Capítulo Seis: Minha felicidade depende de você
Aquela postagem de Muchen no microblog, embora fosse apenas um meme, teve um impacto inimaginável.
Zhang Yi tornou-se, num instante, alvo de chacota de inúmeros internautas.
Tentou surfar na onda, mas acabou se afogando nela.
Além da raiva, Zhang Yi sentiu um certo arrependimento.
Por quê? Tanta gente te ataca e você não responde, mas comigo revida com tanta acidez.
Havia confusão misturada à sua fúria.
Difamam, maltratam, insultam, zombam, desprezam, desdenham, odeiam e enganam você, e não era para você suportar, ceder, tolerar, evitar, aguentar, respeitar, ignorar?
Seu farsante!
É assim que você me suporta e cede?
Me xinga com tanta ferocidade que acabei virando motivo de deboche nacional.
Será que sua consciência não pesa?
As duas imagens que Muchen publicou viralizaram de tal forma que se tornaram preciosidades entre os internautas. E a origem delas, claro, foi amplamente divulgada. Zhang Yi acabou tornando-se o “garoto-propaganda” daquele que abandona o tratamento por falta de remédio!
Como disseram Malin e outros, Zhang Yi foi nocauteado por uma simples imagem de Muchen.
Assim que Muchen publicou o meme, Zhang Yi ainda tentava reagir, mas, aos olhos do público, virou motivo de piada.
Sua imagem ficou abalada; se não agisse rápido para reparar, isso poderia prejudicar seriamente sua carreira.
No mundo do entretenimento, basta uma postagem para arruinar um futuro promissor.
Muchen não se deteve nesse assunto; já começava a pensar no que produziria a seguir!
Uma websérie?
Essa ideia foi logo descartada por ele. Dizer que ele tinha um “mundo” por trás pode soar exagerado, mas tantas eram as séries e filmes que guardava na mente, que não daria conta de realizar tudo nem em uma vida inteira. Não via sentido em se dedicar a uma websérie.
Não tinha preconceito algum contra esse formato.
Contudo, as webséries ainda não haviam conquistado espaço significativo. Com trinta milhões em mãos, não fazia sentido investir em algo assim.
Série para TV ou cinema?
Muchen ponderou, mas decidiu-se por uma série televisiva.
Era apenas um estudante prestes a se formar, sem experiência alguma; arriscar-se no cinema, além da questão da realização, apresentava desvantagens naturais na divulgação.
Para um filme fazer sucesso, não basta qualidade; a promoção é fundamental.
Além disso, o objetivo era destacar um ator.
Ele dirigiria, seu irmão seria o protagonista — quem iria assistir? Havia até o risco de o filme nem chegar aos cinemas.
Se o filme fracassasse, como alavancar o ator?
Para lançar alguém ao estrelato, a televisão costuma ser mais eficaz.
Decidido a produzir uma série, precisava agora escolher qual. Era preciso avaliar com cuidado.
No outro mundo, muitas séries alcançaram sucesso estrondoso e lançaram atores ao estrelato.
Mas Muchen sabia bem: o sucesso de uma série depende de muitos fatores. O que funcionou antes, nesse novo contexto, podia não se repetir.
Nem sempre o que faz sucesso em um lugar, faz em outro.
Por isso, passava os dias pesquisando o mercado.
Se a demanda existisse e a qualidade fosse garantida, aí sim as chances de êxito seriam maiores.
Dessa vez, não podia falhar.
O fracasso significaria perder tudo.
Após muita pesquisa, Muchen tomou sua decisão e começou imediatamente a escrever o roteiro, preparar os storyboards e os esboços.
Com tudo pronto, seria hora de montar a equipe e escolher o elenco.
Pegou o telefone, pensando em ligar para seu irmão Muze, mas desistiu e foi direto até a Cidade do Cinema.
Assuntos assim precisavam ser tratados pessoalmente.
Naquele país, havia várias cidades dedicadas ao audiovisual, e Muze estava há anos em uma delas, não muito longe de Yanjing.
No início, fazia figuração como cadáver; com o tempo, passou a interpretar personagens vivos, e, após alguns anos, até conseguia papéis com algumas falas.
Na última vez em que Muchen conversou com ele por telefone, soube que um diretor de Hong Kong o havia notado; estava participando de um filme de ação, com um pequeno papel e atuando também como dublê de lutas.
Desde pequenos, Muchen e Muze treinavam artes marciais com o avô, e eram guardiões do autêntico Bajiquan, além de terem algum conhecimento em outros estilos.
Nesse aspecto, Muze era consideravelmente melhor que Muchen.
Agora, porém, a situação era diferente.
Ter habilidades marciais não significava ter onde exibi-las.
Se não fosse assim, Muze não estaria há tantos anos lutando por papéis secundários.
Na verdade, antes ele nem ousava aceitar certos trabalhos.
Não dominava ainda o controle de força, faltava experiência, e acidentes poderiam acontecer facilmente.
