Capítulo 58: As coisas não vão nada bem
Após uma breve introdução de sua nova série, "O Sorriso do Guerreiro Errante" (Xiao Ao Jiang Hu), Mu Chen cedeu a palavra aos protagonistas, que apresentaram seus respectivos papéis de forma enigmática. Aguçar a curiosidade sem revelar spoilers era a regra.
O novo projeto de Mu Chen atraía olhares atentos, afinal, o impacto de "Punho da Fúria" (Jing Wu Men) fora avassalador. Contudo, poucos esperavam que ele deixasse de lado o gênero de artes marciais puras para investir no gênero "wuxia" (ficção de cavalaria heróica). A escolha causou perplexidade. Se Mu Chen tivesse mantido o elenco original de "Punho da Fúria" para outra produção de luta, o sucesso comercial estaria praticamente garantido. Era difícil entender por que ele abandonaria uma fórmula tão vitoriosa. Embora várias produtoras tentassem surfar na onda das artes marciais, nenhuma alcançava o nível de Mu Chen. Ele se tornara uma marca de prestígio inquestionável; até mesmo a segunda exibição de "Punho da Fúria" atingiu índices de audiência absurdos.
"Wuxia?" Muitos se perguntavam se o sucesso inicial teria subido à cabeça do diretor. Afinal, o gênero vivia um declínio constante, tanto nas bilheterias quanto na televisão. "Jovens, como são imprudentes", comentavam os jornalistas, céticos. Eles esqueciam, porém, que antes de "Punho da Fúria", ninguém apostava no sucesso das produções de artes marciais.
"Diretor Mu, por que escolher o wuxia em vez de continuar com as lutas?" um repórter questionou.
"Todo praticante de artes marciais tem o sonho de viver uma história de cavalaria", respondeu Mu Chen com um sorriso. "Mas, sendo pragmático, vejo um grande potencial de mercado no wuxia."
Ele sabia que o mercado de filmes de wuxia estava saturado, mas a televisão era diferente. O público para esse gênero ainda era vasto, desde que a qualidade fosse elevada.
"Seu elenco principal, Mu Ze e Li Ruoxi, são seu irmão e sua namorada. Não teme ser acusado de favorecimento?"
"Uma consciência limpa não teme sombras. Sigo meu caminho e deixo que falem", respondeu ele. "Não nego: em condições iguais, priorizo meus entes queridos. Não vou sacrificar uma oportunidade para os meus apenas para parecer imparcial. Além disso, o roteiro foi escrito por mim e, antes mesmo de estar pronto, eles já eram a escolha ideal. Eles foram feitos para esses personagens."
O fato de Mu Ze ser irmão de Mu Chen e ter trabalhado como figurante para sustentar os estudos do diretor era de conhecimento público. A intenção de Mu Chen de alavancar a carreira do irmão também não era segredo. Portanto, a escolha de Mu Ze era natural. Em vez de parecer egoísta, a franqueza de Mu Chen gerou simpatia. Ele não negligenciou a qualidade da série; pelo contrário, adaptou a obra para os atores que melhor a interpretariam.
Quando um repórter insinuou que a atriz Su Xiaowan só fora escalada por ser namorada de Mu Ze, Mu Chen brincou com o irmão, arrancando risos da plateia e desviando da provocação com leveza.
Quanto às perguntas sobre sua habilidade em combate frente a outros lutadores, Mu Chen e seu irmão mantiveram uma postura diplomática, evitando alimentar polêmicas desnecessárias. Sobre os rumores de que Li Ruoxi teria apostado uma fortuna na vitória de Mu Chen em um duelo, a atriz respondeu com firmeza: "Nunca frequentei cassinos, nem tenho o vício do jogo. Apostei alto apenas porque as probabilidades oferecidas pelo cassino eram um insulto à habilidade de Mu Chen."
A coletiva foi um sucesso de atenção. A notícia do novo projeto dominou as redes sociais, dividindo opiniões: enquanto alguns afirmavam que o gênero wuxia estava "morto", outros argumentavam que, se Mu Chen conseguiu reviver as artes marciais, ele certamente conseguiria o mesmo com o wuxia.
Alheio às discussões online, Mu Chen focou inteiramente nas filmagens. Ele sabia que, no fim das contas, a qualidade da obra seria a única resposta que importava.