o morango e começou a engasgar. Meng Hao levou um susto. “O que está acontecendo? Não era dito que morangos eram adequados para mulheres? Será que você não é uma mulher?”
Ao ver a reação intensa após comer o morango, Meng Hao ficou apreensivo. Lembrava que havia colocado morangos e cocos nas caixas enviadas para sua mãe e irmã. Se nem mulheres podiam comer, seria um desastre.
A patrulheira expeliu todo o morango, aliviando a crise. Retirou lentamente o capuz do manto, deixando à mostra longos cabelos sedosos... e um par de orelhas pontudas.
Só então Meng Hao compreendeu: ela não era humana, mas descendente direta da realeza élfica.