Capítulo Trinta e Sete: Lançando a Lança, Atraindo e Matando Tubarões
Os primeiros raios do sol da manhã atravessaram a névoa, iluminando a ilha deserta e trazendo calor e luz para aqueles que haviam resistido a uma longa noite. Meng Hao levantou-se cedo, saindo da confortável cabana de madeira.
A fome o despertara. Exausto da noite anterior, após distribuir os suprimentos para sua família, adormecera imediatamente, sem sequer jantar. Além dos itens de sobrevivência, Meng Hao devolveu aos outros os equipamentos e armas que havia emprestado. Afinal, ele sentia que, dali em diante, talvez nem precisasse mais combater os mortos-vivos pessoalmente.
No terreno em frente à cabana, dezesseis guardas goblins estavam alinhados em duas filas, imóveis como soldados aguardando revista, com a cabeça erguida e postura firme. Surpreendentemente, ao acordar, Meng Hao descobriu que o quartel havia treinado mais doze guardas goblins durante a noite. Somando-se aos quatro anteriores, agora ele contava com dezesseis guardas.
Com um contingente tão poderoso, seria mesmo necessário enfrentar zumbis pessoalmente? Não mais! Os guardas goblins não podiam deixar a ilha-base? Havia uma maneira de contornar isso! Se trocasse as armas deles por armas de longo alcance, o problema estaria resolvido.
— Venham, quero ver como vocês se saem lançando lanças! — ordenou Meng Hao, distribuindo cinco lanças para cada guarda goblin, instruindo-os a lançá-las como dardos.
Com a força dos goblins, o alcance máximo era de duzentos metros. Dentro dessa distância, o efeito era devastador. Além disso, a precisão caía consideravelmente além desse limite. Ainda assim, guardas capazes de arremessar lanças equivaliam a verdadeiras baterias de artilharia, com uma área de ataque assustadora em duzentos metros.
Depois, Meng Hao entregou arcos e flechas aos goblins para que praticassem tiro. Mas, mesmo com toda a força deles, o alcance máximo do arco era de cem metros — evidentemente, as lanças eram mais potentes. Assim, Meng Hao distribuiu dez lanças para cada um e os mandou praticar arremesso na floresta.
O som cortante das lanças cruzando o ar ecoava entre as árvores, enquanto os goblins aprimoravam suas habilidades.
Enquanto isso, do lado de fora da cabana, uma fogueira ardia intensamente. Sobre ela, um grande caldeirão fervia água onde se cozinhava macarrão instantâneo. Aproveitando o tempo de treino dos goblins, Meng Hao decidiu preparar uma tigela para si.
Logo, o aroma se espalhou pelo ar. Macarrão instantâneo com carne e conserva de mostarda, um sabor inconfundível.
Enquanto a comida ficava pronta, Meng Hao pensou em trocar algumas roupas no canal de trocas. Dado o alto índice de perda de roupas, decidiu garantir alguns conjuntos extras.
Assim, Meng Hao entrou no canal de trocas e realizou suas operações. As informações logo foram atualizadas:
[Vendedor: Meng Hao746996585]
[Produto: 400ml de água, estoque 5.]
[Requisito: um conjunto de roupas, troca 1:1.]
[Observação: necessário altura de 1,82m, provar antes de comprar, todas as decisões cabem ao vendedor.]
Assim que a oferta de Meng Hao apareceu, todos os jogadores acordaram assustados. Ninguém esperava que Meng Hao, o grande jogador, oferecesse água logo cedo.
Diferentemente de antes, dessa vez o canal de bate-papo permaneceu em silêncio — todos estavam ocupados negociando. Muitos jogadores, em ocasiões anteriores, haviam perdido a oportunidade por ficarem conversando à toa e, agora, aprenderam a lição: garantir água potável primeiro!
