Capítulo Um: Não pode ser tão trágico assim

Minha Namorada Estrela Música do Destino 3539 palavras 2026-03-04 20:04:11

Mu Chen teve um sonho, um sonho longo, longuíssimo!

No sonho, ele não era mais um órfão, tampouco o rei mercenário que caminhava entre balas e morte, acostumado ao perigo. Era um estudante prestes a se formar no curso de Direção da Academia de Cinema. Tinha uma família! Os pais estavam vivos, ainda havia um irmão. Sim, parecia até que tinha uma namorada bonita. A vida era simples, sem emoções intensas, mas era justamente isso que Mu Chen sempre desejou.

Depois de vivenciar tantas situações entre a vida e a morte, ele ansiava apenas por uma existência tranquila e estável. Pena que, para ele, isso era um sonho inalcançável. Se abandonasse tudo, seria aniquilado sem deixar vestígios. A vida não estava em suas mãos!

Por mais belo que seja um sonho, um dia é preciso acordar. Talvez hoje morresse sob uma bala disparada de algum lugar desconhecido. Talvez esse fosse mesmo o seu destino.

Ao despertar, sentiu uma dor de cabeça lancinante, como se fosse ressaca.

"Onde estou?"

Mu Chen se assustou. Para alguém acostumado a viver no limite, acordar em um lugar estranho significava um perigo imenso.

"Você ficou bêbado ontem à noite, foi? Aqui é o dormitório! Você se mudou há pouco tempo e já esqueceu? Ontem você bebeu até cair, desmaiou, e como ninguém sabia onde fica o seu apartamento, trouxemos você para cá."

Mu Chen olhou, seguindo a voz, e o rapaz continuou:

"Malin?"

Os olhos de Mu Chen se arregalaram e ele chamou, hesitante, o nome de quem jogava videogame.

"Ah, então ainda lembra meu nome, não está completamente lesado!", respondeu Malin, sorrindo.

Ouvindo isso, Mu Chen ficou paralisado.

Teria atravessado o tempo? Renascido?

Não era um sonho, mas sim as memórias desse outro Mu Chen, deste mundo.

Mesmo nome, mesmo rosto, mas uma origem diferente, experiências distintas.

E também um mundo diferente.

Se fosse um sonho, Mu Chen desejaria nunca acordar! Quem sabe toda aquela vida de mercenário fosse só uma ilusão.

Seja sonho ou renascimento, Mu Chen gostava dessa nova identidade, dessa nova vida.

Sentia-se renascido.

À medida que esse pensamento crescia, sua personalidade e temperamento se afastavam do Mu Chen frio e acostumado à morte.

"Depois da bebedeira, está melhor?", perguntou Malin, jogando videogame. "Foi só um fora, né? Aliás, você nem levou um fora ainda! A Li Ruoxi pode nem terminar com você! Tenha um pouco mais de confiança!"

Li Ruoxi?

De repente, Mu Chen se lembrou e esboçou um sorriso amargo. Será que logo ao chegar a esse mundo já seria abandonado?

Mas talvez fosse melhor assim.

Embora tivesse absorvido as memórias desse Mu Chen e sentisse algo por Li Ruoxi, a consciência principal era outra.

Alguém acostumado à morte não se apegaria facilmente a sentimentos.

Fim de curso, época de términos.

Na verdade, Mu Chen acreditava que o possível término não se dava pelo fim iminente da faculdade, mas sim porque Li Ruoxi havia se tornado famosa.

Li Ruoxi era estudante de Interpretação na Academia de Cinema; resolveu participar de um programa de calouros de canto e quase venceu.

Dizia-se que não ganhou porque a empresa para a qual assinou contrato não era a organizadora do programa.

Mesmo sem o título, sua beleza estonteante e talento vocal fizeram dela a participante mais popular.

Com isso, Li Ruoxi despontou!

Seu álbum musical estava em preparação, e um filme de baixo orçamento que ela havia gravado surpreendeu a todos com bilheteria alta, além de ter conquistado vários prêmios no Festival do Dragão Dourado, que acontecera dias atrás.

Por essa atuação, Li Ruoxi ganhou o prêmio de Melhor Revelação!

De caloura famosa em programa musical a revelação premiada do Dragão Dourado, sua popularidade disparou.

O Prêmio Dragão Dourado é o mais prestigiado do cinema nacional. O prêmio de Melhor Revelação tem grande valor para um jovem ator.

Agora, Li Ruoxi havia firmado seu lugar no mundo do entretenimento.

Ficou famosa, o término parecia inevitável.

Fama e separação.

Na Academia de Cinema, isso era comum, quase uma regra do meio.

Li Ruoxi explodiu em popularidade e os boatos de separação já tomavam o campus.

A força dos rumores era tanta que Mu Chen, ouvindo tanto, perdeu a confiança em si e no relacionamento. Na noite anterior, afogou as mágoas na bebida e acordou de ressaca.

"Então é verdade que você está aqui! Terminou mesmo com a Li Ruoxi?"

Alguém entrou no dormitório e olhou para Mu Chen, perguntando.