Filmes de artes marciais e de ação estavam em declínio; os de ação sobreviviam por um fio — era o retrato do cinema local.
Mas isso não queria dizer que não existisse mercado para eles.
Após muito estudo, Muchen decidiu produzir uma série de artes marciais.
Seu objetivo era transformar Muze em uma estrela do kung fu.
Num momento em que faltavam atores especialistas em ação, promover alguém que realmente dominava as artes marciais seria muito mais rápido e natural.
Muze era dois anos mais velho que Muchen, tinha apenas vinte e quatro. Os irmãos se pareciam, apesar de Muze ser mais moreno e Muchen, mais alto.
— Xiao Chen! — Muze, ao retornar à pequena casa rural que alugava, ficou surpreso ao ver Muchen sorrindo para ele.— O que faz aqui?
— Vim te ver! — respondeu Muchen, sorrindo.
— Me ver por quê? Justo na hora do jantar. Vamos comer e conversar! Acabei de receber, posso te oferecer uma boa refeição.
Enquanto falavam, Muze já levava Muchen para fora.
— E aquele trabalho, como terminou? — perguntou Muchen, após se acomodarem.
— Hoje encerrou as gravações. — respondeu Muze, sorrindo. — E você? Está para se formar, não é? Diga lá, veio ao estúdio me procurar por quê?
— Preciso da sua ajuda! — Muchen sorriu. — Como estou para me formar, escrevi um roteiro, consegui um investidor, e quero produzir uma série para TV.
— Você vai dirigir? — Muze ficou surpreso.
Depois de tanto tempo no estúdio, sabia muito bem o quanto era difícil alguém se destacar nesse meio.
— Eu dirijo, você protagoniza. — Muchen respondeu, sorrindo.
— Qual o valor do investimento? — Muze perguntou, sem dar muita importância.
Não acreditava que um irmão recém-formado conseguiria muito dinheiro.
— Trinta milhões! — disse Muchen.
— Quanto? — Muze ficou boquiaberto.
Trinta milhões não era uma superprodução, mas definitivamente não era pouco, desde que não contratassem atores do momento.
— Com um investimento desses, vai me colocar, um figurante, como protagonista? — Muze balançou a cabeça. — O investidor vai aceitar? Xiao Chen, você acabou de se formar, já é difícil conseguir o dinheiro. Me dê um papel de coadjuvante. Depois, quando estiver mais consolidado, você me lança.
Muze sabia por que Muchen havia prestado o exame para a Academia de Cinema, tentou impedi-lo, mas não conseguiu.
Entre irmãos, ambos só queriam o melhor para o outro.
— O investidor fez questão que você fosse o protagonista. — Muchen riu.
Sabia que o irmão não aceitaria de outra forma.
Por telefone, de fato, isso não se resolveria.
— Faz tempo que não apanha, está pedindo! — Muze resmungou. — Um figurante, que investidor iria querer?
Os dois brigavam desde pequenos.
Claro, nas discussões, Muchen sempre vencia, mas, quando a briga virava física, sempre perdia.
— É meu futuro sogro! — Muchen completou.
— O quê? Quem? — Muze estranhou. — Seu futuro sogro… Você bem podia dizer que uma milionária se apaixonou pelo seu irmão e quer me lançar!
Muze sabia que Muchen estava namorando, mas só conhecia o nome da moça. Não sabia nada sobre a família dela, nem acompanhou o recente escândalo, pois estava ocupado filmando.
— Se uma milionária quisesse te lançar, não precisaria de mim! — Muchen brincou.
— Ah! — Muze ficou sem palavras.
Fazia até sentido.
Mas que sentido era esse? Que milionária ia querer um figurante como eu?
— Então, seu futuro sogro te deu trinta milhões para fazer uma série e ainda exige que eu seja o protagonista? — Muze perguntou, cada vez mais desconfiado. — Ele está sem onde gastar dinheiro?
Ao ver Muchen assentir, Muze não acreditou e rebateu com firmeza.
— O pai de Ruoxi é o presidente do Grupo Wansheng, Li Minhui. E ele realmente tem dinheiro de sobra! — Muchen respondeu.
Li Minhui era um nome famoso, Muze o conhecia bem.
— E você aceitou o dinheiro? — Muze franziu o cenho, sério.
Para ele, esse dinheiro não devia ser aceito, mesmo sendo de um futuro sogro.
— Não tive escolha! — Muchen percebeu o mal-entendido e sorriu. — É um teste! Ou faço de você um astro ou estou fora. Ele disse que a filha pode namorar um pobretão, mas jamais um inútil.
Muze ficou de boca aberta, completamente atônito.
Existem pais assim?
E por que estou acreditando nisso?
Talvez pessoas extraordinárias não possam ser julgadas pela lógica comum.
Alguém que já foi o homem mais rico do país é, sem dúvida, fora de série.
— Irmão, minha felicidade está em suas mãos. Não pode me negar essa ajuda! — Muchen concluiu.
Conhecia bem Muze; se não fosse absolutamente sincero, o irmão jamais aceitaria o protagonismo.