Capítulo Sessenta e Um: Voltando para Casa para o Ano Novo
As indicações ao Prêmio Fênix Dourada não recebiam menos atenção do que as do Prêmio Dragão Dourado.
Talvez, aos olhos de muitas pessoas, os prêmios cinematográficos tivessem muito mais peso do que os televisivos. Porém, o número de pessoas que assistiam à televisão era indiscutivelmente maior do que o das que iam ao cinema.
A popularidade da famosa série de televisão **O Portão da Essência Marcial** era, sem dúvida, muito maior do que a de vários filmes de bilheteria impressionante.
Mesmo em sua segunda exibição, a série quase alcançara uma audiência de seis por cento. Praticamente já era conhecida por todos.
A avaliação daquela produção no site da Fênix Dourada nunca caíra abaixo de nove pontos. Assim, parecia perfeitamente justo que recebesse tantas indicações.
Antes disso, não era como se nenhuma série tivesse conquistado tantas nomeações. O que deixava todos perplexos era o fato de **O Portão da Essência Marcial** ter sido dirigido e protagonizado por estreantes.
Estreantes tão ferozes assim… Como os outros haveriam de sobreviver?
O anúncio das indicações ao Prêmio Fênix Dourada provocou uma enorme onda de discussões.
Depois de permanecer algum tempo afastado dos holofotes, Mu Chen voltou a ocupar as listas de assuntos mais comentados e de buscas em alta.
Naquele momento, porém, Mu Chen estava tranquilamente concentrado nas filmagens de **O Sorriso Orgulhoso do Mundo Marcial**.
Era uma série de artes marciais que, desde o início das gravações, fora desacreditada por inúmeras pessoas.
O público não confiava nela, e a imprensa era ainda mais pessimista. Mu Chen, entretanto, mantinha-se como sempre: concentrado em seu trabalho, sem permitir que nada o afetasse.
No fim de janeiro, **O Sorriso Orgulhoso do Mundo Marcial** foi concluída discretamente.
Eles mantiveram a discrição, mas alguns meios de comunicação ainda noticiaram o encerramento das filmagens. A notícia, contudo, não provocou grande repercussão.
Com a aproximação do Festival da Primavera, a disputa pela temporada cinematográfica do feriado já começava a se formar. A divulgação dos filmes estava a todo vapor, e, naturalmente, a atenção dedicada à televisão diminuíra bastante — ainda mais quando se tratava de uma série que acabara de terminar as gravações, e não de uma produção prestes a estrear.
A temporada do Festival da Primavera era a melhor época do ano para o cinema na China, e a competição também era, sem dúvida, a mais acirrada.
Mu Chen acompanhava tudo de vez em quando, mas concentrava a maior parte de sua energia nos preparativos para a pós-produção de **O Sorriso Orgulhoso do Mundo Marcial**.
Não era que ele não quisesse começar logo a pós-produção. O problema era que o Festival da Primavera se aproximava e as férias estavam prestes a começar.
— Quando você vem depois do Ano-Novo? — perguntou Li Ruoxi, olhando para Mu Chen, com o humor um pouco abatido.
A separação daquela vez seria longa.
“Se o amor durar para sempre, que importância têm os encontros diários?”
A frase não passava de um consolo que os amantes obrigados a ficar muito tempo separados ofereciam a si mesmos.
Quando o amor realmente se aprofundava, quem não desejaria estar junto do outro todos os dias, compartilhando cada instante?
Mas aquilo era o amor, não a vida.
— Acho que não vou demorar muito — disse Mu Chen, sorrindo.
Na verdade, ele ainda não conseguia dar uma resposta precisa.
— Se você vier para Pequim antes do Festival das Lanternas, vá jantar na minha casa naquela noite — disse Li Ruoxi.
Mu Chen abriu a boca, mas, sob o olhar dela, acabou não conseguindo pronunciar a recusa.
Ele realmente não sabia como encarar a família de Li Ruoxi, embora já tivesse lidado algumas vezes com o pai dela, Li Minhui.
Mas não podia continuar adiando indefinidamente. Afinal, Li Ruoxi já fora duas vezes à casa dele.
Passar o Festival das Lanternas em sua terra natal e só depois viajar para Pequim? Isso também parecia pouco realista.
Ao ver que Mu Chen concordara, Li Ruoxi sorriu e estava prestes a dizer algo quando o telefone dele tocou.
— Irmão Chen, você já está planejando voltar? Meu avô preparou algumas coisas para o senhor Mu. Leve-as quando for para casa.
Assim que a ligação foi atendida, a voz de Xiao Han chegou do outro lado.
Mu Chen sorriu, marcou um lugar para se encontrarem e foi buscar os itens.
— Você tem certeza de que tudo isso foi preparado pelo avô Xiao para o meu avô? — perguntou Mu Chen, surpreso, ao ver o porta-malas cheio.
Havia coisas demais.
Cigarros, bebidas e vários produtos de saúde. Observando com atenção, Mu Chen percebeu que muitos pareciam ser itens exclusivos para distribuição oficial.
Mesmo com dinheiro, talvez não fosse possível comprá-los.
— O vovô disse que, se fosse possível, deveríamos levar o senhor Mu para ficar alguns dias em Pequim — explicou Xiao Han, sorrindo.
