Capítulo Trinta e Dois: Sua Consciência Não Dói?
Na segunda gravação, os convidados já estavam bem mais familiarizados uns com os outros. Após uma semana sem se verem, Mu Chen havia mudado completamente.
Antes, muitos o conheciam apenas como namorado de Li Ruoxi, um recém-formado da Academia de Artes Dramáticas. Agora, era o diretor, roteirista e criador das cenas de ação do sucesso televisivo “Portal da Justiça”.
Além disso, seu talento como compositor e letrista já era amplamente reconhecido. Especialmente aquela canção “Super Legal” era assunto constante entre todos. Era um hit fácil de se espalhar, mas também estava associado aos temas de “Portal da Justiça” e “Nossa Juventude”, o que contribuiu para sua rápida divulgação.
Sua posição parecia diferente; Mu Chen percebia que o tratamento do pessoal do programa para com ele havia mudado. As pessoas são mesmo muito pragmáticas.
Li Chao e Xie Li continuavam sendo os primeiros a chegar, talvez pelo local onde moravam. Desta vez, Mu Chen e Li Ruoxi foram os últimos a aparecer.
— Sensacional! — exclamou Li Chao ao vê-lo, erguendo o polegar.
Mu Chen sorriu, entendendo perfeitamente o que Li Chao queria dizer.
“Portal da Justiça” explodiu, “Nossa Juventude” ficou morno, mas agora, na gravação do programa de variedades da TV Nanhu, Mu Chen não tinha mais qualquer constrangimento.
Ainda assim, quase ninguém do programa mencionava esse assunto.
Desta vez, como Xie Li havia informado a Li Ruoxi, o grupo foi diretamente para uma floresta nas montanhas, preparados para um teste de sobrevivência ao ar livre.
Claro, era só uma gravação, sem exploração profunda. Se algum convidado estivesse em perigo, o impacto seria grande; até pequenos ferimentos seriam problemáticos.
— Deixa comigo!
Já avisados com antecedência, Mu Chen e Li Ruoxi não trouxeram muita bagagem. Mesmo assim, carregar malas na floresta era complicado.
Desta vez, a empresária e a assistente de Li Ruoxi vieram junto, mas não apareceriam diante das câmeras.
A bagagem, porém, precisava ser carregada por eles mesmos. Embora só fossem gravadas algumas cenas, sem necessidade de manter isso o tempo todo, Mu Chen não tinha coragem de deixar Li Ruoxi carregar as malas. Não era para aparecer bem, mas por ser aquilo que um homem deve fazer.
Li Ruoxi não fez cerimônia; entregou diretamente a mala para Mu Chen.
Em poucos minutos, o grupo chegou ao destino. O cenário era belíssimo, com um lago próximo, e do outro lado, uma pequena cachoeira.
Ao redor do lago, havia pedras arredondadas e uma praia de areia, não muito grande, mas suficiente.
Seriam dois dias e uma noite de gravação, e cozinhar ao fogo era inevitável. Aquele era, sem dúvida, um lugar excelente para isso.
Na areia, podiam fazer fogo sem risco de incêndio.
— Que lugar lindo! — admirou-se Li Ruoxi, olhando ao redor.
De fato, era um lugar muito bonito.
— Daqui a pouco provavelmente não vai ser tão bonito assim — comentou Mu Chen, sorrindo.
Li Ruoxi ficou intrigada, mas logo entendeu.
A missão foi anunciada.
Os itens recebidos, como barracas, comida, panelas e utensílios, eram limitados.
Desta vez, o diretor cortou as esperanças de muitos: cada um só podia usar o que recebeu, sem compartilhar com os outros. Assim, o espírito de competição ficava mais evidente.
— Senhores, não se incomodem! — disse Mu Chen, sorrindo.
— Nem começou e você já acha que vai ganhar? — retrucou Li Chao, torcendo o nariz.
— Exatamente! — interveio Liu Yu, sorrindo. — E ainda temos um campeão olímpico aqui!
— Campeão olímpico aposentado ainda é campeão — comentou Zhou Liang, um pouco tímido.
— Cada um com sua especialidade! Só porque tem um lago, acham que é competição de natação? — brincou Mu Chen. — Não tenham medo de saber: cresci nas montanhas.
— Não era filho de um fazendeiro? — provocou Li Chao, sorrindo.
— Tem diferença? — Xie Li deu um olhar de reprovação.
Montanhas ou campo, não há muita distinção. Muitos vilarejos ficam nas montanhas ou ao lado delas.
— Falta de cultura é perigosa! — Mu Chen sorriu, dando um tapinha no ombro de Li Chao.
