Capítulo 31: O Pai Desleixado

Super Herdeiros Porquinho Puro 2412 palavras 2026-02-07 13:12:59

Olhando para aquele homem desgrenhado, que em nada se parecia com um milionário, a primeira reação de Jiǎng Yǒunán foi fechar a porta! Mas quem consegue sobreviver neste mundo certamente tem seus motivos! Jiǎng Yǒunán foi rápido ao tentar fechar a porta, mas o sujeito desleixado foi ainda mais rápido ao interceptá-lo!

"Um bloqueio, um empurrão, uma pressão!" Com uma sequência de movimentos, o homem desleixado conseguiu abrir a porta e afastar Jiǎng Yǒunán que estava atrás dela.

O primeiro confronto entre Jiǎng Yǒunán e o sujeito desgrenhado foi tão rápido quanto breve; mas Jiǎng Yǒunán logo percebeu que havia perdido...

O homem entrou rapidamente na casa de Jiǎng Yǒunán, caminhando com orgulho e dizendo: "Veja só, eu, Hong Chéngqī, já vivi às custas dos outros por tantos anos, será que existe briga que eu já não tenha enfrentado? Como se eu não desse conta de um moleque como você!"

Hong Chéngqī entrou e sentou-se sem cerimônia na grande cama de Jiǎng Yǒunán, deitando-se logo em seguida numa posição confortável. Então, ordenou: "Vai, prepara o jantar pro seu velho pai!"

"Humpf!" Jiǎng Yǒunán, contrariado com a ordem, sabia que não teria chances num confronto direto, depois de ver a destreza de Hong Chéngqī. Por isso, decidiu se conter — afinal, estava mesmo com fome.

Jiǎng Yǒunán foi para a cozinha e preparou seus melhores pratos: carne bovina ao molho, carne picante, frango cozido com cogumelos, carne ao molho de pimenta e costela suína picante, entre outros. E, para se vingar de Hong Chéngqī, Jiǎng Yǒunán cuspiu várias vezes em cada tigela, até secar a boca de tanto salivar.

Quando levou a comida à mesa e ia começar a comer, Hong Chéngqī lhe deu um tapa na nuca e exclamou: "Moleque, só tem coisa de vegetariano aqui! Vai lá embaixo comprar dois quilos de carne assada agora!"

"Você!" Jiǎng Yǒunán, irritado com o tapa, bateu na mesa e se levantou, o barrigão balançando com o movimento. Mas quando viu Hong Chéngqī com uma maçã na mão esquerda e uma faca de frutas na direita, olhando para ele, Jiǎng Yǒunán rapidamente disse: "Espera aí, eu já vou buscar!"

Graças ao dinheiro inesperado que caíra em suas mãos, Jiǎng Yǒunán estava relativamente folgado. Depois de comprar a carne assada, decidiu ir à loja ao lado comprar alguns quilos da aguardente mais barata: "Dono, me vê dois... não, três quilos da cachaça mais vagabunda que tiver, a granel!"

"Por que não leva a de oito yuans o quilo? É muito melhor!", sugeriu o dono.

"Eu quero a de dois! Seria um desperdício dar a de oito pro cachorro!", resmungou Jiǎng Yǒunán, lançando um olhar feroz para a direção de sua casa.

"Quero ver o que faço com ele depois que estiver bêbado!", murmurou entre dentes, decidido a repetir a famosa cena da história do roubo do presente de aniversário em 'Os Marginais do Pântano'.

...

"Pai, para comemorar seu retorno, comprei uns bons litros de aguardente! Hoje, só saímos da mesa quando estivermos completamente bêbados!", exclamava Jiǎng Yǒunán, servindo Hong Chéngqī com uma simpatia exagerada, sem demonstrar o menor desagrado.

"Hahaha..." Assim que viu a bebida, os olhos de Hong Chéngqī brilharam. Tomou a garrafa das mãos do filho e começou a beber, cantarolando algumas árias de ópera local.