"Wang Hao, você não tem vergonha? Igual aos outros, torcendo para ela largar o Mu Chen? E por que não foi à confraternização ontem?", Malin retrucou, fazendo careta.

Wang Hao morou ali por um tempo, mas mantinha amizade com todos e vivia visitando.

"Tive um compromisso ontem", respondeu Wang Hao, sem jeito. Em seguida, olhou para Mu Chen: "Então vocês não terminaram? Porque no site da faculdade já estão comentando..."

"Site da faculdade?", Malin abriu o portal da instituição, e logo ficou surpreso: "Esses fofoqueiros têm jeito para paparazzi! Pegam qualquer boato, aumentam tudo..."

"Mu Chen está arrasado e bêbado: na Academia de Cinema não existe amor!", dizia o post mais comentado.

Mu Chen e Li Ruoxi eram o casal perfeito da faculdade, atraindo atenções desde o início. O relacionamento deles abalou o campus, mas agora, nem mesmo eles escapavam da “maldição” do meio artístico.

A bebedeira de Mu Chen foi interpretada como sinal de desilusão amorosa.

"Vou nessa, qualquer coisa me liga", disse Mu Chen, levantando-se e saindo do dormitório.

Precisava de um tempo para assimilar tudo, para se adaptar.

Quanto aos boatos, não se importava.

Terminar era questão de tempo.

Além disso, a formatura estava próxima. Ao deixar a faculdade, não precisaria mais se preocupar com os rumores.

Wang Hao quis dizer algo, mas hesitou.

Malin lançou-lhe um olhar severo: "Você veio aqui só para jogar sal na ferida do Mu Chen?"

Guiado pelas lembranças, Mu Chen voltou ao seu apartamento alugado.

O lugar era pequeno, mas tinha tudo que precisava: cama, escrivaninha, computador...

Com a formatura à vista, tudo estava pronto para a nova etapa.

De repente, alguém bateu à porta, tirando Mu Chen de seus pensamentos.

"Ru... Ruoxi!"

Ao abrir, deparou-se com uma jovem elegante, de óculos escuros.

Mesmo com o acessório cobrindo quase todo o rosto, Mu Chen a reconheceu de imediato.

Era sua namorada, Li Ruoxi.

"Mu Chen, precisamos conversar", ela disse.

"Conversar?", Mu Chen se surpreendeu e logo percebeu do que se tratava.

Seria o término?

Se ela queria conversar logo de cara, dificilmente era outra coisa.

Talvez fosse melhor tomar a iniciativa.

Entraram e fecharam a porta.

Mu Chen olhou para Li Ruoxi, abriu a boca, mas não conseguiu falar.

Sentiu uma tristeza apertar-lhe o peito.

Seria apego?

"Mu Chen, nós..."

Li Ruoxi tentou falar, mas hesitou, sem saber como continuar.

Após mais de dois anos juntos, era natural ter sentimentos, mas, diante do inevitável, ela se via dividida entre partir ou ficar.

Talvez romper após a fama fosse vergonhoso, uma traição ao companheiro dos tempos difíceis. Talvez sentisse culpa.

"Eu entendo", disse Mu Chen, forçando um sorriso. "Se você estiver bem, eu fico feliz. Na situação atual, realmente não faz sentido continuarmos juntos. Eu... desejo tudo de bom para você! Não há certo ou errado nisso."

Como homem, por que dificultar para ela?

"Eu..."

Li Ruoxi parecia querer se explicar, mas não sabia como, demonstrando ansiedade.

Mu Chen sorriu, embora o sorriso fosse forçado.

Melhor uma despedida amigável.

Quando ele ia falar, Li Ruoxi, aflita, de repente o abraçou.

Mu Chen não era ingênuo; percebeu que ela não queria terminar.

Apesar da fama, ela não o deixaria.

Sentiu isso claramente no abraço.

Gostava dela, e naquele instante sentiu-se tocado.

Sim, estava emocionado.

"Ah!"

Li Ruoxi exclamou de repente, corando de vergonha e olhou para Mu Chen, sem saber onde pôr o rosto.

"O que foi?", perguntou Mu Chen, confuso.

"Acho que... estou menstruada!", murmurou, quase num sussurro.

Mu Chen ficou boquiaberto.

Em duas vidas, nunca passara por isso.

Ficou completamente sem reação.

O que eu faço agora?

"O que posso fazer?"

"Eu... esqueci de trazer absorvente. Será que você pode...?"

O que era aquilo?

"Eu vou comprar para você!", disse Mu Chen, meio sem jeito.

Não precisava que ela pedisse mais claramente.

Como homem, era hora de agir.

Mu Chen se arrumou e saiu.

Logo em frente ao prédio havia uma pequena loja, que parecia ter bastante movimento, mesmo àquela hora.

Com tanta gente, seria melhor ir a outro lugar?

Talvez fosse melhor ir ao shopping ali perto. Mas lá provavelmente haveria ainda mais pessoas...

Diante disso, Mu Chen ficou hesitante e não pôde evitar de corar.

O rei mercenário que não vacilava diante de tiros e explosões, agora se sentia nervoso e envergonhado por ter que comprar um pacote de absorventes...

Quem nunca comprou absorvente para a namorada não é um bom namorado!