— Vai te catar! — respondeu Li Chao, sem paciência.
— Cada convidado pode escolher uma ferramenta para usar nos próximos dois dias e uma noite... para sobreviver! — anunciou o diretor.
— Sobreviver? — Liu Yu olhou para o diretor. — Então é um teste de sobrevivência?
— Sobrevivência ao ar livre? — brincou Li Chao. — Já interpretei soldado de elite, sobrevivência...
— Rápido! — Xie Li puxou Li Chao antes que ele terminasse.
Li Chao ficou surpreso, mas logo entendeu: Mu Chen e Li Ruoxi já estavam escolhendo suas ferramentas no monte de utensílios.
Quem pega primeiro leva vantagem!
— Diretor, só tem um isqueiro? Se eu pegar, as outras três equipes vão ter que fazer fogo com pedras e madeira? — Mu Chen pegou um isqueiro e olhou para o diretor.
Os outros convidados imediatamente olharam para o diretor.
Fazer fogo com pedras e madeira era exagero! Se não conseguissem, teriam que comer cru?
O diretor não respondeu, apenas sorriu.
Aquele sorriso deixava a imaginação correr solta!
— E se eu pegar o isqueiro? — Li Chao sorriu para Mu Chen.
— Te dou uma chance de me convencer — respondeu Mu Chen, sorrindo.
— Se me chamar para atuar, o cachê é pela metade — propôs Li Chao, rindo.
— Está feito! — Mu Chen entregou o isqueiro para Li Chao, sorrindo.
— Hehe! — Li Chao sorriu como quem acabou de aplicar um golpe.
— Dobra o cachê e depois corta pela metade, não muda nada! — comentou Xie Li, rindo.
— Hahaha!
Mu Chen olhou para Li Chao, que explodiu numa risada.
— As artimanhas da cidade são profundas, quero voltar ao campo! — Mu Chen ficou um instante surpreso, depois olhou para Li Chao. — Irmão Chao, eu confiava tanto em você, e me enganou? Não sente peso na consciência?
— O destino é justo, ninguém escapa! Acho que foi você quem disse isso! — Li Chao riu. — Esqueceu o que falou de mim agora há pouco?
Mu Chen lançou um olhar para Li Chao e escolheu uma faca de madeira.
— Pronto, todos escolheram suas ferramentas? Se quiserem trocar, esta é a última chance — disse o diretor. — Agora que escolheram, espero que sejam úteis.
— Irmão Chao, seu isqueiro é quebrado — comentou Mu Chen, ao ver os funcionários recolherem as outras ferramentas.
Li Chao ficou surpreso, testou o isqueiro e percebeu que realmente não funcionava.
— Diretor? Que sentido tem dar um isqueiro quebrado? — questionou Li Chao.
— Você escolheu — respondeu o diretor, também surpreso. Olhou para Mu Chen e sorriu.
— Como vamos sobreviver com um isqueiro quebrado? Vai fazer a gente comer cru? — reclamou Li Chao.
— Irmão Chao, o diretor não disse que não podíamos usar coisas nossas — falou Mu Chen, sorrindo. — Desculpe, não fumo, mas trouxe um isqueiro desta vez.
— O diretor só disse que o que recebemos só pode ser usado por quem recebeu, mas não falou nada sobre emprestar outros objetos, não é? — Liu Yu olhou para o diretor e, sorrindo, disse a Mu Chen: — Mu Chen, depois empresta seu isqueiro. Eu não fumo, não trouxe isqueiro.
— Então você estava me preparando uma armadilha! — Li Chao entendeu e olhou para Mu Chen.
— Sério? — Mu Chen olhou para Li Ruoxi.
— Não, de jeito nenhum — respondeu Li Ruoxi, sorrindo. — Irmão Chao, foi você que insistiu para ele te dar o isqueiro.
— As artimanhas da cidade são profundas, quero voltar ao campo! — Li Chao repetiu as palavras de Mu Chen. — E por que não avisou que o isqueiro estava quebrado?
— Você não perguntou! — respondeu Mu Chen, sorrindo.
— E por que disse agora? — Li Chao torceu o nariz.
— Porque agora não dá mais para trocar! — respondeu Mu Chen, sorrindo.
Li Chao ficou paralisado enquanto os outros riam. Xie Li cobriu o rosto, desviando o olhar.
— Não sente peso na consciência? — Li Chao apontou para Mu Chen, furioso.
Todos riram novamente.
— O destino é justo, ninguém escapa! — Zhou Liang comentou, sorrindo.
Que reviravolta rápida!