Assim, comeram e conversaram durante quase três horas. Para o desgosto de Jiǎng Yǒunán, aquele trapo de homem aguentou vários litros de cachaça e permaneceu sóbrio, como se estivesse bebendo água. O plano de Jiǎng Yǒunán fracassou antes mesmo de ser posto em prática.

Por outro lado, Hong Chéngqī, feliz com a bebedeira, começou a falar sem parar.

Foi assim que Jiǎng Yǒunán descobriu a verdadeira identidade de Hong Chéngqī: ele era um camponês de Lindong, município da região central da província de Tiannan, o sétimo filho da família. Apesar de ter muitos irmãos, após a morte do pai herdou uma boa quantidade de terras. Embora cultivar não fosse lucrativo, a vida também não era ruim.

Além disso, naquela época as terras não precisavam ser cultivadas: bastava esperar a indenização pela desapropriação, o que já dava um bom dinheiro. Com esse dinheiro, Hong Chéngqī conseguiu casar e ter filhos, vivendo uma vida confortável por um tempo.

Mas Hong Chéngqī era um tremendo inútil, preguiçoso, dedicado apenas a comer, beber, jogar e se divertir. Por melhor que fosse a indenização, ela não resistiu a seu estilo de vida perdulário. Em poucos anos, a casa estava vazia. Por isso, sua esposa foi embora com o filho, indo trabalhar na província de Guangyue.

Com as terras desapropriadas, o dinheiro acabado, e a família desfeita, restou a Hong Chéngqī a vida de quem vive de favores alheios.

No início, Hong Chéngqī ainda sentia vergonha, mas vizinhos e amigos às vezes o ajudavam. Só que ninguém aguenta por décadas. Mesmo que alguém aceitasse, a esposa da casa não aceitaria, certo?

Por isso, Hong Chéngqī foi para Tiankou, a capital da província. No caminho, mendigou com faca em punho, forçou vendas, e comeu em casas de desconhecidos. Mas era esperto: nunca pedia demais, algo em torno de cinco ou dez yuans, uma marmita, um copo de água. Assim, ninguém se incomodava a ponto de chamar a polícia — e, se chamassem, no máximo ele ficava detido alguns dias, com comida e abrigo garantidos!

Depois de tanto perrengue, Hong Chéngqī finalmente chegou a Tiankou. Lembrou-se que tinha um "filho" perdido há anos ali — Jiǎng Yǒunán — e correu para a casa dele, ansioso para viver às suas custas e, de quebra, garantir uma velhice tranquila!

"Aposentadoria...?" Jiǎng Yǒunán olhou para aquele homem com, no máximo, quarenta e cinco anos, e finalmente entendeu o quanto ele era preguiçoso e aproveitador!

"É claro!", Hong Chéngqī, ao perceber a hesitação de Jiǎng Yǒunán, se irritou e gritou: "Filhos são pra cuidar dos pais na velhice! Depois de tanto esforço pra criar vocês, não é pra isso que servem?"

"Bah! Quando foi que você me criou?", pensou Jiǎng Yǒunán, com desprezo. Mas, por fora, não só evitou discutir, como passou a bajulá-lo, como um típico colaboracionista de novela de guerra. Levantou o polegar para Hong Chéngqī e disse: "Você está certíssimo! Pai, você sofreu tanto pra me criar, agora é a minha vez de te 'homenagear'!"

Ao dizer isso, foi até o canto do quarto, abriu uma gaveta e pegou dois maços de dinheiro que o dono do Vale Alegre lhe dera: "Seu filho pode não ser grande coisa, mas ainda tem umas economias! Hoje à noite, faço questão de te receber em grande estilo no hotel mais luxuoso de Tiankou!"

(continua...)

De 1º a 31 de março, nem mais nem menos, exato um mês. Embora, para uma obra de milhões de palavras, esse início seja modesto, a base da história já ficou clara neste mês. Aos amigos que chegaram até aqui, nem preciso agradecer pelo apoio, mas, mesmo assim, deixo o meu "Obrigado!"