— Só posso fazer o meu melhor — respondeu Mu Chen, balançando a cabeça.
Ele conhecia bem o temperamento do avô. A possibilidade de ele ir a Pequim era pequena.
No dia seguinte, Mu Chen pegou um avião de volta para sua terra natal. Li Ruoxi e Mu Ze foram se despedir dele.
— Quando eu estiver voltando, vou calcular o horário e mandar uma mensagem. Assim você pode ir me buscar — disse Mu Chen a Mu Ze, sorrindo.
— Eu vou buscar você? — Mu Ze ficou atônito. — Como assim? Está pensando em comprar um carro?
— Vamos esperar o papai tirar a carteira — respondeu Mu Chen, balançando a cabeça. — Alugar um carro é fácil.
Mu Ze assentiu. Mu Chen levaria tantas coisas para casa que, de fato, seria mais conveniente alugar um carro.
Mu Chen partiu, enquanto Mu Ze permaneceu em Pequim por causa de sua participação na Gala do Festival da Primavera.
Por alguma razão, Mu Ze sentiu uma onda de solidão invadir seu coração.
Ficou um pouco confuso. Ele e Mu Chen estavam ambos em Pequim, mas não moravam juntos e nem sequer tinham muitas oportunidades de se encontrar. Então por que sentia aquilo?
Talvez aquela sensação não tivesse sido causada pela partida de Mu Chen, mas pelo fato de a atmosfera do Festival da Primavera estar se intensificando cada vez mais.
As discussões sobre a Gala do Festival da Primavera já estavam fervilhando, e sua popularidade não era inferior à dos grandes filmes que estavam prestes a estrear ou já haviam chegado aos cinemas.
Naquela edição da gala, não faltavam atrações aguardadas com ansiedade. Mu Ze e Li Ruoxi claramente estavam entre elas.
Eles tinham popularidade suficiente e também uma sólida base de espectadores.
Na noite da véspera do Festival da Primavera, depois do jantar, Mu Chen ficou com a família diante da televisão, preparando-se para assistir à gala.
— Em que número seu irmão vai aparecer? — perguntou a mãe de Mu Chen.
— No sétimo! — respondeu Mu Chen, entre divertido e impotente. — Mãe, essa já é a terceira vez que você pergunta.
— É mesmo? — A mãe de Mu Chen sorriu, constrangida, e logo perguntou: — Então…
— Ruoxi vai se apresentar dois números antes do meu irmão — disse Mu Chen, resignado. — Mãe, essa também já é a terceira vez que você pergunta.
— Não posso perguntar? — retrucou a mãe de Mu Chen, contrariada.
— Pode! Pergunte quantas vezes quiser — respondeu Mu Chen, sorrindo.
— Ouvi dizer que a equipe da gala também convidou você, mas que você recusou? — perguntou casualmente o pai de Mu Chen.
Para eles, participar da gala era uma honra enorme. Poder contar isso aos vizinhos e parentes seria motivo de grande orgulho.
— Se eu não recusasse, quem ficaria aqui assistindo à gala com vocês? — disse Mu Chen, sorrindo. — Além disso, naquela época eu não conseguia me afastar do trabalho e não poderia participar dos ensaios.
A audiência da gala vinha caindo a cada edição, mas ela continuava sendo o maior palco da China.
Participar da gala ainda impulsionava enormemente a fama e a popularidade de uma pessoa. Talvez fosse justamente por isso que até os grandes astros aceitassem participar, mesmo sem receber cachê.
Mu Chen era muito popular e sempre gerava discussões. Sua presença certamente ajudaria a audiência da gala. No entanto, se não participasse dos ensaios, seria eliminado da mesma forma — disso não havia dúvida alguma.
Esse era o palco da Gala do Festival da Primavera.
A gala começou pouco depois. Era inevitável que aquela abertura repetitiva provocasse uma enxurrada de reclamações dos internautas.
Isso fez Mu Chen se lembrar de um certo vídeo de apresentação dirigido por um cineasta de sua vida passada.
A primeira atração foi um grande coral, bastante festivo.
Entretanto, havia programas festivos demais. A novidade já desaparecera, e, com ela, também os verdadeiros destaques.
A apresentação de Li Ruoxi era a quinta da noite. Assim que ela entrou no palco, um sorriso surgiu nos lábios de Mu Chen, enquanto seus pais e os demais familiares interromperam a conversa.
Li Ruoxi usava um vestido longo e esvoaçante, mas sua aparência carregava um inconfundível espírito de heroína marcial.
Quando abriu a boca para cantar, os ouvidos de todos diante das televisões foram imediatamente atraídos.
“O mundo dos mortais é tão risível,
a paixão, tão entediante;
que seja, então, olhar tudo de cima.
Esta vida ainda não terminou,
mas meu coração já não conhece perturbações.
Só desejo trocar tudo por meia vida de liberdade.
Quando desperto, sorrio para as pessoas;
nos sonhos, esqueço tudo.
Suspiro porque a noite chega cedo demais.
O que trará a próxima vida, ninguém sabe.
Amores e ódios, que se apaguem de uma vez.
Diante do vinho, cantarei;
só desejo ser feliz até envelhecer.
Por mais frio que sopre o vento, não quero fugir.
Por mais belas que sejam as flores, não as desejo.
Que eu continue à deriva…”