Capítulo Quarenta e Quatro: Quem Será Capaz de Quebrar Este Recorde?
O ciclo do destino é inexorável, ninguém escapa à justiça divina! Esta era, atualmente, a melhor descrição do estado de espírito de Guo Tingyun.
Na internet, as zombarias sobre ele não ter coragem de enfrentar Li Ruoxi no ringue estavam por toda parte. Mesmo tendo gasto uma fortuna contratando equipes para manipular opiniões e confundir o público, não conseguiu evitar que a mídia o conduzisse ao centro da tempestade.
Essas equipes argumentavam que sua recusa em desafiar Li Ruoxi não era por medo, mas sim por cavalheirismo. Afinal, que tipo de cavalheiro subiria ao ringue para enfrentar uma dama?
No entanto, sob o ataque dos fãs de Mu Chen, essas equipes estavam prestes a ruir. E a mídia, sedenta por escândalos maiores, atiçava ainda mais as chamas, encurralando Guo Tingyun.
Se ele não aceitasse o desafio, seria apenas um homem que temia apanhar de uma mulher. Um homem que não conseguia vencer nem uma mulher. Um fracassado — esse era seu novo epíteto.
Desesperado, Guo Tingyun transferia toda sua raiva por Li Ruoxi a Mu Chen. Ele tentava coagir Xue Dong a aceitar o embate com Mu Chen.
Agora, não era Mu Chen que se recusava a subir ao ringue contra Xue Dong, mas sim Xue Dong quem hesitava. O poder de decisão estava nas mãos de Mu Chen.
Esse assunto dominava a internet, estampando as manchetes dos principais portais de entretenimento, enquanto o sucesso de “Porta do Kung Fu” seguia inabalável.
Por vários dias consecutivos, a audiência da série crescia de forma constante, embora sutilmente.
Na sexta-feira, a série chegaria ao seu grande final, e restava saber se a audiência alcançaria um novo patamar naquela noite.
No episódio vinte e nove, Cai Liu Jin retorna a Xangai e é descoberto por Takeda Yukio, que envia Cai Xuefu para assassiná-lo... O Imperador do Japão envia Kuki à China, ordenando que ele derrote Chen Zhen nas artes marciais, abalando assim a confiança e o moral dos chineses.
Kuki desafia Chen Zhen, mas acaba derrotado. De volta à casa dos Takeda, é executado sob acusação de traição. Só antes da morte descobre que Takeda Yukio é um mestre do kendô...
No trigésimo episódio, Takeda Yukio decide detonar uma bomba de gás venenoso em Xangai. Chen Zhen, sozinho, enfrenta o perigo e consegue impedir a catástrofe...
No desfecho, Chen Zhen salta corajosamente diante do portão da Porta do Kung Fu, enfrentando sozinho uma chuva de balas das potências estrangeiras, indo ao encontro da morte.
Ele morreu? Talvez sim, talvez não.
Diante daquela situação, a morte parecia certa. Mas muitos preferiam acreditar que ele sobrevivera.
Na trama de “Porta do Kung Fu”, muitos personagens, sejam heróis ou vilões, foram mortos. Algo raro na maioria dos filmes e séries. Mas isso tornava a obra ainda mais realista.
Até o mais grandioso dos heróis pode morrer. O que não morre é seu espírito.
A série chegou ao final, mas o impacto estava longe de acabar.
No dia seguinte, incontáveis pessoas aguardavam ansiosamente pelos recordes que a série teria batido em seu episódio final.
Enquanto isso, Mu Chen e Li Ruoxi já estavam a caminho da quarta gravação de “Uma Viagem Maravilhosa com Sua Outra Metade”.
Desta vez, não gravavam em estúdio, mas sim em uma área turística.
Após três gravações, os participantes estavam mais próximos, conversavam mais e mantinham contato mesmo fora das gravações, embora de forma limitada, pois todos eram bastante ocupados.
Talvez, entre todos, Mu Chen fosse o mais “despreocupado”. Seu trabalho era autogerido, com muita liberdade.
— O senhor Chen acabou de ligar para você — avisou Chen Haixia, entregando o celular a Mu Chen durante o intervalo das gravações.
Mu Chen não tinha assistente; todos os seus pertences ficavam com Qin Haixia.
— Ele disse o motivo da ligação? — Mu Chen perguntou distraidamente.
— Não atendi — respondeu ela, com naturalidade.
Afinal, aquele era o telefone pessoal de Mu Chen, e não seria apropriado atender. Mesmo que fosse uma ligação particular para Li Ruoxi, ela não atenderia.
Mu Chen sorriu, um tanto sem jeito, e logo retornou a ligação para Chen Fuhai.
— Quanto? Tão alto assim?!
