Capítulo Quarenta e Dois: O Poder dos Internautas

Minha Namorada Estrela Música do Destino 3002 palavras 2026-03-04 20:06:19

Quem estaria tentando prejudicá-lo? Nem mesmo Muchen conseguia adivinhar, mas sabia que havia muitos que desejavam vê-lo cair. O sucesso de “Porta do Kung Fu” causara pesadas perdas para muita gente. O crescimento dele e de Muze também era uma ameaça para outros. Se conseguissem forçar qualquer um dos dois a subir no ringue, tudo se resolveria facilmente.

Talvez, aquele alguém ou aqueles que tramavam nunca acreditaram que Muchen ou Muze poderiam derrotar Xuedong. Afinal, kung fu e luta livre atualmente eram coisas completamente diferentes. Ter verdadeiro kung fu não significava entender de combate de ringue. E o kung fu voltado para saúde e fortalecimento do corpo, por acaso não era autêntico kung fu?

Muchen era recém-chegado à profissão, com uma família simples e poucos contatos, nem tão bem relacionado quanto Chen Fuhai. Tentar descobrir quem o atacava era como procurar uma agulha no palheiro. Mesmo com Chen Fuhai pedindo favores e sondando, nenhuma novidade surgira.

Muchen acalmou Muze, afastando por ora a ideia de desafiar Xuedong no ringue. A carta de desafio de Xuedong, carregada de sarcasmo, causou grande alvoroço. Ele oferecera cinco milhões como prêmio, unilateralmente. Era como se Xuedong quisesse desbancar a desculpa de Muchen de “ganhar centenas de milhares em poucos minutos” para recusar a luta.

Chegou a declarar que, se fosse morto por Muchen no ringue, esse seria seu destino, e que Muchen não deveria se responsabilizar. Sem dúvida, tentava refutar a desculpa de que “o kung fu não estava no nível necessário e que temia matar Xuedong” para rejeitar o desafio.

Com isso, se Muchen continuasse a evitar o confronto, seria visto como covarde. E isso seria péssimo para sua imagem — e ainda pior para Muze.

“Ainda não descobriu quem está te prejudicando?” Li Ruoxi franziu o cenho, olhando para Muchen. Ela andava ocupada com muitos contratos e apresentações, mas acompanhava de perto o caso do desafio de Xuedong. Talvez ninguém do meio deixasse de prestar atenção.

Afinal, alguém do mundo da luta desafiando um artista do cinema era prato cheio para a mídia, que não perdia oportunidade de atiçar a fogueira.

“Quer que eu peça para o meu pai ajudar a investigar?” Li Ruoxi sugeriu, vendo Muchen balançar a cabeça.

“Não precisa! Na verdade, é simples descobrir quem está por trás disso”, respondeu Muchen com um sorriso.

“Simples?” Li Ruoxi olhou desconfiada. Se fosse tão fácil, por que ainda não tinham descoberto? Chen Fuhai tinha bons contatos no ramo, mas tampouco encontrara pistas.

“Muito simples, basta uma postagem na internet”, explicou Muchen. Diante do olhar confuso de Li Ruoxi, continuou: “Existe uma força onipresente chamada internautas!”

Li Ruoxi se surpreendeu, mas logo franziu o cenho.

“Se você expuser isso, depois talvez não consiga mais recuar”, alertou ela.

“Então que venha a luta!” Muchen sorriu. “Assim dou o exemplo e quero ver quem vai me empurrar para o ringue de novo.”

Li Ruoxi abriu a boca, mas hesitou em falar.

Ela conhecia Muchen; quando ele tomava uma decisão, era quase impossível fazê-lo mudar de ideia. Talvez fosse mesmo melhor assim.

“Tem certeza que consegue?” Li Ruoxi ainda demonstrava preocupação. Xuedong era um ex-campeão de luta livre, muito habilidoso. E ainda tinha quase dois metros de altura, uma figura imponente. Muchen, apesar de passar de um metro e oitenta, parecia pequeno e magro ao lado dele. Não estavam nem no mesmo peso.

Mas habilidade não se media por altura ou peso.

“Homem que é homem não pode dizer que não consegue”, respondeu Muchen com um sorriso.

Li Ruoxi ficou atônita, depois entendeu o trocadilho e lançou um olhar irritado para ele.

Muchen sorriu, o clima ficou mais íntimo e, então...

O sentimento cresceu além do controle.

O desafio de Xuedong, impulsionado pela mídia, só aumentava em repercussão e assunto. O silêncio de Muchen e Muze era motivo de zombaria de muitos veículos e internautas, que os tachavam de covardes.