A correria foi geral: jogadores tiravam a roupa enquanto selecionavam opções no sistema de trocas, subindo suas vestimentas, independentemente de atenderem aos requisitos. Quase todos os homens do jogo acabaram praticamente nus naquela manhã. Algumas mulheres, desconfiadas, decidiram arriscar também, quem sabe Meng Hao tivesse algum gosto peculiar.
Algumas lembravam que, certa vez, ele comprara cordas, velas e chicotinhos. Havia quem risse nervosamente.
Fora da cabana, Meng Hao serviu o macarrão fumegante em uma tigela de porcelana. O vapor subia, o aroma era delicioso. Deu um gole no caldo — uma maravilha! Em meio àquele isolamento, comer uma tigela de macarrão quente era um prazer raro. A maioria dos jogadores ainda passava fome e frio. Felizmente, eles não sabiam do que Meng Hao desfrutava, ou o ódio certamente seria instantâneo.
Enquanto aproveitava o macarrão, Meng Hao examinava cuidadosamente as roupas oferecidas. Cinco minutos depois, terminou o macarrão e o caldo até a última gota. Também já havia escolhido cinco conjuntos de roupas, todos novos em folha, provavelmente achados por outros jogadores em baús de tesouro, nunca usados.
Meng Hao não pôde deixar de pensar que era um desperdício outros jogadores abrirem os baús. Se fosse ele, certamente encontraria cinco capas de andarilho, sem erro.
— Estas roupas estão novas. Antes de vestir, é melhor tomar um banho — murmurou, olhando para o próprio corpo coberto de crostas de sangue.
A batalha em busca do tesouro na ilha havia sido brutal. Embora o lenço de recuperação tivesse restabelecido sua saúde, as marcas de sangue seco ainda estavam ali.
Na noite anterior, exausto, adormecera sem pensar. Agora, prestes a vestir roupas novas, decidiu tomar um banho. Pensou logo na praia ao sul da ilha, mas lembrou-se dos tubarões no mar. Afinal, sua primeira roupa fora devorada por um deles.
Lançou um olhar aos goblins praticando na floresta e, de repente, teve uma ideia brilhante.
— Não há graça em usar alvos de madeira. Para treinar de verdade, é preciso um alvo vivo!
Meng Hao apagou a fogueira, dirigiu-se à floresta e gritou para os goblins:
— Parem tudo, vou levar vocês para praticar em outro lugar!
Os dezesseis goblins alinharam-se em duas filas e seguiram Meng Hao rumo à praia sul. Os passos eram firmes, a postura imponente, e juntos transmitiam uma aura quase militar, fazendo Meng Hao sentir-se como o comandante de um exército.
Logo, ele levou a pequena tropa até a areia, posicionando-os ao longo da praia em formação de ataque. Cada goblin segurava uma lança, pronto para lançar a qualquer momento.
Então, sob olhares perplexos dos goblins, Meng Hao caminhou até o mar e entrou na água.
Os goblins ficaram confusos: o que o mestre pretendia? Chamá-los para assistir ao seu banho logo de manhã?
Com sua inteligência limitada, não conseguiam compreender o plano de Meng Hao. Na verdade, seu objetivo era simples: atrair tubarões para uma emboscada.
Tubarões são sensíveis ao cheiro de sangue. Embora as crostas em seu corpo estivessem secas, ao entrar na água, o sangue voltaria a se dissolver, atraindo os predadores. Assim que se aproximassem, dezesseis goblins lançariam suas lanças ao mesmo tempo, abatendo o tubarão facilmente.
A água do mar estava fria pela manhã, e Meng Hao tremia, sem ver sinal de tubarão algum.
— Será que estou em uma parte muito rasa? — pensou, hesitante.
Talvez estivesse próximo demais à areia, onde a água era rasa demais para os tubarões. Precisaria ir mais fundo. Mas e se não tivesse colete salva-vidas? Ele riu baixinho: tinha uma solução.
Um boneco inflável surgiu boiando no mar. Meng Hao o agarrou com força.
Agora sim, estava pronto!