Logo ao atender, Chen Fuhai, empolgado, contou a audiência do episódio final de “Porta do Kung Fu”.
Era realmente um número surpreendente.
Sete vírgula onze por cento!
Superou a marca dos sete por cento, um recorde impressionante.
Ninguém esperava uma audiência tão alta.
Nem mesmo Mu Chen, que sonhava com 6,8%, pois até então o máximo atingido fora 6,53%.
Embora fosse o último episódio, a série já parecia ter esgotado todo o seu potencial.
Ninguém imaginava um crescimento tão grande!
Superar sete por cento... Havia anos que não se via uma audiência assim.
— Já saiu o resultado da audiência de ontem? — perguntou Li Ruoxi, fitando Mu Chen.
Os outros participantes também o encaravam. Mesmo quem não assistira à série, certamente já ouvira falar do fenômeno.
Não era falta de interesse, mas sim de tempo.
— Foi surpreendente — respondeu Mu Chen, sorrindo.
— Não me diga que passou dos sete? — perguntou Li Chao, intrigado.
Em finais de grandes sucessos, a audiência geralmente surpreende de duas formas: ou despenca ou dispara.
Li Chao e os demais não acreditavam que “Porta do Kung Fu” teria queda, pois desde o início só crescera.
— Sete vírgula onze por cento! — confirmou Mu Chen, sorrindo.
— Caramba! — exclamou Li Chao, arregalando os olhos. — Incrível!
— Impressionante! — concordaram outros participantes, surpresos.
Ultrapassar seis ou sete por cento são coisas totalmente diferentes no mundo das séries.
— Quem será capaz de quebrar esse recorde? — lamentou Zhong Hua, balançando a cabeça.
Ninguém poderia imaginar que uma série “três sem” — sem elenco famoso, sem grande investimento, sem promoção — alcançaria um feito tão impressionante.
Ao ouvir Zhong Hua, todos olharam para Mu Chen.
— Com esse olhar de vocês, até fico arrepiado! — brincou Mu Chen. — Quem ousa dizer que vai superar esse recorde?
Apesar de ter em mente muitos roteiros clássicos, nem ele tinha confiança de repetir um sucesso acima de sete por cento.
Na próxima série, se a média chegar a três por cento, já estará satisfeito.
— Agora a TV Sul do Lago pode respirar aliviada — comentou Zhou Liang, sorrindo.
A série “Nossa Juventude” fora completamente ofuscada por “Porta do Kung Fu”.
Ainda assim, a audiência nunca caiu abaixo de um por cento, o que já era excelente.
Apesar de ter estreado um dia depois de “Porta do Kung Fu”, “Nossa Juventude” tinha mais de cinquenta episódios, e estava apenas na metade.
Com o fim de “Porta do Kung Fu”, era certo que sua audiência voltaria ao topo.
— Agora, quem será páreo para “Nossa Juventude”? — questionou Zhou Liang.
— Talvez não seja tão certo assim — ponderou Xie Li. — Lembro que, na próxima segunda, “Porta do Kung Fu” reestreia na TV Norte do Lago.
— Xie Li, você realmente acha que a série vai liderar novamente na segunda rodada? — disse Li Ruoxi, sorrindo e balançando a cabeça.
Ela também gostaria que isso acontecesse, mas não acreditava. Nunca se ouvira falar de uma série mantendo a liderança mesmo na reprise.
Ninguém ousava cogitar tal feito.
Nem Mu Chen acreditava que “Porta do Kung Fu” conseguiria superar “Nossa Juventude” na segunda rodada.
Ainda assim, o sucesso era tão grande que a audiência da reprise certamente não seria baixa.
Era por isso que a TV Norte do Lago pagara tanto pela segunda exibição.
— Talvez não seja impossível — respondeu Zhong Hua, sorrindo.
O sucesso de “Porta do Kung Fu” mostrava que a audiência só crescia, indicando que muitos não assistiram aos primeiros episódios.
Esses seriam o público garantido da reprise.
Mas será que, após verem o final, todos voltariam para assistir desde o começo?
Ninguém poderia garantir.
Por outro lado, havia quem visse do início ao fim e quisesse assistir novamente.
Quantos seriam assim? Só eles saberiam.
Essas pessoas talvez garantissem uma boa audiência na reprise, mas liderar novamente...
— Vocês realmente sonham alto — brincou Mu Chen, balançando a cabeça, claramente cético.
Se isso acontecesse, “Nossa Juventude” estaria realmente em apuros.
Sim, e a TV Sul do Lago também.
Ser esmagada pela mesma série duas vezes não era só prejuízo financeiro, mas um golpe no orgulho.
Quem sabe como estaria o diretor de compras da TV Sul do Lago, que rejeitou “Porta do Kung Fu” naquela época!