Capítulo Quarenta e Sete: Se Ruoxi Fala Bem Chinês

Minha Namorada Estrela Música do Destino 2619 palavras 2026-03-04 20:06:48

— Esta roupa está boa para eu usar? — perguntou Lilian, já tendo experimentado várias opções sem conseguir se decidir. Ela viera gravar o programa sem trazer muitas roupas, e esta era a segunda vez que vestia a mesma peça. Era também uma das de Alan.

— Está ótima — respondeu Alan, sorrindo. Ele já não sabia quantas vezes havia dito isso.

— Acho que a que usei antes era melhor — comentou Lilian, olhando para o espelho da câmera. Em seguida, hesitou novamente.

Alan abriu a boca para falar, mas acabou não dizendo nada, apenas deu um sorriso resignado, assistindo Lilian trocar de roupa mais uma vez.

Parecia que todas as roupas eram aceitáveis, mas nenhuma era perfeita.

Lilian queria alcançar a perfeição, mas como poderia conseguir isso? Não existe a mais bela, apenas o sempre mais belo!

Ela desejava apresentar-se na sua melhor versão diante da família de Alan, mas sabia que era impossível controlar tudo.

— Por que está sorrindo? Olhe só, que tal esta roupa? — Lilian notou o sorriso de Alan e falou com um leve tom de irritação.

— A minha Lilian é sempre a mais bonita — respondeu Alan, sorrindo. — Não importa o que vista, fica sempre linda. No interior, não se liga tanto a isso, não precisa de algo tão moderno.

Lilian ouviu, pensativa, e assentiu com a cabeça.

Depois de muita indecisão, finalmente tomou uma decisão.

— Não preciso me maquiar mesmo? — perguntou ela, olhando para Alan.

— Não precisa. Lá no interior, se você se maquiar, vai parecer estranho — Alan sorriu. — Além do mais, minha Lilian já é naturalmente bela, não precisa de maquiagem para ser bonita.

Lilian sorriu docemente ao ouvir isso.

A casa de Alan ficava relativamente perto do Monte Emei, a apenas uma ou duas horas de carro. Embora situada no interior, era de fácil acesso.

— Que paisagem maravilhosa! — exclamou Lilian, parada num vale, admirando ao redor.

— Vamos, já estamos quase lá — disse Alan, sorrindo.

— Onde é exatamente? — perguntou Lilian.

— Ali! — Alan apontou para a frente. Lilian olhou na direção indicada e viu, perto de um lago, uma pequena casa de dois andares.

Parecia recém-construída, ainda havia materiais de obra ao lado.

Quando os direitos de transmissão da primeira temporada de “Portões da Virtude” foram vendidos, Alan enviou dinheiro para casa.

Antes, a família vivia em condições precárias, a casa era velha e parecia prestes a desabar a cada tempestade.

Alan e seu irmão, Miguel, provavelmente nunca voltariam a morar ali, mas os avós e os pais continuavam no interior. Não era justo deixá-los naquelas condições.

Alan chegou a pensar em levá-los para Pequim, mas sabia que eles não se adaptariam.

— Alan! — Uma voz chamou de repente. Alan e Lilian se viraram e viram uma senhora carregando um cesto de palha, sorrindo surpresa.

— Vovó! — Alan, feliz, correu para ajudar, pegando o cesto das mãos da senhora.

— Como é que você voltou? — perguntou a avó, sorrindo.

— Vovó! — Lilian, corando, foi até Alan e pegou sua mala.

— Esta deve ser sua namorada, não é? — A avó sorriu ainda mais. — Que bom, que bom!

— Pode me chamar de Lilian — respondeu Lilian, sorrindo, ainda com o rosto corado. Mas aquele “vovó” já saiu de seus lábios com mais naturalidade.

— Vamos para casa, vovó! — disse Alan. — Vocês ainda alimentam os porcos?

— Não consigo ficar parada — respondeu ela, sorrindo.

O avô de Alan já tinha mais de oitenta anos, mas era forte. A avó, com mais de setenta, também estava em excelente saúde.

— Velho, venha ver quem chegou! — Antes mesmo de entrar em casa, a avó chamou o marido.

