Capítulo 83: Até o Papai Ficou Sem Estoque?

Super Herdeiros Porquinho Puro 2242 palavras 2026-02-07 13:13:29

O coração de Joaquim Nan transbordava de alegria naquele momento. Nos últimos tempos, todos os “pais” que comprara já haviam expirado, e, como não tinha cumprido suas tarefas, estava sem nenhum centavo. A frustração era indescritível. Vale lembrar que, no dia anterior, quase fora morto a tiros com sua própria arma por um notório ladrão, e naquele mesmo dia, sua casa fora invadida por um assaltante. Embora o objetivo do ladrão fosse atacar Susana Neves e ele apenas tivesse se envolvido por acaso, já quanto ao ladrão de sua casa, era impossível saber suas reais intenções. Felizmente, o dinheiro estava escondido em uma meia suja que não lavava havia um mês, o que impediu o ladrão de encontrá-lo. No entanto, o fato de o computador ter sido deixado intacto mostrava que talvez o objetivo do invasor não fosse dinheiro. Quem sabe não era vingança daquele trombadinha que ele capturara no Parque da Rua da Liberdade?

No fim das contas, Joaquim Nan atribuiu todos esses infortúnios ao fato de não ter dinheiro suficiente para comprar outro “pai”. Se seu pai fosse alguém como Barack Gado, cercado dia e noite por dezenas de seguranças de terno preto e armados, quem ousaria furtar algo naquele prédio decadente?

— Maldição! Roubaram minha casa! Acham que sou algum gato morto de fome? Vão ver só, vou arranjar um bom pai para lidar com vocês! — resmungou Joaquim, irritado.

Mas logo suas lamúrias cessaram. Joaquim esqueceu dos ladrões ao navegar por uma página do site CompraPai.

Ao deparar-se com a imagem de uma jovem universitária de feições doces, alta e vestida de marinheira, seu coração bateu mais forte.

— Nem pensar! Essa estudante está fora de cogitação! — esbravejou Melina. — Tire essa ideia da cabeça!

Melina conhecia bem os limites de Joaquim e sabia exatamente o que passava por sua mente. Antes mesmo de ele abrir a boca, ela já cortou suas intenções.

— Eu só queria uma tutora para me ajudar nos estudos... — suspirou Joaquim, expressando um misto de resignação e pesar, enquanto continuava a navegar pelo site.

Após a última promoção, Joaquim percebeu que a maioria dos “pais” do site estava marcada como “esgotado”, “sem estoque” ou “indisponível”.

— Mas que droga, cadê tudo? — gritou ele.

— Ora, esgotou tudo — respondeu Melina, sorrindo.

— Que azar! — pensou Joaquim, revoltado. Nos romances alheios, os protagonistas conquistam poderes especiais facilmente, mas o dele, além de precisar gastar dinheiro, ainda ficava indisponível! Isso era de doer até a alma.

— O que ainda tem disponível? — perguntou, resignado.

— Nosso estoque conta apenas com estes... — Melina clicava rapidamente nas opções do site, demonstrando tamanha habilidade que Joaquim só pôde admirar: o sucesso realmente não era fruto do acaso.

Em poucos minutos, Melina filtrou alguns pais considerados “elite”. Apesar de cada um deles mostrar, no canto da foto, que restavam apenas um ou dois exemplares, ainda havia estoque.

Depois de descobrir que até seu “poder especial” podia se esgotar, Joaquim se sentiu ainda mais frustrado. Já imaginava que o site fazia sucesso, mas não pensava que seria tanto, a ponto de restarem apenas essas opções tão pouco atrativas.

— Este aqui é milionário, nada mal, mas magro demais, fora dos padrões de beleza. Não dá para se exibir com ele, vão me menosprezar.

— Este é cientista, participou da construção de naves espaciais nacionais. Pena que não entendo nada desse assunto.

— Este velho é o número um da televisão? Mas aqui não é o capitalismo selvagem, e esses programas podem acabar a qualquer momento, talvez até me prejudiquem.

— Meu Deus, até general cantor tem! Mas se nem consegue proteger o próprio filho, escolher ele seria pedir para se dar mal.

Assim, Joaquim foi descartando, um a um, os pais disponíveis, com um rigor quase cruel...

Ao final, clicou no botão de compra de um pai que não possuía nenhuma característica marcante. O motivo de sua escolha foi simples: “Bem, ele é tão gordo, só de olhar já me sinto confortável. Com certeza será um bom pai!”

— Perfeito, enviaremos o pai escolhido em até sete dias úteis — respondeu Melina, satisfeita ao ver que Joaquim não optara por uma das opções mais excêntricas, assumindo postura profissional de atendimento.

— Sete dias úteis? Achei que a entrega estava mais rápida! Ultimamente estava chegando em um ou dois dias! — protestou Joaquim.

— Ora, já é um presente meu para você! Ainda quer reclamar? Não posso atrasar a entrega dos outros clientes só por sua causa! — retrucou Melina, impondo-se com as mãos na cintura.

— Está bem... — diante da firmeza de Melina, Joaquim se calou.

...

Quando a imagem de Melina sumiu do ambiente, Joaquim sentiu que tinha feito uma compra inútil. Se teria de esperar sete dias úteis, seria como “água distante não apaga incêndio perto”.

Joaquim nunca foi de guardar ressentimentos: prefere resolver tudo na hora. Por isso, pegou imediatamente o celular e ligou para Cabelo Raspado.

Escolheu Cabelo Raspado porque, quando se trata de furtos e pequenos delitos, um sujeito desses certamente conhece o submundo local e sabe quem são os ladrões da vizinhança.

Cabelo Raspado, por sua vez, jamais ousaria desobedecer a um pedido do “Senhor Shoyu”. Bastou Joaquim falar, e logo ele pôs todos os seus capangas para agir, até mesmo aquele velho especialista em golpes de trânsito.

— Vocês acham que podem roubar a casa do Senhor Shoyu? Sabem quem ele é? Ele é protegido por seguranças do Palácio Central! Roubar a casa dele é pedir para morrer! — gritava Cabelo Raspado, enquanto liderava a caçada aos ladrões no bairro Céu do Sul.

Normalmente, pegar ladrão é tarefa inglória, mas tudo depende da situação. Ninguém se empenha porque não dá lucro, mas se alguém decide levar a sério, não há quem escape. Os ladrões pouco se movimentam, especialmente em curto prazo, e Cabelo Raspado conhecia todos de cor. Assim, não demorou duas horas para capturar um chamado Relâmpago Xavier.

(continua)