Capítulo Quarenta e Um: Então Lutemos

Minha Namorada Estrela Música do Destino 2944 palavras 2026-03-04 20:06:18

Dez mil moedas por um poema certamente traz o sabor do efeito celebridade. Na opinião de Li Ruoxi, considerando a popularidade e a visibilidade de Mu Chen atualmente, o valor desse poema está muito além de dez mil. Aliás, só o fato de pagar essa quantia por um poema já seria o suficiente para gerar muita conversa.

Se Mu Chen quisesse aumentar o preço, não seria impossível. No entanto, ele simplesmente não achou necessário. O Monte Tai, afinal, já é um ponto turístico amplamente conhecido; o poema não passa de um adorno a mais. Além do mais, eles poderiam muito bem não pagar nada, apenas divulgar o poema sem associá-lo ao Monte Tai, e o efeito seria quase o mesmo.

Tendo vivido duas vidas e presenciado a morte de perto, Mu Chen não diria que via o dinheiro como algo sem valor, mas definitivamente não lhe dava grande importância.

O poema de Mu Chen foi adquirido pelos responsáveis pelo turismo do Monte Tai por dez mil moedas, e o assunto rapidamente se tornou tema de debates acalorados na internet.

“Impressionante, meu Mu Chen! Só de se exibir um pouco já ganhou dez mil!”

“Dez mil por um poema? Se fosse de outro autor, talvez parecesse exagero, mas considerando a fama atual de Mu Chen, até parece pouco.”

“Em questão de minutos, dezenas de milhares, não é exagero!”

“Tem celebridade por aí sem metade desse prestígio que cobra cachês muito maiores.”

“Dez mil parece muito, mas para Mu Chen, não é nada.”

“Esse poema parece falar do Monte Tai, mas na verdade é sobre a audiência de ‘O Portão de Jingwu’!”

“Talvez seja por isso que venderam os direitos por apenas dez mil.”

“É só um dinheiro extra!”

...

O surgimento do poema “Contemplando a Montanha” silenciou sem dúvida os que questionavam a habilidade poética de Mu Chen. Desta vez, ninguém duvidou de sua autoria.

Tardiamente, muitos perceberam que, provavelmente, as criações de Mu Chen em poesia clássica não se resumiam àquilo. Em “A Viagem Maravilhosa com a Outra Metade”, os poemas “A Fada da Ponte de Magpies” e “Compaixão pelo Lavrador”, e até aquele poema postado no microblog depois que seu namoro com Li Ruoxi veio à tona, “Oh Céu!”, todos agora pareciam parte de um mesmo talento.

Uma vez pode ser acaso, várias vezes já não. Poemas clássicos tão refinados não poderiam ser obra de terceiros.

Muitos estudiosos renomados da poesia clássica não pouparam elogios a essas composições.

O nome de Mu Chen, o sucesso de “O Portão de Jingwu”, tudo dominava a internet, despertando a curiosidade de cada vez mais pessoas sobre a série.

Naquela noite, no vigésimo terceiro episódio, Cai Xuefu, ao ver Cai Lujin preso, ficou eufórico e acabou revelando a ele que Takeda havia envenenado Huo Yuanjia. Takeda, ao saber disso, ficou furioso e ordenou que Cai Xuefu eliminasse Cai Lujin naquela mesma noite...

No vigésimo quarto episódio, Ishii Hideaki e Takeda Yumi decidem se casar, e o convite chega ao Portão de Jingwu...

Esses dois episódios não fizeram senão aumentar a antipatia por Cai Xuefu, interpretado por Zhao Jin.

Havia notícias de que Zhao Jin fora agredido por causa desse personagem, e agora muitos internautas comentavam que, se o encontrassem, talvez também não conseguissem evitar uma agressão.

Personagens assim, pessoas assim, realmente despertam vontade de bater. E, como disse Mu Chen, naquele tempo, gente desse tipo não era rara. E a fala de Mu Chen aos repórteres na porta do hospital, dizendo que se hoje em dia ainda existissem pessoas assim, nem ele resistiria a dar uns sopapos, fez eco em muitos.

No dia seguinte, saiu o índice de audiência, e muitos respiraram aliviados, enquanto outros tantos ficaram desesperados.

6,23%!

A audiência não só não caiu, como alguns previam, como ainda subiu mais um ponto percentual. Parece pouco, mas já é impressionante.

Durante toda a temporada, “O Portão de Jingwu” sufocou a concorrência. Não, na verdade, não teve concorrente algum. Se precisasse apontar um, seria “Nossa Juventude”, da TV Nanhu. Pena que, depois de dois confrontos, foi completamente esmagada.

Só nos dois primeiros dias de exibição foi que essa série foi vista como verdadeira rival de “O Portão de Jingwu”. Tinha fama, mas não força.