Claro, havia muita controvérsia online. Estariam Muchen e Muze mesmo com medo de Xuedong ou, como Muze dissera, restritos por regras, temendo que, por falta de domínio do kung fu, acabassem matando Xuedong?

Muchen já matara um porco com um soco, então havia quem acreditasse que ele não recusava a luta por medo, mas por precaução.

Se Xuedong levasse um soco daqueles, não seria impossível morrer. Apesar de forte, o porco morto por Muchen também era enorme.

Outros discordavam — afinal, gente e porco eram coisas diferentes.

Enquanto os internautas discutiam sem parar, uma postagem de Muchen provocou um verdadeiro terremoto.

“Avisa quem está por trás de você: se for para jogar, vamos jogar alto. Cinco milhões é pouco, proponho cinquenta milhões de cada lado, totalizando cem milhões; quem vencer leva tudo, como cachê de participação. Se você quer ser a arma de alguém, esteja pronto para morrer. Assinamos um termo de vida ou morte, montamos o ringue em águas internacionais e decidimos, de uma vez, vitória e destino!”

Muchen marcou Xuedong na postagem; não havia dúvidas de que as palavras eram direcionadas a ele. A imagem anexada mostrava um meme com expressão de desconfiança e a frase: “Eu faço cem mil em poucos minutos, não tenho tempo para suas brincadeiras!”

A postagem de Muchen estava carregada de ameaça — “decidir vitória e morte” deixava clara sua raiva.

Mas não foi a agressividade que explodiu nas redes, e sim a insinuação de que havia alguém por trás de Xuedong, manipulando tudo.

Subitamente, muitos perceberam o estranho comportamento de Xuedong e de alguns veículos da mídia. Parecia mesmo haver uma mão invisível empurrando Muchen para o ringue contra Xuedong.

Quem seria essa pessoa? E com que objetivo?

A curiosidade dos internautas pegou fogo.

Onde há interesse, há cobertura da mídia.

Muchen não conseguira descobrir, mas, após aquela postagem, havia milhares querendo investigar — inclusive jornalistas.

Agora, bastava aguardar o resultado.

Muchen conhecia bem o poder dos internautas. Quando seu romance com Li Ruoxi veio à tona, em pouco tempo vasculharam toda sua vida, descobriram até as notas do ensino fundamental, quase revelando até quantas vezes ele molhara as calças na infância.

É por isso que dizem que os internautas são onipresentes e capazes de tudo.

A postagem de Muchen gerou enorme discussão, mas também deixou Xuedong apavorado.

Ele sentiu de imediato a ameaça: assinar um termo de vida ou morte, lutar em águas internacionais — era muito mais sério do que apenas “decidir vitória e morte”.

Ali, Muchen dava a entender que pretendia matá-lo e já pensava até nas consequências legais.

Assinar um termo desses talvez não livrasse da responsabilidade perante a lei, mas em águas internacionais, a situação era outra.

Xuedong ficou intimidado.

Ele não achava que Muchen pudesse matá-lo, mas não queria arriscar a própria vida.

“Medo de quê!” — um jovem o encarou friamente. “Mesmo que ele tenha força para te matar, não teria coragem. É só bravata. Ele é uma figura pública; se te matar, sua imagem vai por água abaixo. Mesmo que escape da justiça, a opinião pública pode destruí-lo.”

A opinião pública pode ser manipulada.

Se Muchen o matasse no ringue, ele não teria como conduzir a narrativa a seu favor?

Muchen não era vítima de pressão. Já dissera antes que seu kung fu não era perfeito e tinha medo de perder o controle e matar alguém.

Se isso acontecesse, não seria de propósito, mas um acidente.

Por mais que manchassem sua reputação, haveria limites.

Além disso, se morresse nas mãos de Muchen e a opinião pública o destruísse, ainda assim continuaria morto. Seria o fim para ele, enquanto outros alcançariam seus objetivos.

“Se a opinião pública se voltar contra você, sabe o que irá enfrentar se recuar agora?” — o jovem percebeu o temor de Xuedong e falou friamente.

Recusar agora seria humilhação certa, e Xuedong fizera muitos inimigos ao longo da vida. Não o perdoariam facilmente.

“Mas cinquenta milhões...” Xuedong hesitou.

Muchen podia dispor de cinquenta milhões; ele, não.

“Ele disse que você tem alguém por trás. Vai admitir? Diga que os cinco milhões são tudo o que tem e que os cinquenta milhões são só uma desculpa para não lutar...”, sugeriu o jovem, mas foi interrompido quando alguém se aproximou e lhe sussurrou algo ao ouvido.

Seu semblante escureceu imediatamente.

Havia sido exposto.