Capítulo Vinte e Seis: A missão foi concluída assim?
Li Ruoxi balançou a cabeça, mas seu olhar se voltou para o porco deitado no chão.
Naquele momento, o animal já mal respirava; a morte era apenas questão de tempo.
Ela sabia que Mu Chen era habilidoso nas artes marciais, mas não imaginava que fosse tanto assim.
"Que bom que está tudo bem." Mu Chen sorriu ao dizer isso.
Ruoxi então voltou a si, olhou para Mu Chen, sentindo uma doçura no peito.
A sensação de ser protegida era maravilhosa.
— Droga! Droga! Droga!
Li Chao também recobrou os sentidos, e não conseguiu conter o espanto, soltando palavrões.
Não era xingamento, era puro choque.
Sempre ouvira em romances e filmes a expressão “um soco capaz de matar um boi”. Achava exagero, coisa de literatura, mas agora, vendo com os próprios olhos, o impacto era inimaginável.
Bem, não foi um boi, mas sim um porco.
Mas aquele porco era enorme.
Se Mu Chen foi capaz de matá-lo com um único soco, imagine se fosse em uma pessoa… Seria fatal!
Ele era realmente incrível!
Como alguém pode ser assim tão forte?
Isso sim é kung fu de verdade! Impressionante!
Muito impressionante, não é?
— Xiaomu, você é demais! — Liu Yu chegou ofegante, e ao ver o enorme porco imóvel, fez um sinal de positivo para Mu Chen.
Embora estivesse mais afastado, conseguiu ver tudo claramente.
Matar o porco com um soco já era chocante, mas o modo como Mu Chen saltou agilmente até ficar à frente de Ruoxi, como se voasse pelos telhados, também chamou sua atenção.
— Esse porco morreu mesmo? — Zhou Liang cutucou o animal com o pé. Então, lembrando de algo, sorriu para Li Chao e disse: — Chao, será que nossa missão termina aqui?
A missão terminou assim?
Parece, talvez, quem sabe… na verdade, sim!
— Hahaha!
Ao ouvir isso, Li Chao riu: — Devíamos pegar uma cadeira e preparar um bule de chá, não?
— Você acha que matar um porco é só isso? — Mu Chen sorriu e disse — Vamos, precisamos levá-lo para lá.
O porco estava morto, mas a missão claramente não havia terminado.
Contudo, dali em diante, Mu Chen e os outros quase não precisariam fazer mais nada.
Abrir o animal e limpar as vísceras, essas coisas, naturalmente não eram tarefa deles.
A produção do programa também não pretendia obrigar os convidados a usarem a faca de verdade.
— Você é mesmo tão bom assim em artes marciais? Me ensina alguns golpes? — Li Chao disse, rindo, para Mu Chen.
— Para quê você quer aprender? — Mu Chen respondeu, também rindo. — Não vai precisar disso!
— Vai que um dia eu precise! — Li Chao replicou. — Nunca é demais saber. Se um dia me pedirem para mostrar um talento no palco, posso mostrar um pouco!
— Só sei treinar e lutar de verdade, não sei encenar. — Mu Chen balançou a cabeça.
— Como assim? — Li Chao perguntou, confuso.
Mu Chen explicou: — Encenação é performance, aqueles movimentos coreografados. O treino verdadeiro e a luta não são nada bonitos de ver. Por exemplo, se você quiser aprender o exercício de cavar do Xingyi Quan, vai precisar cavar a terra por muito tempo, assim entende a força mais rapidamente. Quanto à luta, são técnicas de combate.
— Então me ensina duas técnicas de combate! — Li Chao se animou.
— Combate no kung fu tradicional também é chamado de técnica mortal. — Mu Chen sorriu. — Combate, combate, na prática é crime.
— O quê?! — Li Chao ficou surpreso.
— Sabe por que meu irmão, que faz figuração em estúdios há anos, nunca quis gravar cenas de luta? — Mu Chen perguntou, sorrindo.
— Por quê? — Li Chao quis saber, lembrando que já ouvira falar do irmão de Mu Chen, protagonista de uma série de kung fu.
