Capítulo 52: Fábrica Abandonada (Parte Um) (Segundo pedido de inclusão nos favoritos)
— Por que você não voltou para casa e veio parar aqui? — perguntou Jiǎng Yǒu-nán a Wang Fangfei, sorrindo para o homem que olhava em sua direção enquanto falava.
Wang Fangfei, uma moça de coragem, vendo que o outro não tinha acabado com o Gordinho, respondeu:
— Depois de sair da sua casa, lembrei que ainda tinha um bico por aqui!
— Eu não te dei dinheiro? — Jiǎng Yǒu-nán não sabia mais o que fazer com aquela garota interesseira.
— Mas já estou trabalhando aqui há mais de quinze dias, faltam só dois dias para o pagamento. Por que eu largaria agora? — retrucou Wang Fangfei.
— E no fim foi pega! — criticou Jiǎng Yǒu-nán, baixando a voz para perguntar: — Por que eles te prenderam? Se fosse para estupro, nem precisavam de armas, não faz sentido com a política de civilidade!
— Sei lá quem são, eles falam numa língua estranha, nem sei de que país — Wang Fangfei se irritou ao ouvir Jiǎng Yǒu-nán mencionar “estupro”, pois seu bastão de defesa já havia sido confiscado.
Apesar de tentar disfarçar, Jiǎng Yǒu-nán estava nervoso e assustado por ter sido capturado, a ponto de nem perceber vários detalhes; apesar de conhecer técnicas secretas, faltava-lhe experiência prática.
— Língua estranha? — repetiu Jiǎng Yǒu-nán ao ouvir Wang Fangfei.
Quando ela o alertou, ele ficou paralisado; só então percebeu que os sequestradores não falavam chinês, nem japonês, mas uma língua desconhecida. Ainda assim, para sua surpresa, ele compreendia cada palavra!
Os sequestradores não suspeitavam que Jiǎng Yǒu-nán entendia o idioma deles, portanto conversavam abertamente. Assim, ele conseguiu captar muitas informações valiosas.
Descobriu que o grupo era formado por mercenários internacionais, habituados a agir no Sudeste Asiático ou África, envolvidos em sequestros, assassinatos, contrabando e tráfico de drogas. Dessa vez, tinham vindo à província de Tiannan para cumprir um serviço encomendado na China: sequestrar Jiǎng Yǒu-nán e Wang Fangfei e levá-los para um determinado local.
Ao ouvir isso, Jiǎng Yǒu-nán ficou tão assustado que quase se urinou no carro; os alvos não eram só Wang Fangfei, mas também ele! E, ainda por cima, fora ele mesmo se entregar nas mãos deles.
Embora não soubesse o motivo do sequestro, ouviu o homem atacado pela bomba de gás perguntar brutalmente, olhando para Jiǎng Yǒu-nán:
— Por que não matamos logo esses dois?
O homem armado respondeu:
— É exigência do contratante, mas eles vão morrer de qualquer maneira.
A partir desse diálogo, Jiǎng Yǒu-nán entendeu que o sequestro era apenas uma etapa, e que o fim seria a morte deles dois!
Durante todo o trajeto, Jiǎng Yǒu-nán rezava para que alguém os encontrasse e os salvasse, quem sabe algum policial rodoviário querendo ganhar um extra parasse o carro para conferir embriaguez ou excesso de carga; mas era só o fim de outubro, e os departamentos públicos ainda não estavam em ritmo de plantão para garantir o bônus de fim de ano.
Logo, Jiǎng Yǒu-nán e Wang Fangfei foram levados a uma fábrica abandonada nos arredores, que antes fora uma grande empresa estatal de fertilizantes e uma das mais lucrativas da cidade, mas faliu após o fim do monopólio.
Eles não desconheciam o local; lembravam-se de já terem feito ali várias fotos artísticas para Qian Xin e seus seguranças.
— O que eles vão fazer com a gente? — Wang Fangfei, assustada por estar num lugar tão deserto, agarrou-se ao pulso de Jiǎng Yǒu-nán.
— Não tenha medo! Se eles quiserem te estuprar, eu… serei o primeiro! — respondeu Jiǎng Yǒu-nán com uma voz serena.
Aquela tranquilidade fez Wang Fangfei sentir em Jiǎng Yǒu-nán a solidez do mar, a firmeza das montanhas, a esperança de um vaga-lume na noite escura; mas as palavras seguintes dele a deixaram completamente atordoada.
— Seu gordo idiota! Como assim você vai ser o primeiro? — Wang Fangfei desferiu um soco nele.
Nesse momento, o homem armado gritou em um mandarim macarrônico e truncado:
— Chega de conversa... Andem, rápido!
Enquanto falava, desferiu um chute em Jiǎng Yǒu-nán.
— Droga, foi ela que falou, por que me bate? — Jiǎng Yǒu-nán teve vontade de entregar Wang Fangfei, mas ali, sob ameaça, baixou a cabeça e entrou obediente na fábrica.
Assim que entraram, a porta se abriu e três homens saíram de dentro: dois de pele escura, idênticos aos mercenários que os sequestraram, e um de pele clara, andar desequilibrado, com o típico ar de alguém acabado por álcool e prostituição.
Esse homem de pele clara, porém, falava mandarim perfeito!
— Conseguiram pegar os dois tão depressa? — perguntou ele ao homem armado.
O homem armado não respondeu diretamente, apenas empurrou Jiǎng Yǒu-nán e Wang Fangfei para a frente.
Assim que viu Wang Fangfei, o homem de pele clara ficou imediatamente atraído por sua beleza, só então se dirigindo ao mercenário armado:
— Muito bem! São mesmo mercenários de respeito!
Enquanto falava, lançou as mãos ao peito de Wang Fangfei; mas ela, experiente em lidar com canalhas, não hesitou e desferiu um chute certeiro na virilha do sujeito.
— Ora, que temperamento! — zombou ele, sem perder a pose. Apenas apertou as pernas e prendeu facilmente a perna de Wang Fangfei, mantendo as mãos ocupadas.
Quando ele estava prestes a apalpar os seios dela, foi surpreendido por um forte odor desagradável, seguido de um ataque físico.
Jiǎng Yǒu-nán acertou um chute no lado direito do rosto do homem, lançando-o longe. Em outra situação, talvez gritasse como Bruce Lee, mas ali limitou-se a olhar para o céu estrelado, depois para o mercenário armado, como se perguntasse por que ele apontava a arma.
O homem de pele clara levantou-se rapidamente e, apontando para Jiǎng Yǒu-nán, esbravejou:
— Gordo miserável, vou acabar com você!
Apesar dos berros, não teve coragem de avançar, preferindo ordenar ao mercenário:
— Acabe logo com ele para mim!
— Dinheiro! — respondeu o mercenário, de forma seca.
Ao ouvir a recusa, o homem de pele clara ficou furioso, mas não ousou retrucar, sabendo que aquele grupo carregava nas costas várias, talvez dezenas de mortes.
— O dinheiro está dentro da fábrica — disse ele, lançando um olhar cheio de ódio para Jiǎng Yǒu-nán antes de se virar e entrar no prédio.
(continua)