O caso de Zhao Jin ter sido agredido, impulsionado pelo noticiário da TV estatal, ganhou ainda mais notoriedade, e sua atuação nos dois episódios da noite anterior só fez crescer o tema.

Mesmo assim, nada se comparava à polêmica “Mu Chen com medo de matar Xue Dong”.

O questionamento de Xue Dong sobre Mu Chen ter matado um porco no programa só para autopromoção, duvidando de suas habilidades marciais e de combate, só aumentava.

A mídia alimentava a polêmica, e Xue Dong parecia cada vez mais encurralado, mantendo as acusações de que Mu Chen e Mu Ze não tinham habilidades reais e nem conheciam artes marciais, tornando-se cada vez mais agressivo em suas palavras.

Ele também se dizia disposto a enfrentar qualquer um dos irmãos em um combate, menosprezando as regras mencionadas por Mu Chen.

No entanto, todo meio tem suas regras. No mundo das lutas, só se enfrentam adversários do mesmo peso; nas artes marciais, só confrontam pessoas do mesmo status – isso também é regra.

Xue Dong, ao duelar com certos “mestres”, já estava quebrando essas normas. Mas ele não se importava.

“O Portão de Jingwu” despertou uma febre pelo kung fu, e o número de interessados no caso só crescia.

“Esse cara não larga do pé de vocês dois, né?” Chen Fuhai franziu a testa ao entregar o celular a Mu Chen.

Mu Chen olhou de relance, os olhos semicerrados.

“Com a fortuna de Xue Dong, apostar quinhentos mil deve exigir sacrifícios, talvez até levá-lo à ruína, não? Ele tem tanta coragem assim?”, comentou Mu Chen, com indiferença. “Você acha que tem alguém por trás dele?”

Chen Fuhai, perspicaz, logo entendeu a insinuação.

“Querem me ver lutando com ele”, murmurou Mu Chen, sorrindo de lado.

Teria medo de Xue Dong? Claro que não. Só não queria lutar porque não via necessidade nem interesse. Depois de tantas batalhas de vida e morte, subir num ringue já não lhe despertava entusiasmo.

“Parece que o alvo é mesmo você, não seu irmão”, disse Chen Fuhai, pensativo. “Vou pedir para investigarem.”

Mu Chen assentiu. Também sentia que havia algo estranho com Xue Dong e com a mídia que agitava a polêmica.

Alguém estava por trás, movendo os fios. O motivo, difícil de adivinhar. Sem saber de nada, Mu Chen não iria se precipitar num combate com Xue Dong.

Não se deixaria manipular. E mesmo que aceitasse, teria de saber o porquê.

“Irmão, terminou seus compromissos?”

Depois que Chen Fuhai saiu, Mu Ze apareceu.

Hoje, Mu Ze já superava em popularidade muitos artistas de terceira linha. Aquele “desafio” proposto por Li Minhui havia sido cumprido com sobra.

Se houvesse um padrão, Mu Ze, graças ao sucesso de “O Portão de Jingwu”, já estava quase no topo. Claro, isso enquanto a série mantivesse o sucesso; depois, provavelmente recuaria para o segundo escalão, mas nunca voltaria ao terceiro.

“Quero falar contigo”, disse Mu Ze.

Mu Chen olhou curioso, já imaginando do que se tratava.

Mu Ze estava há algum tempo em Pequim, desde que saiu da cidade cenográfica, mas os irmãos se viam pouco, e Mu Ze raramente o procurava.

Entre irmãos, o sangue fala mais alto, e o sentimento não se mede pelo tempo juntos.

“Quero lutar com Xue Dong”, declarou Mu Ze.

Como imaginava.

“Você sabe o que significa se perder?”, disse Mu Chen. “Você é ator, seu mundo é o entretenimento, não as artes marciais ou o ringue. Não precisa se envolver nisso.”

“Não tenho certeza absoluta, mas tenho boas chances”, respondeu Mu Ze. “Sou ator, mas também praticante de artes marciais. E agora, sou visto como ator de kung fu autêntico. Com Xue Dong provocando e a mídia agitando, se eu me esquivar, meu ‘personagem’ vai desmoronar. Você sabe o que isso significa para um ator.”

Mu Chen ficou em silêncio, refletindo.

“Xiao Chen, depois de tantos anos como figurante, finalmente você me fez famoso. Não quero que tudo pelo que lutamos se perca”, continuou Mu Ze.

“Irmão, ouviu algum boato?”, perguntou Mu Chen, encarando-o. “Ou percebeu que estão mirando em mim?”

O olhar de Mu Ze vacilou, quis negar, abriu a boca, mas não disse nada e ficou calado.

De fato, ele havia percebido.

Na verdade, muitos do meio já tinham notado.

Mu Ze queria enfrentar Xue Dong não só para manter sua imagem, mas, acima de tudo, para proteger Mu Chen.

Ele era o irmão mais velho, e isso era um instinto natural, quase sem pensar.