Capítulo Trinta e Seis: Primeira Experiência em uma Cidade Estranha

Minha Namorada Estrela Música do Destino 2901 palavras 2026-03-04 20:06:11

A morte de Huo Yuanjia provocou um debate intenso, o que indiscutivelmente fez com que "O Portão da Arte Marcial" se tornasse ainda mais popular.

Talvez, superar os seis pontos de audiência já fosse possível.

Muitos atores da série ganharam fama graças a ela, mas foi Mu Chen, o diretor, quem mais se destacou.

Sem dúvida, os programas de variedades também contribuíram para isso.

A terceira gravação do programa foi feita no exterior, numa cidade desconhecida.

Dessa vez, parecia ser um teste para avaliar a capacidade dos convidados de sobreviver em um lugar estranho.

Ambiente desconhecido, idioma diferente, como sobreviver?

“Diretor, você quer acabar com a gente?” disse Li Chao. “Não conhecemos ninguém, nem conseguimos nos comunicar direito, você ainda levou nosso dinheiro e cartões, só nos deixou cem dólares! São dois dias e uma noite, meu amigo, como quer que vivamos com cem dólares?”

“Vocês podem ganhar dinheiro, não podem?” respondeu o diretor, sorrindo.

“Como?” Li Chao revirou os olhos.

O diretor sorriu sem responder.

“Alguém aqui fala inglês?” Li Chao olhou para Mu Chen e os outros, perguntando em seguida.

Zhou Liang não falava, mas sua esposa, ex-top model internacional, ainda que não fosse fluente, conseguia se comunicar.

Liu Yu e Zhong Hua estavam em apuros, só sabiam algumas frases básicas. Já Mu Chen e Li Ruoxi eram ambos fluentes.

Li Ruoxi devia isso à educação familiar, enquanto Mu Chen, em sua vida passada como mercenário, dominava não só o inglês, mas também alemão, francês, árabe e ainda arranhava o espanhol.

Li Chao e Xie Li tinham problemas sérios nesse quesito.

Li Chao costumava brincar dizendo ser péssimo nos estudos, e isso não era falsa modéstia, mas pura autodepreciação. Desde pequeno, tinha notas ruins, prestou o vestibular de artes cênicas duas vezes; na primeira, ficou em primeiro lugar na prova prática, mas sua nota teórica foi tão baixa que não foi aceito.

“Vou andar com vocês dois”, disse Li Chao, olhando para Mu Chen e Li Ruoxi.

Mu Chen apenas sorriu, sem responder, olhando para o diretor.

Se o diretor não tivesse objeções, ele também não teria.

O diretor apenas balançou a cabeça, sem dizer nada.

Li Chao fez uma careta e não insistiu.

Ele só estava comentando, não planejava mesmo seguir Mu Chen e Li Ruoxi.

Era só um programa, afinal, não era como se eles realmente tivessem de sobreviver dois dias e uma noite com cem dólares numa cidade estranha.

“E agora, para onde vamos?” perguntou Li Ruoxi, após se separarem.

“Vamos dar uma volta, observar o lugar. Ganhar dinheiro não precisa ser imediato”, respondeu Mu Chen, sorrindo.

Ganhar dinheiro não era motivo de preocupação para ele.

No fim das contas, se não desse certo, era só cantar na rua.

Tanto ele quanto Li Ruoxi não sairiam de mãos vazias. Se tudo falhasse, poderiam cantar em bares e, com isso, cobrir as despesas dos dois dias e uma noite sem problema algum.

Na mente de Mu Chen, havia tantas músicas em inglês quanto em chinês.

Só preferia as chinesas, por gosto pessoal.

“Se soubesse, teria trazido um violão”, comentou Li Ruoxi, observando alguém cantando ali perto, com várias notas de dinheiro à sua frente. “Tenho certeza de que ganharia mais do que ele.”

“Homens ganham o pão, mulheres embelezam o cenário”, disse Mu Chen, rindo. “Ganhar dinheiro? Isso é fácil.”

“Você tem um plano?” Li Ruoxi perguntou, animada.

Mu Chen olhou ao redor; eles já estavam em uma praça movimentada.

Havia cantores de rua, artistas plásticos...

Ao ver um desenhista, Mu Chen aproximou-se, pediu um pedaço de giz e desenhou no chão um círculo de dois metros de diâmetro.

“Tire os cem dólares”, pediu Mu Chen a Li Ruoxi.

Embora intrigada, Li Ruoxi entregou o dinheiro.

Logo, ela entendeu o que Mu Chen pretendia.

Ele falou em inglês, mas Li Ruoxi compreendeu tudo.

Vinte dólares por tentativa, um minuto por vez; quem conseguisse tirar Mu Chen do círculo ganharia cem dólares!