Sua voz era suave, mas o avô logo saiu da casa, ainda com um avental, evidentemente ocupado.

— Alan! — sorriu ele, ao ver o neto.

— Vovô! — Alan sorriu e colocou o cesto no chão.

— Vovô! — Lilian também chamou, desta vez com mais naturalidade do que antes ao falar “vovó”.

— Oh! Que bom, que bom! — sorriu o avô.

— Onde estão meus pais? — perguntou Alan.

— Foram à cidade, devem voltar logo — respondeu o avô. — E como você conseguiu tempo para voltar?

Na verdade, o vilarejo onde Alan morava ficava bem perto da cidade, dava para ir a pé em menos de uma hora.

— Estou gravando um programa no Monte Emei, aproveitei para visitar — respondeu Alan, sorrindo.

Enquanto conversavam, Alan entrou na casa. A reforma era simples, nada luxuoso, até um pouco modesta.

Mas havia muitos quartos, provavelmente para garantir que Alan e o irmão tivessem onde ficar caso voltassem.

— Achamos que você e seu irmão não vão se estabelecer aqui, então não construímos uma casa maior — explicou o avô, sorrindo.

Agora, todo o vilarejo sabia que os dois filhos da família Alan haviam prosperado e se tornado grandes estrelas.

A casa deles era a maior e mais bonita da aldeia.

— Sempre que puder, voltaremos — garantiu Alan.

Ele não negou, nem precisava negar.

— Os dois quartos são para você e seu irmão, escolha o que quiser — disse a avó. — Os lençóis estão no armário.

— Vovó, deixamos isso por nossa conta — respondeu Alan, sorrindo.

— Então vou preparar o almoço — disse a avó, sorrindo.

— Seus avós têm mesmo uma saúde admirável — comentou Lilian, olhando para eles. — Parecem ter uns sessenta anos.

— Quem pratica artes marciais costuma saber cuidar do corpo — explicou Alan, ao tirar os lençóis do armário. — Meu avô foi ferido na guerra; se não fosse isso, estaria ainda mais forte.

Lilian vinha de uma família abastada, mas não era incapaz nas tarefas domésticas.

Juntos, arrumaram a cama rapidamente.

Nesse momento, os pais de Alan voltaram da cidade. Pelo que traziam, provavelmente haviam ido vender algo.

Os pais de Alan ficaram muito felizes ao vê-lo, mas ao ver Lilian, ainda mais. Especialmente a mãe de Alan, cujo sorriso superava até o da avó.

— E por que seu irmão não veio junto? — perguntou o pai.

— Ele está ocupado nos últimos dias — respondeu Alan. — Aproveitei a gravação no Monte Emei para vir, mas amanhã cedo preciso voltar para Pequim.

— Vai embora amanhã? — A avó de Alan mostrou-se um pouco desapontada.

— O trabalho é corrido, só de conseguir tempo para voltar já é ótimo — disse o avô. Embora também sentisse saudade, não demonstrou.

— No Ano Novo, vou tentar ficar mais tempo — prometeu Alan, sorrindo.

A avó dele sorriu, satisfeita.

— O mandarim de Lilian é excelente, achei que ela fosse chinesa — comentou a mãe de Alan, de repente.

Alan ficou surpreso, e Lilian também.

— Mãe, Lilian é chinesa — respondeu Alan, entre o divertido e o resignado.

— Ela não é japonesa? — A mãe ficou confusa.

Alan entendeu.

— Yumiko Takeda foi só um papel que ela interpretou, assim como meu irmão interpretou Chen Zhen — explicou Alan, sorrindo. — O nome completo dela é Lilian Li. Japoneses não têm sobrenome Li.

— Chinesa é melhor, chinesa é melhor — respondeu a mãe, sorrindo.

Ela não tinha muita simpatia pelos japoneses.

Com o sucesso de “Portões da Virtude” e o movimento de boicote aos produtos japoneses, muitos espectadores desenvolveram certa resistência aos japoneses.

Com o mal-entendido esclarecido, Lilian percebeu que o olhar da mãe de Alan sobre ela mudou completamente, tornando-se muito mais caloroso.

Antes, a receptividade era apenas cordial; agora era uma afeição genuína, vinda do coração.