A série “Porta do Kung Fu” usava o kung fu real como atrativo: sem efeitos especiais, sem cabos, os atores faziam tudo sozinhos, sem dublês.
Se Mu Chen era capaz de matar um porco com um soco, por pior que fosse o irmão, também seria muito forte.
— Sem dominar o controle da força, é fácil machucar alguém. — Mu Chen explicou. — No kung fu tradicional, a luta foca nos pontos frágeis do corpo. Ainda quer aprender?
— Você não pode só fingir que está me ensinando? — Li Chao fez uma careta.
Se aprendesse e acabasse machucando alguém, realmente não seria bom. E Mu Chen tinha razão, ele provavelmente nunca usaria aquilo.
— Você não sabe que tenho o apelido de “Jovem Sincero”? — Mu Chen riu.
— Apelido? Eu também tenho, mas de bandido! — Li Chao respondeu, rindo.
Logo chegou o meio-dia.
O almoço foi farto, e os convidados não precisaram colocar a mão na massa.
À tarde, gravaram mais algumas cenas, e as gravações daquele episódio chegaram ao fim.
Mu Chen despediu-se de Li Chao e dos outros, e voltou para Yanjing com Li Ruoxi.
— E então, o que achou? — Ruoxi perguntou, sorrindo, a Mu Chen.
— Foi bom. — Mu Chen sorriu e, vendo a dúvida dela, completou: — Só achei que algumas partes não combinam com o nome “Uma Viagem Maravilhosa com o Par”.
Ruoxi sabia que ele se referia à prova de matar o porco.
Naquela missão, os participantes acabaram separados por gênero.
— Talvez seja para todos se conhecerem melhor. — Ruoxi sorriu. — Recebi uma informação da irmã Xie Li.
— Ah, sim? — Mu Chen sorriu, curioso.
— No próximo episódio, o tema vai ser “sobrevivência na selva”. Parece que vamos para as montanhas. — Ruoxi contou.
Xie Li sabia dos planos da produção, então Mu Chen não ficou surpreso.
— Não se preocupe, comigo aqui está tudo bem! — Mu Chen sorriu. — Com tanta gente da produção, ou só nós dois, não teremos problemas nem na floresta mais densa.
Mu Chen nunca fez curso de sobrevivência, mas tinha habilidades, cresceu frequentando as montanhas e, em sua cidade natal, era um caçador habilidoso. Sobreviver na selva não seria difícil para ele.
O voo era à noite, e chegaram a Yanjing de madrugada.
Desta vez, a agente e a assistente de Ruoxi não a acompanharam. Mu Chen, claro, fez questão de levá-la para casa.
— Foram gravações, voo… melhor descansar cedo! — Mu Chen sugeriu, sorrindo.
— Está com fome? Quer comer alguma coisa...? — Ruoxi olhou para ele, hesitante.
— Você está com fome, não é? — Mu Chen sorriu.
Tinham corrido para o aeroporto e nem jantaram.
Mu Chen comeu algo no avião, mas Ruoxi só bebeu um pouco de água.
— Vou ver o que tem na sua geladeira. — Mu Chen foi direto para a cozinha.
Ele pensou que deveria ser mais atento.
Se fosse cuidadoso o suficiente, como não perceberia que Ruoxi estava com fome?
— Até a melhor cozinheira não faz milagre sem ingredientes! — Murmurou Mu Chen, ao abrir a geladeira e encontrar apenas algumas bebidas, nada mais. Ficou um pouco sem graça.
Mas logo entendeu: provavelmente Ruoxi nunca entrava na cozinha.
Ela ficou corada, um tanto envergonhada.
— Me dá a chave do carro? Lembro que não longe daqui tem um supermercado 24 horas. — Mu Chen sugeriu.
— Ou então, deixa pra lá...
— Deixar pra lá nada! A vida tem que ser vivida com capricho. — Mu Chen a interrompeu. — Você precisa de alguém para cuidar de você.
— E você quer ser esse alguém? — Ruoxi olhou para Mu Chen, corada.
— Quero! — Mu Chen hesitou um instante e logo concordou, balançando a cabeça.