Capítulo 54: Vou Me Sacrificar um Pouco (Segunda Atualização, Por Favor, Adicione aos Favoritos)
Os mercenários não deram a menor atenção às palavras de Jiang Younan. Ele acabara de se rebelar abertamente e roubar uma arma, ultrapassando todos os limites deles. Mesmo que agora o chefe de pele clara dissesse para não matá-lo, não iriam deixá-lo escapar.
Porém, a voz do chefe soou atrás deles: “Todos, parem agora. Ninguém atire!” Assim que ouviram o chefe, compreenderam que ele devia ter algum objetivo em mente; talvez tivesse recebido novas instruções do contratante. Por isso, cessaram imediatamente as ações, aguardando ordens.
Entretanto, o homem de pele clara não conseguia simplesmente parar. Acostumado à arrogância, sentia um ódio profundo por Jiang Younan, principalmente depois de ter sido quase castrado por um chute dele. Sem a menor racionalidade restante, agarrou a pistola que Jiang Younan havia jogado no chão e, sem hesitar, disparou contra ele.
O estrondo do tiro ecoou pelo galpão abandonado, misturado ao grito de Wang Fangfei. Um jorro de sangue explodiu do corpo do homem, desenhando um arco no ar antes de salpicar o chão da fábrica.
O homem de pele clara olhou surpreso para o buraco em seu peito. A arma escorregou de sua mão, e seu corpo caiu ao chão, inerte.
Os demais mercenários olhavam, atônitos, para o chefe. Ninguém conseguia entender por que ele havia matado o enviado do contratante. Embora já tivessem cometido traições antes, desta vez não havia nenhum benefício visível, apenas mais prejuízo para a reputação.
Mas Kariman, o chefe, parecia alheio aos olhares de seus subordinados e foi direto até Jiang Younan. Com um metro e sessenta e três, não era alto, mas sua pele vermelha e músculos explosivos faziam-no parecer um leopardo adulto.
Aproximou-se e murmurou: “Filho, você está bem?”
Jiang Younan, ao ouvir o chefe Kariman... ou melhor, o “papai Kariman”... sentiu uma onda inesperada de felicidade. Percebeu que a felicidade não era privilégio das mulheres; os homens também podiam proporcionar felicidade a outros homens, e de maneiras surpreendentes. Se fosse expressar em palavras da internet, seria algo como: “Essa felicidade chegou tão de repente que quase me fez mijar de emoção.”
De repente, Jiang Younan jogou-se nos braços de Kariman e, tomado pela afeição, exclamou: “Pai! Que saudade eu estava de você!”
O chamado “pai” saiu tão natural e carinhoso dos lábios de Jiang Younan que Kariman ficou profundamente emocionado, ao mesmo tempo em que se recriminava internamente por ter aceitado aquela missão. Por pouco não matara seu próprio “filho de sangue”!
Daí em diante, tudo ficou muito claro. Jiang Younan entendeu porque, de repente, conseguia compreender o dialeto local tailandês daquele grupo: para ele, era praticamente uma “língua materna”. E percebeu também porque Kariman viera da Tailândia para a China por meros cem mil yuans e se envolver em sequestro: é que seu “filho” estava na cidade de Tiankou, província de Tiannan!
Kariman, envolvido com assassinatos, contrabando e tráfico de drogas no exterior, raramente podia visitar o “filho”, mas a saudade falou mais alto. Aproveitou a oportunidade do trabalho para se aproximar.
Por outro lado, Wang Fangfei nada compreendia do que diziam Jiang Younan e Kariman. Sem conhecer tailandês, muito menos o dialeto regional de Kariman, sentia-se ainda mais perdida. Não entendia como aquele gorducho, Jiang Younan, podia se abraçar com tanta paixão ao perigoso Kariman. O abraço era tão caloroso que mais parecia as reencontros de irmãos de sangue das antigas lendas chinesas — e os outros mercenários observavam com o mesmo olhar intrigado.
Agora que Jiang Younan havia se tornado o “amante” do chefe, ninguém mais ousaria causar problemas para ele ou para Wang Fangfei. Afinal, o tal Wu Danjun, de pele clara, já tinha sido sumariamente executado pelo chefe.
“Xiao Jiang, deixe-me apresentar meus irmãos”, disse Kariman, apontando para seus subordinados e apresentando-os um a um. Ao terminar, virou-se para eles e declarou: “Este Xiao Jiang é um benfeitor do chefe de vocês. Ninguém pode prejudicá-lo, senão estará mexendo comigo!”
Por ser um criminoso internacional, Kariman não queria que soubessem da sua ligação com Jiang Younan. E, se Kariman já preferia o sigilo, Jiang Younan então, nem se fala — não queria de jeito nenhum que a polícia descobrisse esse parentesco.
Apresentações feitas, Kariman lançou um olhar para Wang Fangfei, que estava encolhida num canto, e perguntou a Jiang Younan: “E essa mulher, quem é? Ela vai guardar segredo depois de sair daqui?”
Havia intenção de morte na voz de Kariman.
“Não!”, Jiang Younan imediatamente colocou-se à frente de Wang Fangfei, temendo que Kariman a matasse sem pestanejar, como fizera com Wu Danjun.
“Hm?”, Kariman franziu o cenho, olhando para Jiang Younan, que rapidamente respondeu: “Ela é minha esposa!”
“Ah!”, Kariman compreendeu: aquela mulher era sua nora!
“O que vocês estão dizendo?”, perguntou Wang Fangfei, olhando assustada para o semblante feroz de Kariman e o nervosismo protetor de Jiang Younan.
“Eles querem te matar”, respondeu Jiang Younan, sério.
“Ah!”, Wang Fangfei gritou de susto, e em seguida questionou: “Mas você não parecia ser tão amigo deles?”
“Eu sou, mas você não é...”, Jiang Younan apontou para o corpo de Wu Danjun no chão. “Olhe, já houve morte aqui. Como eles poderiam te deixar sair? E se você fosse à polícia?”
“E o que eu faço agora?”, Wang Fangfei estava desesperada, especialmente ao ver Kariman a observando com a arma sempre em punho.
“Eles querem que eu prove que você é dos nossos”, disse Jiang Younan, sem vergonha, começando a tirar a roupa e expondo sua brancura adiposa. “Vou me sacrificar e, aqui mesmo, fazer amor com você na frente deles, só para provar.”
(continua)