Quem se atreveria a desafiar a lendária arte marcial chinesa?

Vinte dólares não era muito, mas também não era pouco.

Assim que Mu Chen fez o anúncio, várias pessoas se aproximaram. Um jovem branco parecia ansioso para tentar.

Mu Chen entregou os cem dólares a Li Ruoxi para ela cuidar do dinheiro.

Antes mesmo que o jovem falasse, um homem negro e corpulento já havia tirado vinte dólares do bolso para tentar.

Mesmo que não ganhasse cem dólares, gastar vinte para experimentar o kung fu chinês já valia a pena.

O homem negro era um pouco mais alto que Mu Chen e visivelmente mais forte.

Ele sorriu, confiante, como se já visse os cem dólares em sua conta.

Mu Chen assumiu sua postura de base, sinalizando para Li Ruoxi marcar o tempo.

O homem empurrou Mu Chen com toda a força, mas não conseguiu movê-lo um centímetro.

Seu rosto já estava vermelho de esforço, claramente não era atuação.

O minuto passou rapidamente, sem sucesso.

“É de verdade?”

“É tão incrível assim?”

Muitos não acreditaram, expressando dúvidas.

Outro quis tentar, era o jovem branco de antes.

Ele não era forte, até parecia franzino. Quis apenas experimentar o kung fu chinês.

O resultado era previsível.

A multidão aumentava e, por curiosidade, vários pagavam para tentar.

“Quer descansar um pouco?” perguntou Li Ruoxi, preocupada.

Em pouco tempo, já tinham faturado mais de cem dólares.

“Não precisa”, respondeu Mu Chen, sorrindo.

“Deixa comigo!”

Mais uma pessoa pagou, mas dessa vez, não se sabe se por engano ou de propósito, ele chutou Mu Chen ao invés de empurrá-lo.

Mu Chen desviou de lado e, com um leve toque, o homem perdeu o equilíbrio e quase caiu de cara no chão, não fosse a multidão que o amparou.

“Por que você bateu nele? Era só para empurrar”, disse Li Ruoxi, indignada.

Mu Chen fez um gesto com a mão e explicou: “Você pode atacar, desde que consiga me tirar do círculo, ganha. Mas pense bem, se atacar, eu posso revidar. Empurrar é uma disputa amistosa, atacar é um desafio mais sério.”

“Está bem!” O homem, envergonhado pelo tombo, estava furioso.

“Pessoal, afastem-se um pouco”, disse Mu Chen calmamente.

Ao ver que haveria uma luta de verdade, a multidão ficou ainda mais animada.

Empurrar era menos emocionante.

Quando todos deram espaço, o homem avançou e socou em direção à cabeça de Mu Chen.

Mu Chen agarrou o braço, puxou de lado e, ao ver o outro tentar recuperar o equilíbrio, empurrou-o pelas costas. O homem voou, caindo longe.

“Bravo!”

“Palmas!” Aplausos e gritos de aprovação ecoaram.

O homem se levantou, olhou para Mu Chen e não tentou mais atacar. Percebeu que Mu Chen era realmente habilidoso.

Depois do desafio, sua raiva passou e ele sorriu, fazendo um sinal de positivo para Mu Chen.

“Jovem, posso tentar?”

Mais alguns tentaram, mas o resultado foi o mesmo.

Houve disputas apenas de força e outras de artes marciais. Quem apenas empurrava, no máximo, ficava com os músculos doloridos; quem atacava acabava caindo de forma desajeitada.

Mu Chen, porém, sempre pegava leve, causando no máximo alguns arranhões.

Logo, alguns espectadores se aproximaram.

Mu Chen olhou surpreso para o homem de aproximadamente quarenta anos, vestido com roupa tradicional chinesa, claramente um compatriota.

“Prefere empurrar ou atacar?” perguntou Mu Chen, sorrindo.

“Também pratico artes marciais, vamos trocar uns golpes”, o homem respondeu, sorrindo.

“Por favor”, assentiu Mu Chen.

O homem fez sinal para um acompanhante, que, surpreso, pagou Li Ruoxi.

“Baji, Liao Chengzhi!” O homem assumiu uma postura marcial e se apresentou.

Seu acompanhante pediu para a multidão recuar ainda mais.

Pelos gestos, todos perceberam que aquele era um mestre.

“Baji, Mu Chen!” respondeu Mu Chen, também assumindo a postura do Baji Quan.

O homem ficou surpreso.

As técnicas que Mu Chen usara antes eram claramente do Tai Chi.

Ele próprio dominava Tai Chi, Xingyi e outras artes.

Mas o modo de se apresentar indicava linhagem.

Será que Mu Chen não era um discípulo do Tai Chi, mas sim do Baji Quan?

Ou talvez ele sequer conhecesse as regras do mundo das artes marciais?